O candidato é da Iniciativa Liberal, o discurso é do Chega

Como em qualquer partido, existe, no IL, gente boa e gente menos boa. Pessoas honestas e trafulhas. Gente trabalhadora e parasitas sociais. Pessoas verdadeiramente liberais e aspirantes a tiranetes, para quem o liberalismo se resume a pagar menos impostos e a impor uma selva económica onde impere a lei do mais forte, restando ao mais fraco o tradicional “desenmerda-te”.

Não sei em qual das categorias se insere o candidato da IL à CM de Viseu, se é que em alguma, mas sei isto: alguém que se refere às suas adversárias políticas como “as mal fodidas das fachistas feministas de género” não fala o idioma do liberalismo. Fala o da extrema-direita. E não, não se trata de um caso isolado. Não é a primeira vez que Fernando Figueiredo usa este tipo de discurso onde o ódio, a misóginia, o insulto e/ou a javardice em bruto andam de mãos dadas. Talvez por isso a sua conta no Twitter tenha sido desactivada. Porque se o candidato é da Iniciativa Liberal mas o discurso é do Chega, não estamos apenas perante uma incoerência. Estamos perante uma fraude ideológica. Ou, quiçá, perante uma tendência que vamos vendo um pouco por toda a Europa, protagonizada por autocratas que desprezam a liberdade e a democracia, mas que não deixam de servir os interesses económicos da elite que nos comanda. Liberais na economia e fascistas – assim mesmo, com “sc” – nos costumes.

É por estas e por outras que o MEL tem tudo para correr bem. Em particular para André Ventura.