Argentinos de Alfama e uruguaios da Ribeira

Há uns anos, Manuel Vasquez Montalbán, um dos maiores escritores espanhóis e adepto do Barcelona, queixava-se de que era muito difícil rever-se na sua equipa como em tempos mais antigos, devido ao facto de que a maioria dos jogadores, de várias nacionalidades, nada tinha a ver com Barcelona e com o catalanismo. O equipamento era o mesmo, o espírito já era outro. Provavelmente, nos dias de hoje, teria menos razões de queixa, porque o próprio Messi é muito mais catalão do que argentino e porque uma boa percentagem do plantel advém dos escalões de formação, a ponto de a selecção espanhola ser, em boa parte, catalã.

Mais ou menos por essa época, em conversa com responsáveis pelos escalões de formação do Futebol Clube do Porto, fiquei espantado com o óbvio: a equipa sénior de então tinha, praticamente para cada posição, dois jogadores formados no clube. Era o tempo em que pontificavam jogadores como Vítor Baía, Jorge Costa, Fernando Couto ou Domingos, por exemplo. [Read more…]