O PSD está melhor, mas o país está pior

“Sabes Pai, o Miguel fez anos hoje. O bolo dele era fixe. Mas ele estava triste”, diz o miúdo no banco de trás.

Ocupado por outras conversas mais telefónicas, questiono:

– “Porquê? Ele não é do BENFICA?”

– “Não é isso. Ele até chegou a chorar depois do almoço. O pai dele foi para outro país trabalhar e foi embora mesmo hoje. Nem sequer ficou para os anos dele. Ele está muito triste. Eu também chorei porque não queria perder o meu pai.”

Sem palavras, só pedi a Deus que me colocasse à frente do carro o Luís Montenegro e até podia ser na passadeira…

Ser estrangeiro

Normalmente referimos o conceito de estrangeiro, quando mencionamos um ser humano que não é da nossa nacionalidade, uma pessoa que não é da nossa cidadania, que não tem os mesmos direitos que os outros nascidos dentro de uma mesma Nação.

Quem leia este texto, está, certamente, a pensar que defino pela negativa. Pela positiva, seria: estrangeiro é um cidadão de outro Estado ou Nação, que visita a nossa.

Contudo, esta ideia não me satisfaz. Há inúmeros estrangeiros, até dentro do nosso Estado, referidos como nossos compatriotas. Mas o conceito, ou a prática que lhe está associada, é mais subtil. Pode ser estrangeiro dentro da sua própria terra quem se comporta de maneira diferente dos seus. Não podemos esquecer que vivemos dentro de países de diferentes classes sociais.

Cada classe tem hábitos e costumes que as qualifica. Normalmente, há a classe dos que tudo têm e alugam força de trabalho entre aqueles que possuem apenas os seus braços e família para ganhar a vida. Esta última situação passou a ser a forma mais habitual de se ser estrangeiro. As pessoas são tratadas hierarquicamente, pelo nome e por tu. Se é de um grupo de posse, as pessoas são tratadas com reverência e simpatia. Especialmente se provêem de Nações poderosas, se são educados em colégios ou universidades privilegiadas, são, então, tratados com respeito, cerimónia e ouvidas como se falassem uma linguagem especial.

No meu caso pessoal, sinto-me estrangeiro porque tudo o que faço, parece estar desalinhado com as formas, que nunca mais consigo aprender, nacionais de ser; porque a História nunca mais é aprendida, porque falamos com sotaque ou temos horários diferentes e hábitos não definidos dentro da cultura do país que visitamos mas, às vezes, como é o meu caso, dão-nos a grande honra da concessão da cidadania. [Read more…]

Desertificação intelectual

Não conseguimos segurar os quadros médios e superiores. Quase 15% da nossa mão de obra qualificada vive no estrangeiro.

 

Cem licenciados por dia deixam o país para procurarem lá fora, emprego, mas a hemorragia vai continuar porque existem mais 45 000 licenciados, que no inicio deste ano estavam a desempenhar trabalhos de baixa qualificação ou não qualificados.

 

Hoje o país oferece a estes licenciados, empregos nos "call centers" e no comércio e na restauração, e é certo que grande parte deles irão tentar a sorte lá fora.

 

Na década de 90 acolhemos milhares de emigrantes de outros países, sobretudo do Leste, mas tambem do Brasil e Cabo verde, como resultado do nosso bom desempenho económico.

Na década perdida de 2000 voltamos a ser um país de emigração, mas agora já não exportamos mão de obra desqualificada, mas sim quadros médios e superiores, a quem Portugal não oferece condições conformes às suas qualificações.

 

Esta enorme contradição em que nos enredamos, por um lado aposta-se na educação e na qualificação das pessoas , para as vermos depois,  sair do país.

 

É no estrangeiro que estes quadros aplicam os seus conhecimentos que adquiriram nas universidades portuguesas, financiados por nós todos, contribuintes!

 

Desenvolver o tecido empresarial português, produzindo bens transacionáveis e esportáveis e que substituem importações, em mercados abertos e exigentes, é a única saída para o empobrecimento.

 

Ao invés, o que temos é um Estado centralizador e incompetente que trava o desenvolvimento, grupos económicos que oferecem bens não transacionáveis e protegidos pelo Estado.