Reacções ao caso Sócrates – Adaptar-me ao envelhecimento

De ano para ano, de mês para mês, de dia para dia, sinto-me a perder capacidade de compreensão do que me rodeia. De início pensava que era cansaço, depois que talvez fosse de dedicar poucas horas ao sono, até que sim, um gajo assume a consciência de que envelhece, o raciocínio vai deixando de fluir da mesma forma e a incompreensão tolhendo-nos. Envelhecer mentalmente é, afinal, ir perdendo lentamente a faculdade de adaptação ao meio. Daí o progressivo isolamento…
Escrevi lentamente, porque assim é, mas creiam que agora tudo parece ter sido num ápice, num instante, como se diz, de um momento para o outro.
Mas vem esta confissão a propósito de quê?

Da solidão que sinto apoderar-se de mim, sem estar só, entenda-se.
Consigo compreender profundas indignações com as injustiças, mas esta em particular, a que visa apenas Sócrates e Ivo Rosa, com sensibilidades assomadas de aleivosia contra duas pessoas, quando vivemos a corrupção em Democracia há quase meio século, com casos atrás de casos, com compadrios à vista de todos, com uma indecente promiscuidade entre negócios e política com a alta-finança a corromper a eito, [Read more…]

Sócrates, o multivitamínico

Não tenho instrumentos nem conhecimentos que me permitam avaliar as decisões do juiz Ivo Rosa. Não tenho grande fé na humanidade, respirando apenas uma uma leve esperança de que o confronto dialéctico da vida nos leve, por vezes, a um caminho menos injusto, menos desequilibrado.

José Sócrates representa, para mim, o pior de Portugal, o chico-esperto que finge frontalidade, mas que é só desonesto, o politicote vácuo, uma figura que fica bem numa galeria cheia de medíocres como Durão Barroso, Cavaco Silva, Passos Coelho ou António Costa, todos chefes de uma comandita que, ao mesmo tempo, mantém e corrói a democracia portuguesa, esse território habitado por praticantes de uma corrupção legal, que sobrevive à custa de incompreensíveis prescrições, constantes de leis criadas pelos amigos daqueles irão beneficiar com essas mesmas prescrições.

José Sócrates foi um dos piores primeiros-ministros de Portugal, num campeonato em que quase todos andam perto dos lugares cimeiros. Entregou a tutela da minha área profissional a Maria de Lurdes Rodrigues, uma figura amarga e sinistra, ignorante atrevida erigida em senadora da Educação. Sócrates é, ainda, uma figurinha irritante e suscita-me uma embirração que me levou ao ponto de ficar grosseiramente satisfeito por ter sido preso, quando, na realidade, me faz impressão a facilidade com se recorre à prisão preventiva. A minha intuição diz-me que Sócrates é culpado de tudo o que é acusado e apostaria que ainda há muito de que deveria ser acusado, mas não se sabe o quê. Com a sobranceria que lhe é característica, teve o atrevimento de vir considerar-se inocente, fingindo que não houve prescrições e esquecendo-se selectivamente de que ainda irá a julgamento, podendo, por isso, vir a ser condenado. [Read more…]

José Sócrates, democracia e o monopólio da promiscuidade

João Miguel Tavares, uma das vozes mediáticas que mais ferozmente tem esmiuçado e criticado José Sócrates ao longo dos (pelo menos) últimos 15 anos, no último Governo Sombra:

É fácil ser corrupto, é muito difícil provar a corrupção. Portanto eu acho que todos os indícios que estão na acusação são indícios muito sólidos, mas, de facto, a solidez esbarra em algo que é ainda mais sólido, que é a dificuldade de provar coisas em função daquilo que é a lei portuguesa no que diz respeito à corrupção. E isso é que é muito assustador.

Faço parte do grupo de pessoas que está absolutamente convicto que José Sócrates é culpado da maior parte dos crimes que lhe são imputados pelo Ministério Público. E só não digo todos porque não integro o amplo grupo de pessoas que leram as 6728 páginas da decisão instrutória de Ivo Rosa, nos 15 minutos que se seguiram à leitura do resumo pelo juiz do Ticão, depois de terem analisado a acusação ao mais ínfimo detalhe, para concluir que o Ministério Público fez um excelente trabalho e que a única explicação possível para o revoltante desfecho da instrução é o facto provado de que Ivo Rosa reside no bolso das moedas de José Sócrates. Ao contrário dessas pessoas, não tenho dados objectivos que me permitam saber se Ivo Rosa favoreceu deliberadamente José Sócrates. E acho formidável que se simplifique um problema destes, que é estrutural e está na raiz do regime, muito maior que a Operação Marquês, porque é preciso encontrar um bode expiatório instantâneo para direccionar a raiva das massas. Desta vez foi Ivo Rosa, noutras ocasiões foram advogados, procuradores ou outros magistrados. E enquanto se lincha o juíz, quem escapa em toda a linha abre garrafas de champanhe na Comporta, e já ninguém quer saber deles. Da parte que me toca, quero agradecer a Ivo Rosa por ter liberalizado e oficializado algo que já todos sabíamos mas que, finalmente, ouvimos da boca de um juíz: que José Sócrates é corrupto. E não será a prescrição do crime que alguma vez mudará isso. José Sócrates é corrupto.

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A Operação Marquês e os obcecados pelas selfies

Fonte: Rui Rocha.

Este é o momento!

(com a devida autorização do autor, o aventador Carlos Garcez Osório, publico aqui o seu texto da sua página de facebook)
Vou fazer um enorme esforço para tentar que este texto não reflita a descomunal raiva que me perpassa, não por receio de qualquer consequência pessoal (quem me conhece, infelizmente, sabe-o bem), mas porque não é fácil fazermo-nos compreender por entre os “perdigotos” da fúria.
A imagem reproduz um excerto da decisão instrutória, neste caso uma das muitas (são mesmo muitas) ordens para que os Arguidos possam, DE IMEDIATO e sem qualquer restrição, voltar a ter acesso às verbas (imóveis, contas, etc.) que se encontravam arrestadas. Num despacho cujas consequências judiciais são muito mais limitadas que aquelas que o desprezIVO gostaria que fossem, esta é uma das nossas (dos Portugueses) grandes derrotas. O mais que previsível provimento do recurso do MP, já não evitará que estes milhões e milhões de euros desapareçam total e definitivamente.
E a partir daqui poderia lançar-me, como quase todos nesta hora, num legítima, sustentada e lógica investida contra os problemas do sistema judicial, da corrupção, etc. Só que como a maior parte do que está a ser dito e escrito, isso não seria mais que ruído. Ruído que nos impede de perceber o que realmente aconteceu e o que realmente interessa fazer agora.
Não sendo de forma alguma “dono” da verdade, admito que posso estar equivocado. Aliás a cólera é um natural inimigo da lucidez. Mas mesmo assim, “sem rede” ou agenda de interesses, apenas configurado pelas minhas opiniões, convicções, forma de perspectivar o mundo e de nele estar, deixem-me tentar distinguir o que neste momento (para mim) é urgente e o que pode ser discutido depois.

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Duas inofensivas reflexões linguísticas acerca de Sócrates

By chance I met this same wine again, lunching with my wine merchant in St James’s Street, in the first autumn of the war; it had softened and faded in the intervening years, but it still spoke in the pure, authentic accent of its prime, the same words of hope.
Evelyn Waugh, “Brideshead Revisited

But was there more to Socrates’s attitude to Sparta than vague and general admiration from afar?
Paul Cartledge

Foto: Anadolu Agency/Getty Images (https://bit.ly/2PPQwv6)

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Provavelmente, em português actual, nunca teremos visto nem o singular *Sócrate (como ‘Socrate‘, em francês), nem o plural *Sócrateses. Provavelmente, repito. E isto vale quer para Sócrates com ‘S’ inicial e ‘s’ final, quer para Sócrates com sigma inicial (Σ) e sigma final (ς). Ora, sabendo que o plural Sócrates corresponde ao singular Sócrates e nunca a *Sócrate e que ao singular Sócrates corresponde o plural Sócrates, também sabemos que o plural lápis corresponde ao singular lápis e não a *lápi e que (para falantes de português europeu de Lisboa e arredores, pois eu digo ‘sapatilhas’) o plural ténis corresponde ao singular ténis e não a *téni (como já ouvi, por hipercorrecção).

A expressão, em inglês, através do “s’ genitive”, de uma relação possessiva em que Sócrates é o possuidor faz-se através de Sócrates’s e não através nem de *Sócrate‘s, nem de *Sócrates’, como se aprende quer nas melhores escolas e afins, quer numa ida a Londres (e.g., St. James’s Park).

Muito bem, Mendes. Muito bem, Maio.

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Sócrates de todo o mundo: uni-vos!

Queria aqui propor um soleníssimo minuto de silêncio, em memória da credibilidade daquela malta que está em ebulição desde ontem, motivada, com razão, com o desfecho da decisão instrutória da Operação Marquês, mas que apoia, que defende, que normaliza e que pactua com autarcas corruptos e com a corrupção instalada no poder autárquico, de norte a sul do país, ou porque “são todos iguais”, ou porque o filho tem um tacho na câmara, ou porque a mãe fez um ajuste directo com a junta, ou pelo raio que os parta. 52% das denúncias por corrupção neste país têm origem nas autarquias, segundo dados de 2019 do Conselho de Prevenção da Corrupção. A esmagadora maioria das denúncias é arquivada e nem chega sequer a ir a julgamento. A denúncias que vão terminam igualmente arquivadas ou com penas suspensas. Parabéns a todos eles! Nenhum destes pequenos Sócrates autárquicos poderia algum dia chegar a marquês local sem o seu inestimável contributo. A corrupção agradece os seus contributos.

PSP – Polícia Sonsa de Portugal

Ontem, quer à entrada, quer à saída do Campus de Justiça, mais de uma dezena de agentes da Polícia de Segurança Pública escoltaram José Sócrates, garantindo que o suspeito chegasse ao tribunal e saísse do mesmo em total segurança. No fim, José Sócrates foi sentar-se numa esplanada com outros quatro colegas (onde, pelas regras impostas, só podem estar quatro pessoas numa mesa, estavam cinco) e, aí, já não foi necessária a escolta da PSP.

Gostaria de perguntar ao Estado e à PSP o porquê das diferenças de tratamento entre cidadãos, consoante o estatuto, a carteira e a classe social: a diferença de tratamento que as polícias têm entre os poderosos e o cidadão comum é óbvia, é repugnante e é inconcebível. Porque é que a PSP protege os poderosos e persegue o cidadão comum?

É que em Portugal, para a PSP, vale mais a pena andar à caça da multa ou de uma grama de haxixe, perseguindo trabalhadores e/ou estudantes que nunca extraviaram ou mataram. Já os suspeitos de corrupção e de outros crimes de colarinho branco, são escoltados como se de bons samaritanos se tratassem. Como bons capatazes que são – eufemismo para paus mandados -, dirão “apenas cumprimos ordens”. Mete tudo muito nojo.

Deixo-vos com Peste & Sida.

Fotografia: Ana Baiao/EXPRESSO

PodAventar Especial — Operação Marquês

Um podcast especial, sobre a decisão instrutória do juiz Ivo Rosa no caso Operação Marquês. Com a participação de José Mário Teixeira, Fernando Moreira de Sá, Orlando Sousa, António de Almeida, Francisco Salvador Figueiredo e Carlos Garcez Osório. O primeiro podcast sem filtros do PodAventar.

Aventar Podcast
PodAventar Especial — Operação Marquês
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Sócrates foi corrompido mas não faz mal: o caso prescreveu e não se fala mais nisso

Foram mais de três penosas horas de leitura do longo resumo do gigantesco processo. Durante a mesma, Ivo Rosa lá nos explicou que ou está tudo prescrito, ou não foi produzida prova suficiente que permita sustentar grande parte das acusações, ou não houve intenção, ou não é possível estabelecer uma relação entre os milhões que por aí circularam – e que, estranhamente, foram aparecer nas contas de Sócrates e Carlos Santos Silva – e qualquer acto ilícito. No fim da linha, eis-nos pois, perante o habitual cenário: os poderosos voltaram a safar-se do crime que verdadeiramente interessava: o de corrupção. Isto apesar de Ivo Rosa ter assumido que Sócrates foi corrompido. Parafraseando uma antiga procuradora, “Portugal não é um país corrupto”. Ficamos todos muito mais descansados.

Segue-se um julgamento com tudo para dar em nada, durante o qual Sócrates, Salgado, Santos Silva, Armando Vara e João Perna responderão por crimes menores (quando comparados com o crime de corrupção). Mas, pior que isso, segue-se um perigoso aprofundar do descrédito em que caiu a justiça, que, por não funcionar com os Sócrates e os Salgados desta vida, passa a ser considerada, por cada vez mais pessoas, como um todo inútil e ineficaz, pese embora o seu bom funcionamento noutras áreas. Até nisto, Sócrates, Salgado e restante pandilha são um cancro social: não só se safam, como descredibilizam ainda mais as instituições, que há muito se arrastam pelas ruas da amargura.

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TCIC 122 – Decisão Instrutória :: Ivo Rosa

Pode ler aqui as mais de 6000 páginas que fundamentam a decisão do Juiz Ivo Rosa:

TCIC 122 Decisão instrutória

Chegou a hora dos comentadores televisivos

Agora que o juiz já terminou, entram nas televisões a comentar: Paulo Futre, Diamantino, Pedro Guerra, Manuel Serrão e demais especialistas nestas coisas. O tema principal é: Sócrates estava ou não em fora de jogo? O VAR decidiu bem? O árbitro estava comprado?

A não perder numa televisão perto de si.

José Sócrates’s Gang

Foto: AFP/Getty Images

O segredo da amizade:

Crime de corrupção que liga Sócrates e Salgado prescreveu, diz Ivo Rosa

«Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti
Não te chega para o bife?
Antes no talho do que na farmácia
Não te chega para a farmácia?
Antes na farmácia do que no tribunal
Não te chega para o tribunal?
Antes a multa do que a morte
Não te chega para o cangalheiro?
Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir»
(‘FMI’ de José Mário Branco)

Uma entrevista a reler…

…enquanto as pipocas estão ao lume. Que isto hoje só com um balde de pipocas.

JOSÉ SÓCRATES: “UMA PESSOA DEIXA DE EXERCER FUNÇÕES PÚBLICAS HÁ MAIS DE DOIS ANOS E NÃO TEM O DIREITO DE PEDIR DINHEIRO EMPRESTADO? MAS ISSO ESTAVA ESCRITO NALGUM LADO?” Revista Visão, Maio 2018
(Foto de Marcos Borga)

O dia D de Ivo Rosa

Ao contrário do que se escreve nalguns jornais hoje não é o Dia D da Operação Marquês. Em bom rigor, hoje nada se decide. Em bom rigor lusitano, só lá para 2030 é que alguma coisa será decidida em definitivo. Hoje é o dia D mas de Ivo Pinto, o Juiz.

O juiz Ivo Rosa precisou de quase 1000 dias para analisar e decidir. Segundo as fontes dos órgãos de comunicação social são mais de seis mil páginas. O juiz vai ler uma súmula das mesmas explicando a decisão e vamos ter fé que o dito resumo seja mesmo reduzido, caso contrário, vamos levar com umas valentes horas de directos televisivos com Ivo Pinto a ler. Só espero que tenha boa dicção – imaginem se eram alguns dos aventadores (este incluído) a ler 🙂

Ora, 1000 dias e 6.000 páginas depois, vamos aguardar pacientemente para ver o que produziu todo este trabalho. Quero acreditar que a montanha não vai parir um rato. Que se faça justiça é o que se pede. Se exige.

6 de Abril de 2011 não foi uma noite de nevoeiro

Já passaram 10 anos e parece que foi ontem. Até porque uma parte substancial dos membros desse governo estão actualmente em funções. Parece que foi ontem porque o Portugal político que em 2006 nos levou para o buraco em pouco se distingue do de hoje.

O na altura ministro das finanças e o único, no governo de então, que foi capaz de enfrentar José Sócrates é senhor de uma frase lapidar no Dinheiro Vivo (DN/JN) de hoje: “Portugal, de 2011 até agora, foi consistente e mostrou rigor nas contas públicas“. Assumindo a falta de rigor das contas públicas no reinado do “animal feroz”. A falta de rigor que teve como consequência a bancarrota e a vinda da troika. A que se seguiram anos de sofrimento, de pobreza e de um Portugal intervencionado.

Sem perdão possível.

Ora, os filhos, os enteados e as viúvas de Sócrates continuam a “andar por aí”, como se nada fosse. E ninguém foi preso. Porque em Portugal a culpa morre sempre solteira. Entretanto, José Sócrates continua a aguardar se vai ou não a julgamento. E Portugal continua à espera de D. Sebastião…

Há que dizê-lo…


Aos indignados com a prestação do comendador Joe Berardo na A.R., relembro que a dívida contraída serviu para ajudar o governo de José Sócrates a travar uma OPA da Sonaecom à PT e fortalecer na disputa de poder pelo controlo do BCP a facção que permitiu a Santos Ferreira e Armando Vara liderarem o Banco. Tudo feito de acordo com os interesses dos donos disto tudo, em conivência com o PS. Vários ministros de então continuam hoje no governo…

Público, um jornal socialista, ou comunista, ou lá o que é

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A imprensa portuguesa, é sabido, é toda de esquerda. Tirando o Diabo, o Observador e o Angelus TV, é tudo esquerdalho. O Público, diz a narrativa dominante, é dos mais esquerdalhos. Ouvi até dizer que é socialista, ou comunista, que, sendo duas palavras diferentes, têm hoje o mesmo significado. Porque sim.

Duarte Lima foi dirigente, deputado e líder da bancada parlamentar do PSD durante o cavaquismo, ao qual está intimamente ligado. Desempenhou um papel de relevo na fraude do século, o BPN, protagonizada por um conjunto de cavaquistas que, contas redondas, lesaram o país em vários milhares de milhões de euros, parte dos quais garante hoje a quase todos os envolvidos uma reforma dourada, a par com uma ou outra subvenção vitalícia, igualmente dourada. [Read more…]

Operação Marquês

Arrancou a fase de instrução do processo em que o ex-primeiro-ministro José Sócrates está acusado de 31 crimes. A maior parte das defesas optou por não discutir os factos imputados na acusação, insistindo em várias alegadas ilegalidades que dizem invalidar a prova.

Portanto, os senhores não contestam os factos, mas tão só o modo de obtenção das provas dos crimes que cometeram.

Pois imaginem, meus senhores, que a nós nos interessam os factos. E também nos interessa, meus senhores, que os crimes não prescrevam.

Isso interessa-nos, interessa-nos muito, mas somos bem capazes de vir a não ter sorte nenhuma.

A Justiça, muitas das vezes, parece do mais injusto possível.

RES – Rede de Expressos Sócraticos

Fotografia: António Carrapato/Lusa

As inscrições para a excursão de hoje estão fechadas, mas em breve haverá nova oportunidade para prestar tributo ao homem mais honesto da história deste país. Por um Portugal com mais Magalhães, mais Carlos Santos Silvas, mais divida pública, mais cursos tirados ao Domingo, mais inglês técnico, mais robalos, mais freeports em Alcochete e mais jogging na Praça Vermelha. Contra as tramoias criadas pela direita!

Porreiro, pá!

José Sócrates, essa vítima do sistema

via Expresso

Não, senhor ex-primeiro-ministro. O que está em casa neste momento não é a “fundada suspeita que este processo foi viciado, corrompido desde o seu início“. O que está em causa são acusações de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal que pendem sobre si. São fundadas suspeitas de recebimento de luvas no valor de 34 milhões de euros, relacionadas com negócios que ajudaram a destruir a PT e a favorecer o Grupo Lena, e de mais uns quantos milhões, que circularam entre bancos suíços e paraísos fiscais. E tudo isto enquanto ocupava um dos mais importantes cargos da nação. Não insista em fazer dos portugueses parvos, senhor ex-primeiro-ministro. Já chega o estado em que deixou o país.

Sabes que cheira (ainda mais) a esturro

quando José Sócrates sai em defesa de Manuel Pinho. Birds of a feather…

José Sócrates e os sadomasoquistas sociais

Imagem via DN

São situações como esta que me fazem perder a esperança na humanidade. Depois de ontem ser confrontado com o semblante sorridente do ex-recluso Isaltino Morais, todo emproado na tribuna de honra do Estádio do Jamor, como se de um indivíduo impoluto se tratasse, hoje dei de frente com esta estupenda manifestação de sadomasoquismo social: José Sócrates, o ex-primeiro-ministro que mentiu descaradamente ao país, e que, segundo a investigação em curso, terá sido corrompido por Ricardo Salgado, entre tantas outras tropelias, foi ovacionado num almoço de apoio. Mas ovacionado por quem? Por cidadãos amnésicos? Por figurantes pagos para ovacionar? Pelos mesmos tipos que compraram os livros que Sócrates não escreveu? Por funcionários do Grupo Lena? Por homo habilis de pau na mão? Aparentemente, a ovação partiu de elementos do movimento cívico “José Sócrates, sempre”. Como? “José Sócrates, sempre”? A sério que essa merda existe mesmo? Já não chegava o episódio de Alcochete para envergonhar o país?

O roto, o nu e o bloco central

Fotografia via TVI24

No debate quinzenal da passada semana na Assembleia da República, Fernando Negrão questionou o governo e o grupo parlamentar do PS sobre o porquê de demorar três anos a demarcar-se de José Sócrates. É uma pergunta legítima, ainda que pouco ou nada contribua para o trabalho parlamentar, mas é, acima de tudo, a expressão máxima daquela mania dos políticos chicos-espertos que nos tomam a todos por parvos. O velho hábito do roto apontar o dedo ao nu. O bloco central em todo o seu esplendor.

É evidente que o assunto é incómodo para o PS. E é altamente provável que exista quem, no executivo Costa, tenha feito umas marotices com o enfant terrible do PS que fez escola na JSD. Mas já que estamos nisto, seria interessante perceber quanto tempo mais irá o PSD demorar a demarcar-se do Dias Loureiro. É que, não só nunca se demarcou, como não tenho memória de qualquer dirigente do PSD manifestar embaraço por essa grande figura da hecatombe financeira que foi o antigo ministro de Cavaco. [Read more…]

A ingenuidade de João Miguel Tavares

É verdade que há uma tendência tribal para devolvermos ao outro lado as acusações, uma espécie de “quem diz é quem é” muito infantil. Isso nota-se nas discussões sobre futebol, quando criticamos o caceteiro adversário sempre que dizem mal do nosso caceteiro. Confirma-se na política, quando a alusão à imoralidade de uns despoleta referência à falta de ética dos outros.

Com José Sócrates sob fogo cerrado, há, é verdade, socialistas a lembrar a existência de Isaltinos ou de Relvas, mais os submarinos e os bêpêénes. João Miguel Tavares, no entanto, desvaloriza isso, colocando Sócrates num patamar superior a todos os corruptos de direita, garantindo que “aquilo que Sócrates procurou fazer nunca ninguém tentou antes: uma colonização feroz e autoritária de todos os ramos do poder – político, económico, financeiro, judicial e mediático.”
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Carta aberta à Doutora Fernanda Câncio

Da porteira. “A gente todos devíamos de ter vergonha de, nestes anos todos, ainda não nos termos conseguido livrar do joio para ficarmos só com o trigo, mal comparado.”

Fernanda Câncio sobre Sócrates

Só sabe que nada sabia. Ou para mau entendedor nem dez anos chegam.

Onde estavas tu, passista, quando o teu herói elogiou Dias Loureiro?

Uma turba passista encheu as redes sociais de indignação, por haver uns quantos socialistas a lamentar a saída de Sócrates do PS, socialistas esses que até elogiaram a governação do ex-recluso. Onde é que já se viu tamanha falta de respeito pelos portugueses?

Importa, contudo, saber onde estava esta malta quando Pedro Passos Coelho cumprimentou Dias Loureiro “de forma muito amiga e especial”, durante uma inauguração em Aguiar da Beira, a que se seguiu uma sequência de elogios do então primeiro-ministro a um dos dois grandes responsáveis por uma das maiores fraudes bancárias da história de Portugal, que custou aos contribuintes alguns milhares de milhões de euros. Estariam ocupados a empreender? Estariam a manipular o Fórum da TSF ou a parir perfis falsos no Facebook? Estariam a observar desde o centro de operações liberal-fascista? Estariam no Panamá a contar notas desviadas através de matrioskas de paraísos fiscais? Estariam a visitar a campa de Salazar? Estariam numa acção de formação sobre como escapar ao pagamento da Segurança Social, ministrada pela Tecnoforma?.

Ninguém sabe.

Sócrates e o financiamento do PS

Agora que a direção do PS está finalmente a demarcar-se das práticas de José Sócrates, avancemos para a questão seguinte que interessa ao PS:

Sócrates financiou ou não financiou o partido e/ou respetivas campanhas com os milhões que circulavam através das contas de Carlos Santos Silva?

Por exemplo, os eventos glamour das campanhas de Sócrates que atraíram tanta gente genuinamente bem intencionada (inclusivamente alguns que agora legitimamente condenam Sócrates), foram ou não financiados pelo esquema de Sócrates e Carlos Santos Silva? As respostas a estas perguntas são seguramente conhecidas ao mais alto nível do PS. E convém que sejam esclarecidas ou, mais tarde ou mais cedo, poderão cair que nem um trovão em cima do PS. É muito estranho que os problemas financeiros do PS pareçam estar correlacionados com a agenda da Operação Marquês. O que parece – sublinho parece – é que a partir da detenção de Sócrates uma torneira deixou de verter dinheiro no PS e de um momento para o outro descobrimos que o PS tinha problemas financeiros graves. Haverá uma correlação entre o caso Sócrates e os problemas financeiros do PS ou será pura coincidência?

Manuel Pinho: a minha humilde homenagem a um trabalhador singular

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No dia em que se celebra o Trabalhador, poucos portugueses serão tão dignos de homenagem como Manuel Pinho. O homem, o académico, o político independente, que se entregou de corpo e alma às funções ministeriais para as quais foi chamado, que desempenhou com mérito e distinção.

Porém, o ex-ministro foi mais do que um político excepcional. Durante o seu mandato, conta-nos a revista Visão, Manuel Pinho não se rendeu ao ócio ou à preguiça, nem nos raros momentos que lhe restavam, depois de toda a azáfama governativa e das coisas do dia-a-dia de um homem normal. Não. Nos tempos mortos, tão mortos que quase não se encontrava registo deles, Manuel Pinho trabalhava para ajudar a desenvolver e a elevar a banca portuguesa. Ministro durante o dia, consultor do BES nas horas vagas. Pela módica pechincha de 14 mil e tal euros mensais. O Ronaldo faz isso em duas horas. E o Capelo Rego está ali no canto a rir-se. [Read more…]