RES – Rede de Expressos Sócraticos

Fotografia: António Carrapato/Lusa

As inscrições para a excursão de hoje estão fechadas, mas em breve haverá nova oportunidade para prestar tributo ao homem mais honesto da história deste país. Por um Portugal com mais Magalhães, mais Carlos Santos Silvas, mais divida pública, mais cursos tirados ao Domingo, mais inglês técnico, mais robalos, mais freeports em Alcochete e mais jogging na Praça Vermelha. Contra as tramoias criadas pela direita!

Porreiro, pá!

José Sócrates, essa vítima do sistema

via Expresso

Não, senhor ex-primeiro-ministro. O que está em casa neste momento não é a “fundada suspeita que este processo foi viciado, corrompido desde o seu início“. O que está em causa são acusações de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal que pendem sobre si. São fundadas suspeitas de recebimento de luvas no valor de 34 milhões de euros, relacionadas com negócios que ajudaram a destruir a PT e a favorecer o Grupo Lena, e de mais uns quantos milhões, que circularam entre bancos suíços e paraísos fiscais. E tudo isto enquanto ocupava um dos mais importantes cargos da nação. Não insista em fazer dos portugueses parvos, senhor ex-primeiro-ministro. Já chega o estado em que deixou o país.

Quick Summer Quiz

Quem era o Primeiro-ministro de Portugal quando a televisão pública portuguesa emitiu um documentário com o título “Loose Change”?

Sabes que cheira (ainda mais) a esturro

quando José Sócrates sai em defesa de Manuel Pinho. Birds of a feather…

Sciences Po

“Não é possível pagar a dívida”, diz quem sabe:

José Sócrates e os sadomasoquistas sociais

Imagem via DN

São situações como esta que me fazem perder a esperança na humanidade. Depois de ontem ser confrontado com o semblante sorridente do ex-recluso Isaltino Morais, todo emproado na tribuna de honra do Estádio do Jamor, como se de um indivíduo impoluto se tratasse, hoje dei de frente com esta estupenda manifestação de sadomasoquismo social: José Sócrates, o ex-primeiro-ministro que mentiu descaradamente ao país, e que, segundo a investigação em curso, terá sido corrompido por Ricardo Salgado, entre tantas outras tropelias, foi ovacionado num almoço de apoio. Mas ovacionado por quem? Por cidadãos amnésicos? Por figurantes pagos para ovacionar? Pelos mesmos tipos que compraram os livros que Sócrates não escreveu? Por funcionários do Grupo Lena? Por homo habilis de pau na mão? Aparentemente, a ovação partiu de elementos do movimento cívico “José Sócrates, sempre”. Como? “José Sócrates, sempre”? A sério que essa merda existe mesmo? Já não chegava o episódio de Alcochete para envergonhar o país?

O roto, o nu e o bloco central

Fotografia via TVI24

No debate quinzenal da passada semana na Assembleia da República, Fernando Negrão questionou o governo e o grupo parlamentar do PS sobre o porquê de demorar três anos a demarcar-se de José Sócrates. É uma pergunta legítima, ainda que pouco ou nada contribua para o trabalho parlamentar, mas é, acima de tudo, a expressão máxima daquela mania dos políticos chicos-espertos que nos tomam a todos por parvos. O velho hábito do roto apontar o dedo ao nu. O bloco central em todo o seu esplendor.

É evidente que o assunto é incómodo para o PS. E é altamente provável que exista quem, no executivo Costa, tenha feito umas marotices com o enfant terrible do PS que fez escola na JSD. Mas já que estamos nisto, seria interessante perceber quanto tempo mais irá o PSD demorar a demarcar-se do Dias Loureiro. É que, não só nunca se demarcou, como não tenho memória de qualquer dirigente do PSD manifestar embaraço por essa grande figura da hecatombe financeira que foi o antigo ministro de Cavaco. [Read more…]

A ingenuidade de João Miguel Tavares

É verdade que há uma tendência tribal para devolvermos ao outro lado as acusações, uma espécie de “quem diz é quem é” muito infantil. Isso nota-se nas discussões sobre futebol, quando criticamos o caceteiro adversário sempre que dizem mal do nosso caceteiro. Confirma-se na política, quando a alusão à imoralidade de uns despoleta referência à falta de ética dos outros.

Com José Sócrates sob fogo cerrado, há, é verdade, socialistas a lembrar a existência de Isaltinos ou de Relvas, mais os submarinos e os bêpêénes. João Miguel Tavares, no entanto, desvaloriza isso, colocando Sócrates num patamar superior a todos os corruptos de direita, garantindo que “aquilo que Sócrates procurou fazer nunca ninguém tentou antes: uma colonização feroz e autoritária de todos os ramos do poder – político, económico, financeiro, judicial e mediático.”
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Carta aberta à Doutora Fernanda Câncio

Da porteira. “A gente todos devíamos de ter vergonha de, nestes anos todos, ainda não nos termos conseguido livrar do joio para ficarmos só com o trigo, mal comparado.”

Fernanda Câncio sobre Sócrates

Só sabe que nada sabia. Ou para mau entendedor nem dez anos chegam.

Onde estavas tu, passista, quando o teu herói elogiou Dias Loureiro?

Uma turba passista encheu as redes sociais de indignação, por haver uns quantos socialistas a lamentar a saída de Sócrates do PS, socialistas esses que até elogiaram a governação do ex-recluso. Onde é que já se viu tamanha falta de respeito pelos portugueses?

Importa, contudo, saber onde estava esta malta quando Pedro Passos Coelho cumprimentou Dias Loureiro “de forma muito amiga e especial”, durante uma inauguração em Aguiar da Beira, a que se seguiu uma sequência de elogios do então primeiro-ministro a um dos dois grandes responsáveis por uma das maiores fraudes bancárias da história de Portugal, que custou aos contribuintes alguns milhares de milhões de euros. Estariam ocupados a empreender? Estariam a manipular o Fórum da TSF ou a parir perfis falsos no Facebook? Estariam a observar desde o centro de operações liberal-fascista? Estariam no Panamá a contar notas desviadas através de matrioskas de paraísos fiscais? Estariam a visitar a campa de Salazar? Estariam numa acção de formação sobre como escapar ao pagamento da Segurança Social, ministrada pela Tecnoforma?.

Ninguém sabe.

Les Uns et les Autres

A Direcção Nacional do Partido Socialista coloca em prática a estratégia política que muito bem entende, mandatada e legitimada que está, para o fazer, pelos órgãos próprios do partido. Pode, além disso, mudar de estratégia, tal como ficou bem visível na sequência das recentes declarações públicas de altos responsáveis do PS que, directa ou indirectamente, se referiam a um ex-Secretário-Geral do partido e ex-Primeiro-Ministro de Portugal, declarações essas que levaram o visado, o Engenheiro José Sócrates, a anunciar a sua desfiliação do Partido Socialista.

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Sócrates e o financiamento do PS

Agora que a direção do PS está finalmente a demarcar-se das práticas de José Sócrates, avancemos para a questão seguinte que interessa ao PS:

Sócrates financiou ou não financiou o partido e/ou respetivas campanhas com os milhões que circulavam através das contas de Carlos Santos Silva?

Por exemplo, os eventos glamour das campanhas de Sócrates que atraíram tanta gente genuinamente bem intencionada (inclusivamente alguns que agora legitimamente condenam Sócrates), foram ou não financiados pelo esquema de Sócrates e Carlos Santos Silva? As respostas a estas perguntas são seguramente conhecidas ao mais alto nível do PS. E convém que sejam esclarecidas ou, mais tarde ou mais cedo, poderão cair que nem um trovão em cima do PS. É muito estranho que os problemas financeiros do PS pareçam estar correlacionados com a agenda da Operação Marquês. O que parece – sublinho parece – é que a partir da detenção de Sócrates uma torneira deixou de verter dinheiro no PS e de um momento para o outro descobrimos que o PS tinha problemas financeiros graves. Haverá uma correlação entre o caso Sócrates e os problemas financeiros do PS ou será pura coincidência?

Manuel Pinho: a minha humilde homenagem a um trabalhador singular

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No dia em que se celebra o Trabalhador, poucos portugueses serão tão dignos de homenagem como Manuel Pinho. O homem, o académico, o político independente, que se entregou de corpo e alma às funções ministeriais para as quais foi chamado, que desempenhou com mérito e distinção.

Porém, o ex-ministro foi mais do que um político excepcional. Durante o seu mandato, conta-nos a revista Visão, Manuel Pinho não se rendeu ao ócio ou à preguiça, nem nos raros momentos que lhe restavam, depois de toda a azáfama governativa e das coisas do dia-a-dia de um homem normal. Não. Nos tempos mortos, tão mortos que quase não se encontrava registo deles, Manuel Pinho trabalhava para ajudar a desenvolver e a elevar a banca portuguesa. Ministro durante o dia, consultor do BES nas horas vagas. Pela módica pechincha de 14 mil e tal euros mensais. O Ronaldo faz isso em duas horas. E o Capelo Rego está ali no canto a rir-se. [Read more…]

A Operação Marquês segundo a SIC

Nos últimos dias a SIC emitiu uma série de reportagens sobre a Operação Marquês. Ficam aqui, para vossa conveniência, essas reportagens:

2018-04-16 – Arguidos da Operação Marquês têm até 3 de setembro para pedir abertura da instrução

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Sócrates e Relvas reeditados em Madrid

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Fotografia@El Boletin

Sócrates fez cadeiras ao Domingo, Relvas teve equivalências a várias cadeiras da Universidade da Vida, muito popular no Facebook, e Cristina Cifuentes, líder do governo regional de Madrid, obteve um mestrado com notas falsificadas, avança o El Diario, citado pelo Expresso.

A investigação do jornal espanhol revela que a classificação do trabalho final do mestrado, “Não apresentado”, foi alterada para “Muito bom”, dois anos após a conclusão dos estudos da conservadora, e acrescenta que Cifuentes raramente ia às aulas e terá feito exames em datas diferentes dos demais alunos.  [Read more…]

Quando convidam a bactéria para falar sobre a doença

As questões judiciais relativas a José Sócrates serão resolvidas pelos tribunais. Os actos reprováveis que possa ter cometido ficam com a sua consciência. O Núcleo de Estudantes da  Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra é livre de convidar quem muito bem entender e, apesar de tudo, faz mais sentido que um antigo primeiro-ministro dê uma palestra do que partir do princípio de que o desempenho desse mesmo cargo habilita qualquer um a ser professor.

Por mim, já ouvi José Sócrates vezes suficientes para saber que é desonesto, indefensável e que tem uma voz desagradável, mas sobretudo que faz parte de um conjunto de políticos europeus que, subordinados a interesses privados, têm contribuído para a ruína de uma Europa que deveria perseguir políticas sociais e económicas amigas dos cidadãos. Convidar José Sócrates para falar sobre o projecto europeu é, portanto, o mesmo que dar a palavra a um dos agentes das doenças que andam a corroer esse mesmo projecto há anos, o que, no fundo, faz sentido: quem não gostaria de ouvir o que o bacilo de Koch teria a dizer sobre a tuberculose?

De qualquer modo, reconheça-se coerência ao Núcleo de Estudantes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra ao dar voz a quem defende ou pratica ideias que atentam contra o projecto europeu: Sócrates é o quinto orador neste ciclo de conferências, depois de Passos Coelho, Teodora Cardoso, Marques Mendes e Jorge Coelho.

Apologia de Sócrates

O cargo – pesemos bem as palavras – de Primeiro Ministro de Portugal, tem uma dignidade própria, dignidade essa que não está dependente das características pessoais do cidadão que o ocupa ou ocupou, nem da maior ou menor simpatia que suscite a forma como o exerceu. É uma dignidade inerente à função e à suprema Honra de servir Portugal.

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Panama Papers: à terceira será de vez, Expresso?

Em menos de uma semana, os famosos papéis do Panamá regressaram ao Expresso. Estranhamente, ainda não foi desta que a igualmente famosa lista de jornalistas avençados pelo saco-azul do GES deu à costa. Ontem foi a vez de José Sócrates, o homem que está em todas, cujo nome, avança o Expresso, foi incluído no relatório da Comissão de Inquérito do Parlamento Europeu sobre os Panama Papers. De estranhar seria se não fosse, ou não tivessem sido eles, os papéis, o momento Eureka da Operação Marquês. [Read more…]

José Sócrates e o despacho de acusação do Ministério Público: fraudes e fiascos

We’ll try to stay blind
— Duran Duran “Come Undone

Thomas: Excuse [ˈskjuːz] me, you don’t know who I am.
Johanna: Yes, I do.
Thomas: Do you?
Johanna: You’re the boy who follows me. You’re also Ethan’s son.

— The Only Living Boy in New York

***

Foto: Carlos Manuel Martins/Global Imagens (http://bit.ly/2kOGAC4)

Não sei se o advogado João Araújo já teve tempo para ler as mais de 4000 páginas da acusação deduzida pelo Ministério Público, no âmbito da Operação Marquês. Marques Mendes não teve. Quando João Araújo tiver tempo, pode recorrer às directrizes que aqui exponho — infelizmente, só me chegou às mãos o documento facultado pelo CM —, com um apanhado aparentemente semelhante ao do recente exercício orçamental, mas efectivamente diferente:  [Read more…]

Sócrates inspirou-se em Sarkozy

 

A resposta de José Sócrates sobre a sua fonte de rendimentos atual, é obviamente inspirada na resposta de Sarkozy ao jornalista Pujadas da France 2 aquando do debate das primárias da direita francesa. Sócrates assistiu ao debate e replicou-a. Ambos, em vez de clarificar os espetadores, decidem atacar o jornalista. Ambos se apoiam na suposta “indignidade” da pergunta para disferir o ataque. O que é dramático nisto tudo é que a fonte de inspiração não poderia ser mais infeliz. Tal como Sócrates, Sarkozy está envolvido num processo cuja narrativa de inocência é tão credível como um conto do Peter Pan.

Para lá da operação marquês

José Sócrates poderá estar apostado em transformar a operação marquês num processo político, levando para o julgamento a sua acção governativa, acreditando que a dificuldade que existe em provar casos de corrupção em Tribunal, resultará a seu favor. Sabemos dos prazos da Justiça portuguesa, da complexidade deste processo, pelo que dificilmente existirá uma decisão em primeira instância antes de 2020. Nessa altura previsivelmente António Costa continuará Primeiro-Ministro e até poderá obter uma maioria absoluta. Obviamente que existe em Portugal separação de poderes, e tal facto é por si suficiente para descredibilizar hoje a tese do julgamento político, quanto mais colocados perante um cenário em que o seu antigo número dois chefia o governo há vários anos. Mas claro está que o pior cego sempre foi o que não quer ver e crédulos por aí não faltam… [Read more…]

O Marquês

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Há quem se impressione com o número de crimes imputáveis a José Sócrates pelo Ministério Público mas, depois de assistir a esta entrevista, onde se terão enumerado os pontos fundamentais da acusação, apenas consegui adensar as minhas dúvidas sobre a sobrevivência deste processo judiciário com tão pouco de judicioso. Não sendo a televisão um tribunal, muito embora tenha funcionado, nestes 3 anos de preliminares, como palco para um julgamento que já terá sido efectuado pelo público – ninguém quer acreditar que Sócrates não meteu dinheiro ao bolso -, o certo é que a representação do MP feita pelo jornalista de serviço apenas permitiu que o actor principal tenha dado um passo seguro para reconquistar o seu direito à presunção de inocência junto da opinião pública. Não se esperava que Vítor Gonçalves, que luta contra o estigma das suas supostas simpatias políticas, aguentasse o embate com este ex-primeiro-ministro, e nem mesmo que dominasse as 4.000 páginas da acusação (que trouxe ao ecrã para dar substância e clamor ao libelo, supõe-se…), como naturalmente o demonstrou fazer José Sócrates. Mas este espectáculo, a que mais uma vez assistimos neste campo, teve como único resultado a severa goleada de Sócrates ao Ministério Público.

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Uma escuta aqui, uma escuta ali

Remixed by Bandex, via Bandex TV

Caso Marquês e Ricardo Salgado: duas perguntas que todos os portugueses deviam querer ver respondidas

O Ministério Público acusa Ricardo Salgado de ter corrompido José Sócrates, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, entre outros, com valores que ascendem a várias dezenas de milhões de euros. Perante a ponta deste icebergue, existem, a meu ver, duas perguntas que todos os portugueses deviam querer ver respondidas:

1. Quantos políticos e gestores, públicos e privados, corrompeu Ricardo Salgado?

2. Quantos Ricardos Salgados existem neste país?

O mais certo é nunca as vermos respondidas. Mas a minha intuição diz-me que esta e outras histórias não se resumem a Sócrates, Bava e Granadeiro. E que a probabilidade de existirem mais uns quantos Salgados é elevada. Que me perdoe a presunção de inocência, mas já são algumas décadas a ser roubado à cara podre.

31 acusações

Três de corrupção passiva de titular de cargo público, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três e fraude fiscal agravada. É este o rol de potenciais crimes com os quais José Sócrates será confrontado no tribunal de primeira instância que julgará o caso Marquês. Será um processo longo e complexo, que conta com 27 outros acusados, e que poderá arrastar-se ainda vários meses, anos até, durante a fase de instrução que antecede o julgamento. Se este vier a acontecer (sim, essa possibilidade existe!). [Read more…]

Os dinossauros estão de volta

Isaltino Morais, Avelino Ferreira Torres, Narciso Miranda e agora o eterno Major Valentim, entre outros, que julgávamos extintos. Temos os políticos que merecemos, não é mesmo?

Já só fica a faltar o anúncio de José Sócrates a Belém-2020. Num Conselho de Estado com o Carlos Santos Silva e Armando Vara, não vão faltar bons robalos e filosofia política de qualidade.

Foto: Bruno Simões Csatanheira/Global Images@JN

Eu leigo me confesso, como a Justiça me confunde…

[Rui Naldinho]

Os advogados a quem cabe a tarefa de defender os seus constituintes nos inúmeros processos que decorrem nos tribunais portugueses são muitas vezes acusados, e bem, pelos Órgãos de Justiça, em especial pelos Juízes que nos Tribunais vão julgando esses processos, de utilizarem com frequência expedientes dilatórios, cujo único fim é atrasar o julgamento no tempo, para que a decisão final do mesmo, com ou sem condenação, o seguro morreu de velho, recaia já fora de tempo.

Como analfabeto nestas matérias do Direito, eu fui ler o que significava o termo jurídico, expediente dilatório.

Expressão jurídica que se traduz na utilização do expediente (despachos, petições, requerimentos, ofícios) desonestamente usado pela parte, sem intuito sério ou construtivo, sem cabimento processual, que visa apenas torpedear e retardar o prosseguimento da acção, entorpecer a sua normal tramitação e a realização da justiça.

Olhando para a forma como o Ministério Público tem conduzido todo este Processo da Operação Marquês, desde a fase de investigação à fase de instrução, com sucessivos pedidos de prorrogação de prazos, largamente ultrapassados, para a conclusão do mesmo, sem que haja uma acusação formal dos arguidos, ou o arquivamento do processo se for caso disso, falta muito pouco para os quatro anos, fico com a sensação de que estou a ver o filme ao contrário. Ou seja, quem parece estar a criar expedientes dilatórios é o Ministério Público, que não encontra maneira de acusar Sócrates, Salgado, Vara e tantos outros, com provas sólidas. Posso até estar errado. Mas sou livre de pensar desta forma, perante aquilo que vejo. [Read more…]

A entrevista de José Sócrates à TVI

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O ex-Primeiro Ministro José Sócrates deu uma entrevista à TVI da qual é legítimo destacar dois momentos. O primeiro, que a comunicação social não deixou passar despercebido, foi quando José Sócrates parece ter insinuado que a investigação de que é alvo, e que já provocou, entre outras coisas, a sua prisão, está, de algum modo, relacionada com o ex-Presidente da República, Aníbal C. Silva. Uma leitura mais livre, e necessariamente mais subjectiva e sujeita a erro, das suas declarações, pode levar a concluir que o ex-Primeiro Ministro considera, intimamente, que o ex-Presidente da República de algum modo promoveu ou patrocinou as acusações, não formalizadas, que recaem sobre si. O argumento, sendo conspirativo, é totalmente plausível.

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Os jornalistas e a conferência de imprensa de José Sócrates

José António Cerejo

Haverá algum jornalista que não ache que os jornalistas decentes deviam ter abandonado a conferência de imprensa de Sócrates, depois de este se ter recusado a responder a perguntas de um órgão de comunicação social? Ou são só os jornalistas que não abandonaram uma conferência de imprensa de Trump perante uma situação semelhante que são indecentes?
Para mim, os que ficaram nos seus lugares, em Lisboa e em Washington, são iguais: indecentes!