Ah, ça ira…(?)

O homem é escandalosamente rasca. Ordinário a fazer justiça ao péssimo porte, língua viperina para a graçola de beco de doca e um espectacular baú de sempre esperadas vulgaridades, este perfeito bon à rien foi um poço de promessas e de todos os arrivismos, tudo fazendo para chegar a este resultado. Vencido à tangente por um molusco, tem a Sra. Le Pen a morder-lhe as canelas. Quanto ao resto, já se confirma aquilo que todos desconfiávamos: o fulano que tanto podia ser candidato pela extrema-direita como pela extrema-esquerda, a coqueluche do luso Bloco, ficou perto daquele residualismo que pouco conta, apenas sobressaindo entre outras ninharias presentes no cortejo.

O que a França tem visto nestes últimos 40 anos, roça a risota em pleno teatro do guignol: o Giscard dos negócios vergonhosos e do petit commerce africain, o Mitterrand das escutas, silenciamento de opositores, mortes misteriosas e semeador de sedíciais, o Chirac semi-presidiário militante e agora isto que ainda está e aquilo que talvez venha, são  um panorama desolador. Ao pé disto e , por incrível que vos possa parecer, quase tudo o que temos visto em Belém, mais se assemelha a uma plêiade de arquiduques da Casa de Áustria, príncipes florentinos e grãos-duques do Sacro Império, Cavaco Silva incluído.

A ideia de um país que teve Luís IX, Henrique IV, Luís XIV, os dois Bonapartes e até De Gaulle como Chefes do Estado, ver-se reduzido a uma vitrina do bordel cor de rosa da dupla Sarkozy-Bruni, é sintomático. Enfim, c’est ça, la république.

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Pois é – esperemos para confirmar


  2. Nessa lista de ilustres criminosos faltou-te o Pétain.

  3. kalidas says:

    É a vida! E um homem tem de estar preparado para tudo, porque o que nasce torto tarde ou nunca se endireita.
    Tudo começou com uma grande explosão, o Big Bang, e a explosão dá quase sempre mau resultado. Um cientista meu patrício, publicou um livro em que diz que, a inflação cósmica, a velocidade de expansão do Universo, era superior á velocidade da luz. Quando isto for provado, o meu conterrâneo alentejano, ganha o Nobel da Física e acaba com a teoria de Einstein, só não acaba é com os nossos problemas. Pagamos por aquilo que não cometemos.

  4. Se acha quwe é azar trabalhar ao domingo.... says:

    o país que teve um carlos magno a massacrar alemães
    e um filipe o Belo moedeiro falso e capador das finances nazionales
    tamém teve um Luís XIV que era o estado
    e um Napoleone que nem francês queria ser e andou em vendettas com a eurropa

    logo os 18,5% do fantasmA de LAVAL que lava mais branco é que são a grande
    deste dia que nasce
    11% de um partido comunista numa frança jovem que quer marchar de cabeça rapada

    não é um regresso a Vichy mas é capaz de ser uma nova EVIAn que se levanta

    ou uma Joana no churrasco

  5. Se acha ké azar trabalhar ao domingo...descanse. says:

    Louis XI u prudente assassino de duques e Louis XVI estavam melhor nos tempos que correm

    e alguém que descubra templários para lhes tirar o ouro
    ou ao menos uns assignats ao estylo ameríndio

  6. ça quê? çá Pinto?. says:

    Filipe IV o belo moedeiro falso e seus latagões que queimavam as lojas dos templários

    esse é quera um king das finances

    quase um D.Juan das finanças

  7. Maquiavel says:

    A admiraçäo deste homem por autoritários violentos…

    O Henrique 4 do Massacre da noite de São Bartolomeu organizadas pela Casa real francesa, que começaram em 24 de Agosto de 1572 e duraram vários meses, inicialmente em Paris e depois em outras cidades francesas, vitimando entre 30 mil e 100 mil protestantes franceses chamados “huguenotes”?

    O Napoleäo 1 que se auto-coroou Imperador e deu guerra à Europa toda, perdendo tudo?
    E o sobrinho Napo 3 que depois de ser eleito Presidente tornou-se ditador e depois imitou o tio?

    O de Gaulle que criou a V República de presidentes-rei e fechou os olhos às acçöes do criminoso de guerra Papon (que entretanto fora promovido a Intendente da Polícia, usando tortura em França a Argélia, e causando o massacre do Metro Charonne) e reprimiu violentamente o Maio de 1968?

    Ah, ce sont seulement des petits détails!

  8. Nuno Castelo-Branco says:

    Maquiavel, devia informar-se melhor:
    1. S. Bartolomeu. Ocorreu muito antes do advento de Henrique IV ao trono, mais precisamente, no dia 24 de Agosto de 1572. Por sinal, Henrique IV foi o protector dos huguenotes – ele próprio o era – e seria rei em 1589.
    2. Tal como o Maquiavel, não sou um grande admirador do primeiro Napoleão. No entanto, ele propiciou – mesmo contra a sua vontade – a consciência nacional a muitos povos, foi um criador de nações. Além do mais, o sistema político que ainda hoje vivemos – e que nos permite estarmos aqui a falar – é uma consequência directa da sua acção. Enfim, juntamente com Luís XIV, deu ao mundo uma ideia daquilo que a França é. Quanto ao sobrinho, Napoleão III, jamais foi ditador. Jamais. Muito pelo contrário, foi um pioneiro nas causas sociais, protegeu o Trabalho, e durante o seu governo a França conheceu um grande esplendor nas letras, por exemplo.
    3. Deve ter reparado que escrevi “e até De Gaulle”. Ora, apesar de tudo, dos erros crassos e do abuso de poder, o general construiu uma França que se tornou num dos pilares dos istema europeu, fez a reconciliação com a Alemanha, manteve as distâncias quanto à hegemonia dos EUA. Mais ainda, com claros laivos “franquistas”, cumpriu escrupulosamente os preceitos eleitorais, retirando-se quando perdeu o plebiscito. Quer compará-lo com Sarkozy ou Hollande. Ora…

  9. Maquiavel says:

    O Massacre da noite de São Bartolomeu foi motivado pelo casamento do futuro Henrique 4, que tinha por contrato renunciado ao protestantismo. Aliás,ocorreu na sua noite de núpcias. Depois teve de renunciar à renúncia (…) e redimiu-se quando chegou ao trono.

    Ao PR Luís Napoleão näo aprouve que o mandato näo fosse renovável, e fez um Golpe de Estado que o tornou Imperador. “De 1852 a 1858, Napoleão III exerceu poder absoluto (Império Autoritário), limitando a oposição parlamentar e amordaçando a imprensa.”
    Se o Napo 3 näo foi ditador, para começar vá a correr corrigir este artigo:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Napole%C3%A3o_III_de_Fran%C3%A7a
    e depois corrija os canhenhos de História que explicam o quanto ele era apoiado pelos conservadores, e que só abriu o regime quando estava em declínio, para näo perder o poder. Já era tarde. Dommage.

    Quem comparou reis e presidentes e candidatos foi v. exa., agora até já mete Hollande ao barulho, ainda o homem é só candidato. Tome lá do que quer, que eu tomo água benta.

  10. Tito Lívio Santos Mota says:

    Eu prefiro nem comentar porque estando aqui na primeira linha estas babuseiras do Sor Castelo Branco, dão-me náusea.
    E ainda estou moído pelas 14h de trabalho numa assembleia de voto, tendo começado as aulas às 8h15 da manhã de hoje.

    Prefiro lembrar-me que o meu tio Albano Rodrigues morreu para que os Castelo Branco possam dizer asneiras, gritar contra o sistema que lho permite e termos o direito de escolher quem nos dá na real gana.
    ó Sor (conde? visconde?) Castelo Branco, olhe que se o Hollande fosse o Luis XI, mandava-o para uma das gaiolas onde metia quem dizia o que lhe passava pela cabeça e que podem ainda ser vistas no Castelo de Loches.

  11. Nuno Castelo-Branco says:

    Pois, admiro o seu espírito selectivo, leitor Maquiavel. Uma pena ter-se esquecido de dizer algo acerca do porquê do citado massacre de S. Bartolomeu. Embora Carlos IX tudo tivesse feito para o impedir, a população de Paris não tolerava os huguenotes e a isto há que somar outros factores, como invejas, acertos de contas pessoais, o roubo de propriedade – isto deve agradar a alguns, chamando-lhes logo de “revolucionários” -, etc. O casamento que cita, tratou-se precisamente de uma forma de compromisso, para profundo desagrado dos católicos franceses, do Papa e do Rei Filipe II de Espanha, então o monarca hegemónico na Europa e que estava a braços com problemas com os protestantes nos Países Baixos. Assim sendo, o leitor Maquiavel deveria na minha opinião, inverter os factores, pois tanto Catarina de Médicos como Carlos IX, foram precisamente obrigados pela população a moderar as suas tentativas de conciliação entre católicos e huguenotes. Assim “o povo” é que surge como “o mau”, quase numa cópia daqueles desgraçados acontecimentos ocorridos em Lisboa no ano de 1506, desta vez vitimando os judeus. Claro que o pérfido D. Manuel puniu severamente os “bons populares devotos”, enviando gente para forcas às quais nem padres instigadores escaparam. O futuro Henrique IV nada teve a ver com o assunto, foi um nome, um pretexto. Quanto a isto, os historiadores são unânimes e embora a wikipedia não seja 100% de confiança, aqui lhe deixo um link com uma história resumida dos factos: http://fr.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_la_Saint-Barthélemy

    No que respeita a Napoleão III, julgo discernir mais algum preconceito ou precipitação. De facto – e o seu governo prova-o – e bem ao invés do tio, o I, este Bonaparte interessava-se vivamente pelo progresso social, estando perfeitamente integrado na corrente progressista do seu tempo. Aliás, seria deposto devido à derrota frente à Alemanha, o primeiro país do mundo a instituir uma assistência social moderna. Há ainda que atender ao factor nada desprezível para a tendência liberal da centralização do poder, firmemente acelerada após a queda da Monarquia em 1792 e aproveitando aquilo que Luís XIV gizara, minando o poder local dos Parlamentos e dos potentados nobiliárquicos na província: “une Loi, un Roy”, tornou-se o lema do Estado, fosse ele o bourbónico, republicano, bonapartista ou orleanista. A França moderna nasce das fronteiras “naturais” tomadas por Luís XIV e do papel determinante do Estado que conseguiu impor a moda, criou um estilo que toda a Europa copiou, apadrinhou correntes de pensamento que para o poder central olharam como o ideal organizador da sociedade, etc. Assim, Napoleão III está perfeitamente integrado nesta corrente. O espantoso nisto tudo, é o apontar desses autoritarismo como coisa pérfida e nociva, pois a França era considerada como um “império das esquerdas” e boa parte da sua política económica se baseou no investimento público de que a Paris que hoje conhecemos, é o melhor exemplo. A expansão industrial foi imensa, melhorou enormemente a legislação protegendo o Trabalho, etc. Falhou redondamente na política externa, pois a França já não tinha o poder militar que nos campos de batalha do século XVIII fizeram ditar a sua lei ao resto do continente. Patrocinou a (inútil porque forçada, acho eu) unificação italiana, enfraqueceu o grande contrapeso ao poder prussiano que era a Áustria, envolveu-se em problemas na América central. Tudo isto, concitando a desconfiança ou o azedume das potências. Mas que Napoleão III foi um dirigente moderno, isso foi. Claro que para os entusiastas de Estaline, faltou-lhe algo, precisamente aquele radical poder absoluto em nome de uma inspiração que se não era divina, no etéreo termo povo que para tudo serve, se alicerçou.

  12. Nuno Castelo-Branco says:

    Ao nauseado Tito Lívio
    No que respeita à sua canseira na assembleia de voto, fez a sua obrigação, pois é esse civismo dos portugueses, aquilo que os distingue de certos grupos hoje acusados de parasitismo à cata de subsídios e para cúmulo, ávidos cultivadores de ódio pelo país que os acolheu. Fez o que devia, Tito Lívio, não vale a pena gabar-se de uma evidência.
    Deixe o seu romano desprezo para si próprio e informe-se, pois é disso mesmo que o senhor enferma. Leio sempre atentamente todos os comentários que os leitores aqui deixam, trata-se de uma questão de respeito e consideração. Que eu saiba, não é meu costume achincaljhar quem se dá ao trabalho de ler os meus posts, e baboseiras ou não, merecem resposta.
    Por acaso não sou visconde ou titular de coisa alguma, mas se o fosse, decerto seria coisa menos vergonhosa que ostentar uma das comendadorias da situação. Ser hoje em dia visconde marquês ou conde, trata-se de um património histórico tão respeitável como a Torre de Belém, os Jerónimos ou os Clérigos. Tente perceber o que quero dizer.

  13. Tito Lívio Santos Mota says:

    olhe, francamente, nem o li.
    Cansei !

    mas aqui vai um link se quiser saber a simpatia que lhe reservaria o seu “querido” Louis XI

    http://fr.wikipedia.org/wiki/Fillette

  14. Nuno Castelo-Branco says:

    Tito Lívio, no texto está escrito LUÍS IX. O famoso São Luís. O Luís XI é escolha sua.

    • Tito Lívio Santos Mota says:

      aaaahhhhh, o Luis IX, aquele que queimava padres e que morreu de sífilis na atual Tunísia.

      mil desculpas.

  15. Nuno Castelo-Branco says:

    aaaahhhhh, caro Tito, entre a sífilis e a disenteria, vai uma certa distância. Pois foi disso mesmo que Luís IX morreu: disenteria, uma coisa nada divertida.

    • Tito Lívio Santos Mota says:

      Disenteria? foi o que inventaram?
      A igreja anda mesmo falha de imaginação.
      Mas essa da disenteria tem graça.

      Um santo “cag**o”, lol

      mais vale que um santo “f***” por meretrizes pagãs.

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