Ah, ça ira…(?)

O homem é escandalosamente rasca. Ordinário a fazer justiça ao péssimo porte, língua viperina para a graçola de beco de doca e um espectacular baú de sempre esperadas vulgaridades, este perfeito bon à rien foi um poço de promessas e de todos os arrivismos, tudo fazendo para chegar a este resultado. Vencido à tangente por um molusco, tem a Sra. Le Pen a morder-lhe as canelas. Quanto ao resto, já se confirma aquilo que todos desconfiávamos: o fulano que tanto podia ser candidato pela extrema-direita como pela extrema-esquerda, a coqueluche do luso Bloco, ficou perto daquele residualismo que pouco conta, apenas sobressaindo entre outras ninharias presentes no cortejo.

O que a França tem visto nestes últimos 40 anos, roça a risota em pleno teatro do guignol: o Giscard dos negócios vergonhosos e do petit commerce africain, o Mitterrand das escutas, silenciamento de opositores, mortes misteriosas e semeador de sedíciais, o Chirac semi-presidiário militante e agora isto que ainda está e aquilo que talvez venha, são  um panorama desolador. Ao pé disto e , por incrível que vos possa parecer, quase tudo o que temos visto em Belém, mais se assemelha a uma plêiade de arquiduques da Casa de Áustria, príncipes florentinos e grãos-duques do Sacro Império, Cavaco Silva incluído.

A ideia de um país que teve Luís IX, Henrique IV, Luís XIV, os dois Bonapartes e até De Gaulle como Chefes do Estado, ver-se reduzido a uma vitrina do bordel cor de rosa da dupla Sarkozy-Bruni, é sintomático. Enfim, c’est ça, la république.

Como Se Fora Um Conto – Ano Novo, Vida Nova?

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Como seria bom que o novo ano de 2011 nos trouxesse realmente uma vida nova.

As crises que travessamos, a internacional e a interna, podem e devem ser aproveitadas para mudarmos a nossa maneira de ver as coisas, o nosso entendimento da política e dos políticos, o nosso olhar para o estado de Portugal.

A crise interna, que para além de económica é acima de tudo de valores, pode ser mais facilmente ultrapassada com mais e melhor educação, com mais e melhor ensino, com mais e melhor cultura, e também com mais e melhor democracia.

O nosso país não cresce há mais de dez anos, todos os números são maus, todos os indicadores estão no fundo da Europa, excepto claro, os que o governo lê ou quer ler, e nos impinge quase diariamente, numa lavagem cerebral digna do melhor vendedor da banha da cobra. [Read more…]