O legado de Manuel Queiró na CP

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Foto Ricardinho Rodrigues
Por Miguel Castro Araújo

Foi oficializada na passada sexta-feira a substituição do Conselho de Administração da CP. Entretanto, correu pelas redes sociais uma petição, supostamente em nome dos utentes e trabalhadores, para a manutenção do eng. Manuel Queiró na presidência da empresa. Pergunta-se, quais utentes?
Os do Alentejo sem comboios ou os do Oeste que passaram a ver os seus comboios suprimidos ou substituídos, quando têm sorte, por autocarros?
Os do Douro que suportam, devido a sanitários entupidos, as cada vez mais mal cheirosas automotoras “camelas”?
Os da linha de Cascais com comboios a caírem de velhos? Quais trabalhadores?
Os da CP Carga, à força privatizados e hoje a viverem tempos de grande incerteza?
Os da CP, casa mãe, que nunca foram tão poucos e nunca tiveram tão más condições materiais de trabalho, pois são eles que têm que fazer o impossível para colmatarem as avarias e falta de comboios, atrasos constantes, as bilheteiras sem condições mínimas de conforto e de equipamento informático?
Vamos lá fazer uma análise cuidada à herança deixada por Manuel Queiró nos quatro anos que presidiu aos destinos da transportadora ferroviária. Assim de memória, é-nos difícil encontrar um presidente, e a CP tem tido uma série deles muito maus, que de uma assentada só, tenha descapitalizado tanto a empresa.
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A Braga dos segredos de Batista da Costa

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Um “Encontro” ocultado, secreto, sem plateia, sem perguntas, sem respostas, apenas com jornalistas a segurar o microfone.

O administrador dos TUB Batista da Costa não tem tempo para responder a cartas registadas dirigidas à empresa municipal que administra mas – e é bom sabê-lo, – tem tempo para dar palestras em salas vazias. Com a conivência, claro, da imprensa da cidade.
Absolutamente mantida secreta e ocultada a conferência-monólogo que ontem “aconteceu”, o administrador da empresa municipal entende que os Transportes da cidade não são para serem debatidos: são para serem monologados.
Na melhor das hipóteses, debitados: o administrador debita, os jornalistas transcrevem.

Não há direito a perguntas. Os TUB não respondem a perguntas. O Batista da Costa manda dizer ao telefone que não responde a perguntas.
De positivo deste Encontro (há foto da plateia??) há a registar o facto de os autocarros virem, em breve a entrar no campus de Gualtar da Universidade do Minho, uma micro-cidade com umas 15 mil almas.

Como termo de comparação (e Braga é incomparável), o serviço concessionado de transportes urbanos CORGOBUS (Vila Real) entra no campus da UTAD desde a data da criação da empresa, 2004.
Já vamos com 13 anos de atraso.

É o autarca Ricardo Rio conivente com o silêncio em torno deste Encontro secreto, sem plateia? E porquê?

A Mobilidade em Braga

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A mobilidade em Braga é o fotograma do vídeo-drone dos Transportes Urbanos de Braga sobre a linha 74.

Um rasgo de lucidez

Uma óbvia excepção à regra, difícil de encontrar nas várias Entidades, Autoridades e afins, que causam mais danos que benefício à actividade económica…

Transporte de emigrantes portugueses – relato na primeira pessoa

Mini bus

Joel Martins

Introdução: Sou filho de emigrante, e eu próprio já fui emigrante várias vezes, ainda que em curtos espaço de tempo.

Esta introdução serve para atenuar as críticas que se irão seguir pelo que vou escrever.

Há dois motivos muito simples para isto acontecer (o transporte de emigrantes da França e da Suíça para Portugal em mini-bus ou carrinhas ligeiras de transporte de mercadorias adaptadas):
1. A capacidade de carga: o emigrante quando vem de férias traz a mala cheia de chocolates, rebuçados, e um salpicão comprado em Espanha. É certo que se podia comprar isto num qualquer intermarche, mas recordo-me da emoção de ver o que o meu pai trazia no saco quando chegava de férias, por menos que fossem umas botas “made in portugal” compradas em França, true story …..
2. A comodidade: as “carrinhas” apanham os passageiros em casa, e largam-nos em casa, dado que muitos dos nossos emigrantes são de zonas remotas que ficam a centenas de km’s dos aeroportos.

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Sobre a reversão da subconcessão dos transportes públicos do Porto

PBL AB

A agenda do anterior regime era clara: tudo pela privatização, nada contra a privatização. Privatizar, ainda que por meia-dúzia de tostões e de forma pouco transparente, era desígnio nacional.

Porém, quando o ímpeto privatizador se virou para os transportes públicos do Porto, surgiu uma pedra no caminho das forças além-Troika: a justiça portuguesa chumbou o concurso público. Sabidos e versados na arte de combater o poder judicial, os oficiais do exército do esvaziamento do Estado surpreenderam o país com uma manobra arrojada, a poucas semanas das eleições, e decidiram entregar a Metro do Porto e a STCP a privados pela via do ajuste directo. Ouviram-se vozes de contestação entre trabalhadores, sindicatos e autarquias, mas também no seio do PS, do BE e da coligação CDU. Vozes que, combinadas, têm agora representatividade maioritária no Parlamento. Hoje, sem grande surpresa, o governo em funções confirmou a reversão da decisão do anterior e os transportes públicos do Porto foram devolvidos ao Estado. [Read more…]

Nova carta ao ministro da Economia

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© Económico

Ex.mo Senhor Ministro:

Desde a minha última carta, da qual V.Exa., por certo, nem tomou conhecimento, perdi mais de duas semanas de trabalho à espera de autocarros da STCP que deviam passar e não passaram. Não, senhor ministro, não por culpa das raras greves dos trabalhadores que entretanto tiveram lugar, mas por exclusiva culpa dos boys que o seu antecessor nomeou para a administração daquela empresa, e que V.Exa. manteve – e mantém mesmo depois de expirado o prazo do contrato. Gente absolutamente incapaz de gerir um pequeno quiosque, que V.Exa. e o seu antecessor acharam capazes de gerir uma empresa de transporte de passageiros, mesmo contra todas as evidências.
Assim por alto, só à conta das mais de dez mil carreiras suprimidas em cada mês pela STCP, V.Ex.a é responsável pela perda de vários milhões de horas de trabalho. Nunca antes um ministro da Economia tinha alcançado semelhante feito!
Fica registado, senhor ministro, para memória futura, que V.Exa. preferiu prejudicar milhões de pessoas, tornando o seu já difícil quotidiano num inferno ainda maior, a despedir incompetentes boys que outro mérito não têm que não seja o de possuírem um cartão partidário.

Cumprimentos,

Carlos de Sá
Vila Nova de Famalicão