Eles andam aí

Trabalhava numa organização clandestina com base em Espanha para apoiar o povo português que não estava com o Partido Comunista. Ajudámos o chamado levantamento popular do Verão Quente de 75, em que houve assaltos às sedes dos partidos comunistas e de extrema-esquerda. (…)

Como é a vida de clandestino?
Há um livro que se chama Dossiê do Terrorismo, das edições Avante, de 1976, que descreve dia após dia o calendário de todas as acções ‘terroristas’, ou seja, anticomunistas. Nesse livro está uma fotografia minha na estação da Campanhã que tem como legenda: ‘O Capitão van Uden, mais conhecido pelo Colombiano, momentos antes de iniciar uma operação terrorista na cidade do Porto’. Não fui preso por milagre. Detectaram-me, mas despistei-os sempre.

A rede terrorista ELP/MDLP começou por ser investigada pela PJ com um inspector especializado (era membro da organização) a comandar as operações. O que chegou a tribunal não serviu para nada. Falamos de assassinos, bombistas confessos, terroristas puros e duros. Agora dão entrevistas sob o retrato do maior canalha que passou pelo governo de Portugal, Miguel de seu nome, banido para sempre, recuperado por Salazar.

Spínola, um terrorista no Palácio de Belém

O antigo dirigente da rede terrorista ELP/MDLP António de Spínola está a ser homenageado por Cavaco Silva no Palácio de Belém.

Estagiário nas tropas de Hitler, Spínola foi nomeado Presidente da República através de um mini-golpe palaciano imediatamente posterior ao 25 de Abril, e contrariando a vontade da maioria dos oficiais do MFA. Antes Marcelo Caetano exigira a sua presença para se render, tentando desesperadamente que o essencial do regime se  mantivesse.

Após uma 1ª tentativa de golpe, em 28 de Setembro de 1974, Spínola foi forçado a abandonar a presidência da República, tentando novamente derrubar a democracia em 11 de Março de 1975. A partir daí exilou-se em Espanha, onde como na altura ficou mais que provado foi líder da rede bombista conhecida por ELP/MDLP, responsável por atentados que causaram mortes e destruições.

Reabilitado após o 25 de Novembro, como não podia deixar de ser, nunca foi julgado pelo seus crimes, num processo que entre outras hilaridades foi em grande parte investigado por um inspector da Judiciária que pertencera à organização que investigava.

Cavaco Silva pode ser o Presidente de alguns portugueses, que o elegeram. De todos não é, como agora fica mais uma vez demonstrado.