Agência Lusa confunde Portugal com Espanha

15 de Novembro de 2018 | Notícia da Agência Lusa

A Agência Lusa decidiu, e muito bem, fazer notícia com a proposta do Partido Socialista para reduzir o IVA da tauromaquia, de certo sabendo que a orientação da senhora ministra da tutela era diferente, por questões civilizacionais.

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Põe os olhinhos, Portugal

Fotografia: Javier Soriano/AFP@El País

Aqui ao lado, na vizinha Espanha, o antigo ministro da Economia de Jose Maria Aznar, Rodrigo Rato, foi condenado a uma pena de prisão efectiva de 4 anos e meio por corrupção, encontrando-se já encarcerado.

Por cá, corrupto que é corrupto safa-se com penas suspensas e férias em domiciliária, onde pode alegremente usufruir do fruto dos seus crimes, que em momento oportuno colocou em nome da mulher e dos filhos.

Por cá, corrupto que é corrupto raramente é incomodado pela justiça, o que motiva o sector a apostar, ano após ano, na mesma prática de sempre, com resultados comprovados. [Read more…]

Um dia destes, acordamos em 1984

Cartoon via Madrid me Mata

Pensava eu que Espanha era um Estado laico, e não uma daquelas tiranias teocratas onde o comum cidadão pode ser preso por satirizar figuras religiosas, cuja simples existência não reúne sequer unanimidade. Anda a Europa às aranhas com Orbáns e quejados, e eis que um cidadão espanhol, o actor Willy Toledo, se vê na situação de ter que responder perante um juiz por, alegadamente, ridicularizar Deus e a Virgem Maria. Não sei bem porquê, mas vem-me imediatamente à cabeça imagens de fundamentalistas islâmicos a pedir a cabeça de cartoonistas que ousam ridicularizar o profeta Maomé e outros símbolos do Islão. [Read more…]

Equivalências políticas manhosas

Fotografia: Reuters

Aqui ao lado, na vizinha Espanha, registou-se um novo aumento no número de políticos de primeira linha com um grau académico manhoso. Daqueles que se obtém ao Domingo, entre o pequeno-almoço e o banho turco, com uma forte componente de inglês técnico e muitas equivalências. Vocês conhecem o tipo.

O novo líder do Partido Popular – uma espécie daquilo seria a tão aguardada absorção do CDS-PP pelo PSD, versão castelhana – Pablo Casado, terá obtido o grau de mestre em Direito Autonómico, pela Universidad Rey Juan Carlos, com 18 equivalências em 22. Para concluir o curso, restava-lhe apenas fazer quatro trabalhos, dos quais aparentemente não existe qualquer registo, e não precisou sequer de colocar os pés numa sala de aula. Uma única vez. [Read more…]

Tempo de investigar Mariano Rajoy

Agora que foi derrubado por uma moção de censura legítima, ainda que a mesma tenha mais que ver com o desespero do PSOE em chegar ao poder do que com o caso de corrupção em si, é tempo de nuestros hermanos investigarem Mariano Rajoy. Até porque, existem fortes indícios de que o primeiro-ministro deposto terá recebido pagamentos ilícitos do tesoureiro Bárcenas, como de resto meio Partido Popular espanhol recebeu. Será que é desta que a pasokização chega a Espanha? Ou será a direita espanhola imune à justiça, como a sua congénere portuguesa?

Catalunha – eleições improcedentes

A Catalunha vai hoje a votos devido à decisão de dissolução do seu Parlamento pelo governo de Espanha, na sequência de uma Declaração de Independência aprovada pela maioria dos deputados eleitos.
Os catalães vivem um momento particularmente difícil, uma vez que se encontram profundamente divididos sobre a independência e, mais do que isso, absolutamente extremados nas suas convicções, varrendo não só a política, mas também a economia e, saliente-se, famílias inteiras! O ambiente de crispação entre eles é avassalador, não se antevendo qualquer intenção de pacificação através de um diálogo inclusivo e profícuo entre eles, e entre eles e Espanha.

Para além da dissolução do Parlamento, Espanha, aplicando as leis e a Constituição, é certo, suspendeu a Autonomia e, nomeou um governo provisório até às eleições de hoje e acusou os membros do governo de rebelião e sedição, num cúmulo penal de prisão efectiva que pode ir até 25 anos, sem que tenha ocorrido um único acto de violência, [Read more…]

O original de “Y Viva España” é belga

O país que serve de refúgio a Puigdemont é também aquele que criou o tema que serve quase de hino à Espanha (o verdadeiro hino é uma marcha militar sem letra) e que tem sido cantado durante as manifestações pró-espanholas na Catalunha.

O original intitulado “Eviva España” de 1971 era uma cançoneta para animar programas de televisão e festas para a terceira idade cuja ideia de Espanha remetia para o exotismo das férias de Verão, de letra simples e carregada de estereótipos sobre os povos ibéricos. Os autores são ironicamente flamengos, Leo Caerts e Leo Rozenstraten, e a cantora Samantha interpretava a música em flamengo. Tornou-se num sucesso quase global quando Manolo Escobar interpretou o tema em espanhol em 1973, sob o título “Y Viva España”.

Presos políticos em Espanha


Carles Puidgemont mostrou que não é um verdadeiro líder, não está à altura dos que nele votaram e acreditaram. Mas concorde-se ou não com a independência da Catalunha, há que reconhecer que estão pessoas presas pelo Estado espanhol, mesmo que preventivamente, sem terem sequer sido condenadas. Isto apesar de não terem resistido à aplicação do famigerado artigo 155, nem promovido qualquer violência. Não são políticos presos, são presos políticos o que diz bem da natureza da Espanha. Felizmente que nos livrámos em 1640.

A minha inconstitucionalidade é menos inconstitucional do que a tua

Já várias personalidades da primeira linha do poder europeu se pronunciaram sobre o desenrolar dos acontecimentos na Catalunha. Há vários elementos comuns nos seus discursos, a par do apoio incondicional ao governo espanhol, mas há um argumento, absolutamente legítimo, que importa destacar, e que foi central no processo de intervenção externa a que Portugal foi sujeito.

Não que sejam situações iguais, é óbvio que não o são. Mas é fascinante, para dizer o mínimo, que todos estes chefes de Estado, dirigentes europeus e porta-vozes hoje afirmem, do alto dos seus púlpitos e com seus megafones virtuais em punho, o primado da constituição espanhola. O imperativo do respeito pela lei fundamental. A suprema prevalência do Estado de Direito.

Onde é que estes gajos andavam quando o governo Passos/Portas passou quase cinco anos a (tentar) atropelar a Constituição da República Portuguesa? Ah, já sei: estavam na retaguarda dos ditos, a disparar chumbo grosso sobre a lei fundamental e o Estado de Direito português. Aparentemente, para a nata política da União, algumas inconstitucionalidades são menos inconstitucionais do que outras. Como é que o projecto europeu não haveria de estar de boa saúde?

Crónicas do Rochedo XIV – Uma direita musculada numa Espanha dividida

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O referendo da Catalunha veio provar que em Espanha ainda existe uma direita “musculada”, profundamente saudosista dos tempos de Franco. Uma direita que está desejosa de dar uns sopapos, de tirar a poeira ao revólver guardado na escrivaninha e disposta a empurrar Rajoy para o colo da ala dura do PP. “Empurrar” é simpatia minha, pois não me parece que D. Rajoy se sinta muito incomodado com a possibilidade.

Esta direita cohabita com uma esquerda ainda mais folclórica que o nosso Bloco. Um misto de saudosistas da cortina de ferro, anarquistas de cubata na mão (mas de Havana 7, que Bacardi é coisa de meninos) e deslumbrados do anticapitalismo internacional. No fundo, estão bem uns para os outros.

E depois temos a confusão: temos os independentistas da Catalunha, os independentistas da Galiza, os Independentistas do País Basco, os Independentistas da Andaluzia, os Independentistas das Baleares (sim, das Baleares que não são catalães e gostam tanto destes como dos de Madrid). Depois temos as Asturias, Castela, Leão e Estremadura sem esquecer as Canárias. Com excepção dos primeiros, os restantes até nem se importam de ficar juntos. Uma enorme salgalhada. E ainda me deve faltar aqui um ou outro movimento independentista mais discreto. Já para não falar nos casos de Ceuta e Melilla…

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Crónicas do Rochedo XXIII – Catalunha: É onde dói mais…

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No fundo ainda sou um ingénuo. Muito ingénuo. E porquê? Porque pensei que as empresas que nasceram na Catalunha, que a ela muito devem a força e pujança de hoje, iriam resistir. E que seriam elas a mola impulsionadora do diálogo entre as partes em confronto. Sou um ingénuo.

Quando o grupo Banc Sabadell, o grupo Caixa Bank (agora donos do BPI) ou a seguradora Catalana Occidente decidiram desertar atiraram um tiro no “meio dos olhos” da economia da Catalunha. Foi onde dói mais. A força do poder económico catalão era, para mim, a última esperança para colocar as coisas nos eixos, ou seja, obrigar as partes a ceder neste braço de ferro: por um lado, obrigar Castela/Madrid a aceitar a realização de um verdadeiro referendo na Catalunha e, pelo outro lado, obrigar Puigdemont e os seus aliados a aceitar não levar a cabo a DUI (Declaração Unilateral de Independência). Só o poder económico e a Igreja podem conseguir obrigar as partes a negociar. Se a Igreja está, discretamente, a fazer o seu papel de mediador, já o poder económico catalão escolheu um lado, o do velho pragmatismo capitalista sem pátria.

Ironia do destino: um dos mais importantes empregadores e contribuintes para a força do PIB da Catalunha (e de Espanha), os alemães da SEAT (Grupo VW), já desmentiram qualquer tipo de fuga da Catalunha.

Crónicas do Rochedo – XXI :: Referendo da Catalunha, E se D. Afonso Henriques…

CATALUNHA
Aos olhos de alguns, muitos, que analisam o problema da “legalidade” do referendo da Catalunha imagino o que passou D. Afonso Henriques…
 
Aos 14 anos, armou-se a si próprio cavaleiro (uma ilegalidade, tendo em conta as regras da época). Não satisfeito, luta contra a sua mãe e vence em 1128 a famosa Batalha de S. Mamede e declara o Reino Portucalense como independente (sem referendo, coisa que à época não era costume), contrariando todas as leis vigentes (de Castela, diga-se). Em 1139 vence a Batalha de Ourique e afirma-se como Rei de Portugal, contrariando as leis da época – podemos considerar as batalhas como uma espécie de “referendos” de hoje? Só mais tarde, em 1143 é que Castela aceita a independência (Tratado de Zamora) e só em 1179 a Santa Sé reconhece o Reino de Portugal. Ou seja, se a coisa dependesse do cumprimento das leis soberanas de Castela (e Leão) ainda hoje andava a malta a discutir a realização de um referendo cumpridor da Constituição de Espanha, para que, cada um dos habitantes deste pedaço de terra, chamado Portugal, fosse um país soberano e independente. É isto, em resumo, que defendem os actuais legalistas, certo?
 
A escolha dos habitantes da Catalunha só pode ser feita através de um referendo (as batalhas caíram em desuso). Um referendo livre e democrático. Se votam a favor da independência ou contra ela é uma decisão de cada um dos eleitores do respectivo território, a Catalunha . Querer fazer depender disso o cumprimento integral do disposto na Constituição de Espanha é uma aberração política. O mesmo se aplica, obviamente, a outros povos na mesma situação (dentro e fora de Espanha).
 
Ver tantos portugueses a referir-se ao referendo da Catalunha como uma violação dos preceitos jurídicos de Castela (desculpem, de Espanha) é, no mínimo, de ir às lágrimas…

O Banco Popular está a arder

e a factura já vem a caminho.

Agir com base na solução e não na prevenção – a actuação diplomática portuguesa no caso de Almaraz

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros Português retirou a queixa que mantinha desde dia 16 de Janeiro contra o governo espanhol na questão de Almaraz. Em troca da retirada da queixa, o governo espanhol concordou em tomar algumas medidas provisórias (não avançar com o processo de construção enquanto nos próximos 2 meses não ceder toda a informação sobre o assunto ao governo português; técnicos portugueses e da Comissão Europeia irão realizar uma vistoria técnica à central), o que levou o Ministro Artur Santos Silva a declarar-se disponível para realizar uma nova queixa se o governo português entender daqui a 2 meses que continua a ter motivos:

“Ao fim dos dois meses, faremos o balanço. Se Portugal entender que continua a ter motivos para que a queixa prossiga o seu curso, a mesma mão que assina a carta a retirar a queixa, assina a carta a repô-la” – retirado aqui.

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Crónicas do Rochedo XII – Alguma coisa deve estar errada…

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De Valência (Espanha) à Maia são pouco mais de 900 quilómetros. No caso em apreço, de Valência a Chaves são cerca de 800 quilómetros. Sem utilizar qualquer alternativa às auto-estradas espanholas, o valor pago em portagens neste percurso até chaves são €12,30 (podendo ser zero evitando o túnel de Guadarrama nos arredores de Madrid). Por sua vez, de Chaves à Maia são cerca de 140 quilómetros e €11,25 de portagens (classe 1).

Em Espanha o gasóleo varia entre os €0,98 e €1,08. Aqui, a coisa anda entre os €1,27 nas auto-estradas e os €1,17 nos postos mais baratos. Uma botija de gás custa em Espanha, em média, metade do que custa em Portugal. Os produtos de supermercado, salvo raras excepções, são praticamente todos iguais ou ligeiramente inferiores. Bens de primeira necessidade como água, pão ou leite equiparam-se nos preços. Porém, os salários são bem diferentes: O salário médio bruto em Espanha anda nos €1.640 mensais para uma carga fiscal de 21,5%  (contra os €986 em Portugal e uma carga fiscal de 28,3%).

Como compreender estas diferenças? Alguma coisa deve estar errada…

Por Quem os Sinos Dobram

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Por quem os Sinos Dobram – a assinalar os 80 anos do início da Guerra Civil Espanhola.

Página IMDB.

Filhadaputice é isto

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Seis países não cumpriram as regras do pacto de estabilidade em 2015

Disse-se que houve unanimidade entre os ministros das finanças europeus, que formam o Ecofin, na aplicação de sanções a Portugal. O que é falso, logo em primeiro lugar.

Durante a reunião não houve votação. Portugal e Espanha manifestaram-se contra as sanções, mas os restantes países não levantaram objeções dando luz verde à decisão. [Expresso]

Nem houve votação. Assim se confirma, novamente, que a “europa” é o projecto de um país, capaz de impor aos restantes o seu domínio.

Mas quem cala consente. Seis países ficaram em procedimento de défice excessivo em 2015. Croácia, França, Grécia, Reino Unido (se ainda conta), Portugal e Espanha.

A Croácia calou-se. A França calou-se. A Grécia calou-se. Filhadaputice é assobiar para o lado enquanto as chamas do vizinho não chegam ao palheiro. Mas lembrando Brecht

Actualização: a Grécia opôs-se às sanções.
Vivemos um tempo em que a contra-informação domina a informação. Neste caso, passámos de unanimidade para vários protestos. Mesmo assim, não chegou a haver votação. Grande europa.

PP de Rajoy ganha sem maioria

eleições espanha 2016

Infografia: El Mundo

O jornal El Mundo disponibiliza uma ferramenta para fazer coligações. Vai ser muito útil a partir de amanhã, num país onde nenhum partido conseguiu chegar à maioria por si mesmo.

Quanto aos resultados, apesar da corrupção à volta do PP, este foi o partido mais votado, tendo obtido um melhor resultado eleitoral comparativamente à eleição de 2015.

Tempos estranhos estes, onde políticos atolados em escândalos conseguem ganhar eleições.  [Read more…]

Golpes que matam

67 anos a torturar em Euskadi até 2014.

Crónicas do Penedo I – A antena

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No tempo em que não existia TV Cabo e a televisão a cores era uma realidade um pouco recente, o meu pai decidiu comprar uma antena parabólica para termos alternativa ao elevado número de canais televisivos que a pátria oferecia: RTP 1 e RTP 2…

Na altura foi um acontecimento. De repente passei a ter, vejam lá, um canal de música (já não me lembro do nome a não ser que era qualquer coisa “europa”). Isso e alguns que durante a madrugada passavam umas coisas interessantes para maiores de 18. Nalguns casos, como diziam um amigo meu, era mesmo para maiores de 40… Depois veio a TV Cabo e nunca mais se utilizou a antena. Continua lá no alto do telhado sobrevivendo a custo a alguns temporais de inverno.

Até que um dia Espanha nos chama e lá vamos nós em trabalho por uns tempos valentes. De repente decides que vais ter uma parabólica pois não estás para fazer um contrato de fidelização de televisão por cabo e pagar uma fortuna todos os meses para levares com as melhores series americanas dobradas em castelhano…Ouvir Frank Underwood em castelhano é quase tão pornográfico como o “xiii cariño, xiiii” dos anos oitenta.

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Lionel Messi vai mesmo a julgamento por fraude fiscal

responder por três crimes, que resultaram num desvio de 4,1 milhões de euros da autoridade tributária espanhola. Que seja punido, devia ter vergonha na cara.

Governo Rajoy imita as piores práticas do PàF

PP

O Ministério do Interior espanhol usou a sua conta no Twitter para fazer propaganda eleitoral e promover Mariano Rajoy, colando o líder do PP a Adolfo Suarez e ao histórico momento da transição democrática. Estes PàFs espanhóis tendem a confundir os recursos do Estado com os dos seus partidos, como de resto foi acontecendo por cá com os seus parentes políticos: Paula Teixeira da Cruz usou dirigentes públicos para servir a campanha do PàFPires de Lima seguiu-lhe os passos e até o sítio do Governo publicou um documento manifestamente imparcial intitulado 4 anos de credibilidade e mudança. A uns como a outros, de pouco lhes adiantaram as manobras: venceram o escrutínio mas perderam o poder absoluto, o único que conhecem e com o qual sabem governar. Hoje chegou ao fim a hegemonia da central de negócios do bloco central espanhol. A nossa vez chegará.

Eleições espanholas

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Resultados às 21:54.  Resultados oficiais. A noite é capaz de ser animada

Políticos cobardes que fogem ao debate

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Pela segunda vez, Mariano Rajoy esquivou-se ao debate televisivo entre os líderes dos principais partidos em disputa pela vitória nas legislativas espanholas do próximo dia 20 de Dezembro. Porém, e ao contrário daquilo que aconteceu a 30 de Novembro, Rajoy fez-se representar pela sua vice, Soraya Sáenz de Santamaria, o que não o livrou de ser alvo de uma monumental tanga nas redes sociais. Por cá também tivemos um primeiro-ministro cobarde a fugir ao debate, só faltaram os memes.

O verdadeiro problema está nas lideranças dos partidos políticos.

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Nestes últimos dias reli uma biografia de Francisco Sá Carneiro e alguns dos seus discursos.

Eu que acredito muito pouco nos principais actuais dirigentes do PSD questionei-me como foi possível uma deriva tão grande nos princípios, nos valores, nas causas, na ética e na coragem política que eram a força do PPD-PSD.

Francisco Sá Carneiro era mesmo um homem e um político único. Os seus discursos, o seu carisma, o seu olhar e a sua força transmitiam convicção, verdade, coerência e um verdadeiro e enorme sentido de estado.

Apenas, por isso, conseguiu fundar, com sucesso, um partido genuinamente português, fora da lógicas doutrinárias europeias puras da democracia-cristã, do socialismo ou do comunismo.

É pura evidência que estamos perante um problema grave de falta de lideranças, de homens e mulheres, que consigam voltar a mobilizar os portugueses para um grande e verdadeiro desígnio para o nosso país.

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Ciudadanos e Podemos ” à porta ” do governo espanhol

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A sondagem do ” El Pais “, publicada hoje, relativa às eleições gerais espanholas marcadas para 20 de Dezembro é muito interessante comparada com os resultados das últimas eleições legislativas em Espanha.

Esta sondagem dá uma perda de mais de 80 deputados para o PP do actual presidente do governo, Mariano Rajoy. O PSOE, de Pedro Sánchez, também aparece em perda, mas mais moderada, com menos 10 a 15 deputados.

Mas a grande surpresa são os dois novos partidos, os Ciudadanos, de Albert Rivera, que poderá chegar quase aos 90 deputados e o Podemos, de Pablo Iglesias, que poderá ter mais de 45 deputados. A mesma sondagem diz-nos que o conjunto dos outros partidos de esquerda poderão alcançar 40 deputados.

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PaF não é Madrid

Sim, não somos a Grécia, mas poderemos ser como Madrid? Quem teve mais votos? Quem governa?

Vetusta Morla, Casa da Música, 9/10/2015 (hoje)

“Em síntese: os Vetusta Morla mantêm o essencial de uma sonoridade própria, desalinhada e envolvente, apurando alguns elementos que, já se sabe, rendem muitas vezes concertos de marca. O que parece certo é isto: quando se ouvir ‘Fuego’, considerada a melhor canção do ano em Espanha, a Casa da Música – que em boa hora acolhe este farol de modernidade espanhola e latina vai seguramente debater-se com o problema de sobreaquecimento. Mas há calores que não se trocam por nadinha.” – João Gobern, DN.

Foi em dezembro de 2013 que pela primeira vez se escreveu sobre os Vetusta Morla no Aventar. Poucos os conheciam em Portugal e ainda hoje não serão muitos. Não sabem o que andam a perder. É do melhor que a música espanhola nos oferece. Mais logo, aqui na Casa da Música, teremos a estreia em Portugal destes castelhanos. O João Gobern escreveu tudo. Verdadeiramente a não perder.

Aqui fica uma das suas músicas mais conhecidas e logo do trabalho de estreia:

Catalunha, quem ganhou?

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Hoje, mais de 77% dos eleitores da Catalunha foram votar. Que esmagadora vitória da democracia.

Sempre respeitei e admirei os povos que desejam a sua independência. Sempre. Por isso mesmo, ver nos diferentes media espanhóis, ao longo dos últimos meses e esta noite, defender que o desejo dos catalães pela sua independência é ilegal por violar a constituição espanhola é, no mínimo, surreal. Feita esta ressalva, vamos à realidade.

Os partidos defensores da independência da Catalunha venceram claramente estas eleições. A coligação de Artur Mas (actual presidente da Região Autonómica da Catalunha) obteve pouco mais de 39% dos votos e elegeu 62 representantes no parlamento. A maioria absoluta atinge-se com 68. Contudo, aos representantes da coligação “Junts pel Sí” (Artur Mas) teremos de somar os 10 da CUP (8,2%), igualmente defensores da independência e dessa forma os movimentos independentistas conseguiram obter a maioria absoluta (72 parlamentares). Contudo…

Artur Mas avançou para estas eleições procurando (e afirmando) transformar umas eleições regionais num plebiscito. Ora, enquanto eleições regionais, os independentistas venceram claramente e até conseguem ter maioria absoluta no parlamento. Porém, se olharmos como se fosse um plebiscito a confusão está lançada. As duas forças defensoras da independência somam menos de 50% e nessa matéria perderam.

Então, qual a resposta à pergunta que faço no título deste artigo? Ninguém ganhou.

1. Não ganharam aqueles que defendiam o plebiscito porque não conseguiram ter uma vitória verdadeiramente expressiva. Nem tão pouco conseguiram ter 50% dos votos expressos e nem me parece que uma independência se obtenha com resultados destes. Mais, perderam porque cometeram o erro crasso de tentar transformar umas eleições regionais num plebiscito por um único motivo: eleitoralismo primário com o objectivo de mera sobrevivência política de Artur Mas que estava em queda livre junto da opinião pública catalã (os recentes escândalos de financiamento partidário no seu partido, CiU, assim como a crise económica na região estavam a minar a sua base de apoio – note-se que mesmo com este resultado, a CiU e a ERC perderam representantes no parlamento e baixaram 10 pontos em termos eleitorais)

2. Não ganharam os partidos do “centralismo” espanhol, o PP e o PSOE que, juntos, apenas conseguiram eleger 27 representantes (em 135) e tiveram pouco mais de 20% dos votos (12,7% para o PS e 8,48% o PP). O seu discurso contra a independência da Catalunha, toda a campanha de chantagem (até os representantes dos empresários da Catalunha vieram a público dizer que mudavam as suas empresas para outras regiões sem esquecer a interferência da Comissão Europeia e até, imagine-se, de Obama!) que fizeram foi severamente castigada. Sublinhe-se o desastre eleitoral do Partido Popular que teve 8%…

Ou seja, a divisão na Catalunha vai continuar. Pouco menos de 2 milhões de Catalães votam nos partidos que defendem a independência e outros tantos votam nos partidos que querem continuar integrados em Espanha. E com quase 80% de eleitores a votarem penso que não existe outra leitura possível.

Se os movimentos independentistas querem ter credibilidade então terão de mudar. Mudar de lideranças, unirem-se em torno de um só movimento com um verdadeiro líder unificador e conseguirem obter um resultado eleitoral verdadeiramente esclarecedor (no mínimo 60%).

Se os contrários à independência da Catalunha querem ser olhados com seriedade e continuarem a defender a democracia então aprovem o referendo na Catalunha e deixem o Povo decidir.

De outra forma, ninguém ganha e a prazo quem se vai “lixar” é o mexilhão.

Catalães querem independência

Querem mesmo. E são muitos.
catalunha_independente_11sept2015
[Huffington Post.es]

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