E a culpa…

Abateu um viaduto novinho em folha (inaugurado há pouco mais de um mês!) que passava sobre a A13, junto a Almalaguês. O piso da mesma A13 abateu em alguns pontos. A “culpa”, diz a imprensa, é do mau tempo. Da chuva. É extraordinário como os media têm interiorizado este mecanismo de desculpabilização de responsáveis e camuflagem de problemas. Como lhes corre no sangue esta tibieza que os afasta do núcleo das mais claras questões, não vão incomodar alguém com poder de resposta.

E, no entanto, tudo isto é tão simples. Se abater uma encosta na serra, a causa é natural. Se abate um viaduto ou o piso de uma autoestrada, a culpa – mau grado a causa eficiente possa ser o mau tempo – é de má engenharia, má concepção e má execução. Se há apenas incompetência grosseira ou dolo – acompanhado das habituais habilidades – cabe a outras instâncias decidir. E pronto.

Agora como não chumbam estão no 10º ano e fazem testes Pisa com muito melhores resultados

Onde é que meteram em 2009 os alunos com 15 anos que em 2006 estavam no 7º e 8º?

No Expresso de hoje Isabel Leiria pensa que estão no 10º ano, porque agora não reprovam e como tal sabem mais. Fantástico. Mas também podem estar num Curso de Educação e Formação (CEF) e não terem feito os testes Pisa.

A grande mudança no ensino em Portugal entre 2006 e 2009, afectando os alunos que dantes chumbavam de forma a estarem no 7º e 8º com 15 anos, foi precisamente terem sido encaminhados para os CEF’s (e muito bem, acho eu).  Nos CE’Fs pelo menos não chumbam. Mas os CEF’s não constam desta tabela. Até parece que os alunos dos CEF’s foram marginalizados desta oportunidade de demonstrarem as suas competências, o que seria uma enorme injustiça, e para alguns uma grande batota.

Por coincidência a subida da média nacional nos testes Pisa resulta sobretudo da subida dos piores alunos. Ou do truque de terem sido substituídos por outros, correspondendo aos que em 2006 estavam no 10º ano, bastando para isso que os alunos dos CEF’s com 15 anos não tenham feito o teste.

Um caso em que uma escola básica pediu escusa porque o “grupo de estudantes a avaliar tinha uma taxa muito elevada de casos de insucesso,” é conhecido.

Nesta remota hipótese, que não queria colocar mas já coloquei depois de esfregar os olhos na caixa de comentários do post onde esta tabela foi publicada pelo Paulo Guinote,  toda a propaganda que o governo tem feito seria um enorme barrete, a enfiar por todos nós, e ainda pela OCDE a quem primeiro teria servido.

O que está totalmente fora de causa, é claro, mas fará de Maria de Lurdes Rodrigues a maior prestidigitadora de números da História da Educação em Portugal.