União das Juventudes Populares Soviéticas

UJPS.jpg

Fotografia via Sergei Ilnitsky Photography

Quando era pequeno, ouvia muitas vezes os mais velhos dizer que “se isto fosse governado pelos comunistas, estávamos tramados e íamos andar todos vestidos de igual”. A ideia de andarmos todos de uniforme era, e continua a ser, algo que me horroriza. E eu detesto andar de sapatos.

Anos mais tarde, dou por mim a presenciar o inesperado: uma juventude partidária de direita, que usa o argumento da irreverência da juventude, e mais uns quantos bla bla blás, para impor um dress code num congresso partidário. Imagino o alarido que seria se fosse a JCP a impor um uniforme aos seus militantes. Era o drama soviético all over again.

O bizarro e anedótico argumento do dress code

Marco Silva

Imagem@Expresso

De todos os momentos bizarros e anedóticos que a história do futebol português nos vem contando há vários anos, da penhora do WC do antigo estádio das Antas até à dupla venda do antigo guarda-redes do Benfica Roberto, um dos argumentos da direcção da SAD do Sporting para despedir por justa causa o treinador Marco Silva entra directamente para o top 3 do absoluto ridículo. Segundo tem vindo a ser veiculado pela comunicação social e confirmado pela direcção da SAD , um dos motivos que levou ao despedimento do treinador que conquistou este ano a Taça de Portugal, após 7 anos de jejum no que a títulos diz respeito, foi o facto de não ter envergado o fato oficial do Sporting no jogo das meias finais da competição contra o Vizela. Num acto de tremenda rebeldia, Marco Silva deixou o blazer e a calça vincada em casa e optou pelo fato-de-treino do clube. Fogo do Inferno para ele.

Teria sido mais digno, principalmente depois das notícias que confirmavam a transferência de Jorge Jesus para Alvalade, optar por um discurso honesto através do qual o presidente Bruno de Carvalho assumisse que a mudança de treinador era uma decisão estratégica sua, para a qual tem total legitimidade enquanto presidente da instituição, do que entrar nesta telenovela absolutamente patética do dress code. Depois da vitória histórica que foi “roubar” o treinador do Benfica, que sai do clube campeão para um Sporting hoje mais próximo do Sporting de Braga do que do grupo dos três grandes que actualmente são apenas dois, Bruno de Carvalho poderia ter dado uma saída limpa a Marco Silva e poupar-se a mais esta polémica que apenas contribuiu para criar instabilidade no clube que lidera. Tudo seria mais simples se o presidente do Sporting tivesse a coragem de dar a cara pela sua decisão. Assumia-a e ponto. Qualquer sócio que pretendesse contestar a decisão teria um bom remédio: ir à próxima assembleia-geral do clube e confrontá-lo com a decisão. Acima de tudo porque qualquer ignorante percebe que o único motivo por trás do despedimento de Marco Silva é à contratação de Jorge Jesus. O resto é palha mediática.