Barroso veio votar de jacto alugado?

As eleições “mais importantes” desde o 25 de Abril

Título do DN

O DN mas também o jornal “i” referem que Durão Barroso, no local do voto, a Escola Marquês de Pombal em Lisboa, terá  afirmado que se tratam das eleições “mais importantes” desde o 25 de Abril.

Se Barroso o diz, é porque é certo. Teve um percurso politicamente sábio desde o 25 de Abril. De feroz militante do MRPP transferiu-se para o PSD, pela mão do fidelíssimo amigo Santana. Frequentou, com altas classificações, a escola governamental cavaquista e mais tarde, em 2004, secundou o rosa António Guterres na fuga de primeiros-ministros para o estrangeiro.

Pelo facto de ter sido revelado que Barroso e comissários gastam fortunas à CE em jactos privados e outras mordomias, assaltou-me uma curiosidade: Barroso terá vindo votar de jacto alugado? Como ninguém me esclarece,  eu próprio deduzo uma resposta: “Para um Zé Manel que viajava entre a Cova da Piedade e Lisboa de ‘autocarro’ e ‘cacilheiro’, é bem possível que agora não dispense o jacto particular”.

Seja jacto privado ou de carreira, quem paga sei eu: os contribuintes europeus, pois claro. É engenhoso o Barroso.

Barroso, Comissários & Cia., vida faustosa em tempo de crise

Os jornais portugueses concentram-se na sórdida campanha eleitoral. Títulos sensacionalistas, ausência de imparcialidade e excessiva atenção aos atritos entre Sócrates, Coelho e Portas, o trio nacional que ratificou, perante a troika externa, a condenação dos portugueses à pobreza, uns, e à miséria, outros.

Do conteúdo do programa da troika ‘FMI-BCE-CE’, a divulgação e análise não constituem informação relevante. A nossa comunicação social confina-se ao sujo, ao mesquinho e ao colateral; em certas ocasiões, aquece o debate no ‘arco do poder’ com a intriga – ontem a SIC anunciava indevidamente haver uma 3.ª versão do acordo entre o governo e a troika; o ‘Público’, na edição online, navegou na mesma onda, mas, entretanto, retirou a notícia de circulação.

Em suma, tal como a campanha, a imprensa portuguesa tem-se revelado sórdida e desprezível para quem precisa de ser esclarecido da vida que nos espera de 6 de Junho em diante. O desapontamento levou-me a um périplo por jornais estrangeiros. Eis que, de súbito, embato de frente nesta notícia no ‘Guardian’.

É verdade, da mixórdia eleitoral portuguesa salto para o desaforo de gastos do nosso compatriota Barroso e sua equipa de comissários. Em cinco anos, gastaram 7,5 milhões de Euros, apenas no aluguer de jactos privados. O ‘Guardian’ refere outros despesismos e, embora a tradução sofra das imperfeições normais com o automatismo do Google, é possível apercebermo-nos da faustosa e dispendiosa a vida de Barroso, Comissários & Cia., ou seja, das gentes da Comissão Europeia.

Saber que os luxos são pagos por milhões de contribuintes europeus, alguns dos quais alvos de vidas sacrificadas, e deparar-me com a notícia de tal afronta é revoltante. Há dias em que um homem nem pode entrar na Internet para ler um jornal sequer. Mesmo estrangeiro. DASSE!

Canção pós-eleitoral de 5 de Junho de 2011 (hipótese)

Tive uma semana difícil. Do tempo preenchido com compromissos profissionais, sobrou muito pouco. Agora, findas as jornadas, tive a oportunidade de ler meia dúzia de notícias. Mas uma, esta, causou-me especial surpresa, ao revelar sondagens que atribuem a probabilidade de empate técnico entre PS e PSD – na sondagem da Universidade Católica, os socialistas superam com 36% os 34% do PSD.

Sondagens são sondagens. Valem o que valem, argumentam os políticos. No entanto, parece-me efectivamente possível que na noite eleitoral, conhecidos os resultados, haja alguém que não tenha ficado prevenido com o aviso: “Eu falei que isso ia dar merda”.

(“Isso” é, entre o mais, colocar Eduardo Catroga a comunicar desastradamente; ou impercetivelmente, como definiu Alberto João Jardim).

Um brasileiro diria: “Não diga que eu não falei”. Eu, português, afirmo: “Não diga que eu não avisei”. A finalidade da mensagem é igual. Tome-a a sério quem quiser.