Quando?

 Maria Helena Loureiro

tempo
Um miúdo berra de uma ponta do restaurante e o outro guincha da ponta oposta. O casal à nossa frente olha para toda a gente menos um para o outro num silêncio ampliado pelo raspar dos talheres nos pratos. “Já te disse que o Caetaninho morreu?” “Já mamã. Fui eu que lhe disse. Há meses…” Uma excursão de espanholas de meia-idade entra de rompante e instala-se a confusão geral, com os miúdos a gritar em uníssono, as espanholas cada uma para seu lado, os empregados uns para os outros, em correria, a tentar controlar as espanholas e a mulher do casal a implicar com a empregada porque é comida a mais. “Já te disse que o Caetaninho morreu?” “Já mamã. Há 2 minutos…” Uma das espanholas, alta, musculada e de peruca ruiva, sobe e desce as escadas à procura da casa de banho, no rés-do-chão. Outra espanhola, leque numa mão, corre atrás dela e tenta, em vão, tirá-la das escadas. Um terceiro miúdo junta-se aos outros dois que se calam por segundos, mas recomeçam a chinfrineira desta vez a três tempos. “Já te disse que o Caetaninho morreu?” “Não mamã. Quando?”

Alterne espanhol

Hoje houve alterne no estado vizinho, procedendo-se à rotineira troca de moscas (pese que a mosca que estava teve alguma decência na reabilitação da memória histórica).

Além de registar os bons resultados da esquerda basca, a despeito da repressão do estado central e do facto de por vontade dos neo-falangistas nem concorrerem, e das esquerdas em geral, hoje é um bom dia para anotar a euforia da direita neo-salazarista, entretida como anda na culpabilização dos governos que estavam por uma crise que é internacional (esquecem-se sempre da Grécia, da Irlanda e da Itália, mas a verdade é uma meia que eles lá calçam à sua maneira). Deixem-nos ficar felizes com a vitória de um partido de narcotraficantes, passa-lhes num instante. Com o último dos PIIGS à beira do abismo bem depressa teremos a vizinhança ainda pior do que está e a Goldman Sachs já deve ter um substituto na forja.