As aventuras de um inglês por causa de meia dúzia de km numa ex-scut

Ontem, no semanário de língua inglesa publicado em Portugal The Portugal News (edição em papel, pág. 20), deparei com esta carta ao director, que traduzo:

Sir,

Passei recentemente uma férias no vosso adorável país e tudo correu bem excepto um fiasco ainda em curso.

Como visitante, achei a questão das portagens na A22 confusa e pouco amigável. Acho que, numa ocasião, fui excessivamente cobrado (cobraram-me 6.42€ por um troço de Lagos a Carvoeiro – num só sentido!). Queixei-me na loja de pagamentos e mandaram-me para os CTT. Queixei-me nos CTT e mandaram-me para a ViaLivre. Acabo de receber um e-mail da ViaLivre e mandaram-me falar com a agência de aluguer de automóveis!!

Estarão as autoridades portuguesas a tentar mandar os visitantes e o seu dinheiro embora?

Bem-vindo à realidade portuguesa, Sir. Isto é apenas a pontinha do iceberg. Para quem cá vive, o pesadelo é bem pior.

Agradeça a Paulo Campos

O meu caro leitor tem de ir a uma estação dos correios pagar as ex-scut? Agradeça a Paulo Campos

Teve de comprar Via Verde para transitar nas ex-scut sem ter de passar horas nos correios? Agradeça a Paulo Campos

Tem um restaurante raiano que perdeu clientes em flecha desde que se tem de pagar ex-scut nos correios? Agradeça a Paulo Campos.

Tinha uma loja de artesanato, uma produção de azeite, um negócio turistico que fechou por falta de turistas depois de se ter de pagar as ex-scut nos correios? Agradeça a Paulo Campos.

O Algarve perdeu milhões e afectou a sua imagem depois de obrigar turistas a pagar as ex-scut nos correios? Agradeça a Paulo Campos.

As ex-scut ficaram mais caras para o estado depois de renegociadas por ele do que antes disso? Agradeça a Paulo Campos.

Acha o pagamento das ex-scut nas formas hoje em vigor uma cromice? Agradeça a Paulo Campos.

Sente-se tão enganado como o Tribunal de Contas? Agradeça a Paulo Campos.

Acha que o estão a tomar por tolo quando lhe dizem que o peso das PPP no PIB é apenas de 0,22%? Agradeça a Paulo Campos. [Read more…]

Como pagar as ex-scut sem comprar a via verde?

Um amigo que vai viajar pediu-me um favor: que lhe pagasse uma passagem numa ex-scut por se encontrar esse meu amigo ausente do país.

Eu conto. Informado de que tem cinco dias úteis após a passagem na ex-scut para proceder ao pagamento e efectuando a viagem precisamente para apanhar um avião para outro país onde permanecerá uma semana, o meu amigo dirigiu-se a uma estação de Correios – cuja fila de espera, entretanto, aumentou substancialmente – para tentar pagar antes da utilização da viagem, já que depois lhe seria impossível. Não pode. Ou seja, pode, mas tem que comprar um dispositivo que custa 27,5 €, além de ser obrigado a fazer um carregamento suplementar de 10€. Não viajando o número de vezes suficiente para justificar a compra e não querendo comprar um dispositivo de via verde, o meu amigo viu-se na situação de me pedir um favor que me vai causar o incómodo de satisfazer burocracias inúteis. Vá lá que tem amigos a quem pedir. Porque podia não ter e, nesse caso, ou era roubado por ser obrigado a comprar algo que não se justifica, ou teria que partir de véspera por estradas alternativas para apanhar um simples avião.

Ex-Scut, passa para cá o pilim e desenrasca-te

Independentemente de se concordar ou não com o pagamento de portagens nas ex-scut, o mínimo que se podia esperar é que, ao começar a pagar, a coisa funcionasse. Parece que não, segundo ouvi nos noticiários radiofónicos. Máquinas de títulos pré-pagos que não funcionam, falta de informação, troços “gratuitos” mas com cobrança de serviços administrativos, falta de alternativas viáveis, etc., etc. Ao fim de tanto tempo e estando no governo o partido que exigiu que não houvesse excepções nas estradas a pagar, seria natural que os utilizadores com custos encontrassem, pelo menos, as coisas organizadas.

Mas não, a portagem é virtual, a organização irreal, o pagamento é que é real.