Um exemplo de infantilidade adulta

Mesmo não sendo seguidor da bola, não me têm passado despercebidas algumas reacções de Bruno Carvalho, tais como aquela encenação sobre estar a mandar fumo pelo nariz, a explicação do terceiro olho e, agora, a relação com a sua principal equipa de futebol e a suspensão do seu plantel (que termo futebolístico de fina ironia).

Nos dois primeiros exemplos, estamos perante alguém que fez e disse coisas que a seguir negou com explicações infantis. No presente assunto que enche os “noticiários” (e agora, o Aventar também), Carvalho confirma o seu lado inseguro, de quem não sabe receber uma crítica. Algo que já sabíamos graças, por exemplo, ao ultimato eleitoral que lançou numa das recentes assembleias de sócios.

Dizem que há uma criança dentro de cada adulto. No caso de Bruno Carvalho, há a criancice que alberga um adulto dentro de si. A forma de lidar com a derrota da sua equipa e, depois, a reacção alienada como enfrentou as críticas, denota a enorme infantilidade que marca a sua personagem, sendo, ainda, um claro exemplo do que não se fazer em termos gestão de um grupo. Basta ler a literatura de referência sobre liderança e motivação. Mas, possivelmente, é aí, na leitura, que reside o problema.

Bilhete do Canadá – Pois

A história, velhíssima, foi assim: um soldador, empoleirado num andaime, soldava uma janela de alumínio. Vários metros abaixo, o seu ajudante olhava para cima, de nariz no ar. De repente, um pingo de solda caíu-lhe num olho e as dores violentas abiram-lhe a boca em todas as injúrias que cabem na língua portuguesa. Estomagado, o soldador processou o ajudante, sob a acusação de lhe ter chamado os nomes mais obscenos. Quando foi presente a tribunal, o soldador ouviu o juiz acusá-lo de ter chamado ao seu patrão os palavrões mais escabrosos. O ajudante explicou com grande aprumo: Palavrões? Eu? Nunca, senhor doutor juiz. Quando o pingo de solda me entrou no olho, eu só disse oh Manel toma cuidado.

Foi mais ou menos isto que eu percebi da briga entre os presidentes do Arouca e do Sporting, ao ouvir o adido de imprensa dos leões: O presidente do Sporting não chamou nome nenhum nem empurrou o responsável do Arouca. Este é que estava a brigar e Bruno de Carvalho só lhe perguntou o que se passava. Nuno Saraiva disse isto com as bochechas como um pudim flan. Está visto que não nasceu para estas baldrocas.

O bizarro e anedótico argumento do dress code

Marco Silva

Imagem@Expresso

De todos os momentos bizarros e anedóticos que a história do futebol português nos vem contando há vários anos, da penhora do WC do antigo estádio das Antas até à dupla venda do antigo guarda-redes do Benfica Roberto, um dos argumentos da direcção da SAD do Sporting para despedir por justa causa o treinador Marco Silva entra directamente para o top 3 do absoluto ridículo. Segundo tem vindo a ser veiculado pela comunicação social e confirmado pela direcção da SAD , um dos motivos que levou ao despedimento do treinador que conquistou este ano a Taça de Portugal, após 7 anos de jejum no que a títulos diz respeito, foi o facto de não ter envergado o fato oficial do Sporting no jogo das meias finais da competição contra o Vizela. Num acto de tremenda rebeldia, Marco Silva deixou o blazer e a calça vincada em casa e optou pelo fato-de-treino do clube. Fogo do Inferno para ele.

Teria sido mais digno, principalmente depois das notícias que confirmavam a transferência de Jorge Jesus para Alvalade, optar por um discurso honesto através do qual o presidente Bruno de Carvalho assumisse que a mudança de treinador era uma decisão estratégica sua, para a qual tem total legitimidade enquanto presidente da instituição, do que entrar nesta telenovela absolutamente patética do dress code. Depois da vitória histórica que foi “roubar” o treinador do Benfica, que sai do clube campeão para um Sporting hoje mais próximo do Sporting de Braga do que do grupo dos três grandes que actualmente são apenas dois, Bruno de Carvalho poderia ter dado uma saída limpa a Marco Silva e poupar-se a mais esta polémica que apenas contribuiu para criar instabilidade no clube que lidera. Tudo seria mais simples se o presidente do Sporting tivesse a coragem de dar a cara pela sua decisão. Assumia-a e ponto. Qualquer sócio que pretendesse contestar a decisão teria um bom remédio: ir à próxima assembleia-geral do clube e confrontá-lo com a decisão. Acima de tudo porque qualquer ignorante percebe que o único motivo por trás do despedimento de Marco Silva é à contratação de Jorge Jesus. O resto é palha mediática.