E você? Ainda tinha dúvidas sobre André Ventura?

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via Expresso

Num artigo de opinião que é um rasgado elogio a Matteo Salvini, André Ventura mostra-nos, caso não tenhamos reparado, quem é, quem são as suas referências e ao que vem. Um estado mínimo e autoritário, propaganda populista, demagoga e desonesta, menos impostos para os mais ricos e desrespeito pelas instituições democráticas. Em linha não só com Salvini, mas também com Bolsonaro, Trump ou Orbán. O tal plano B das brigadas neoliberais. [Read more…]

O califa de Mar-a-Lago

No espaço de uma semana, três atentados terroristas nos EUA ceifaram a vida a mais de 30 pessoas. Primeiro na cidade californiana de Gilroy, de seguida em El Paso, cidade fronteiriça de New Mexico, e, finalmente, em Dayton, Ohio. E se é certo que tiroteios são o prato do dia nos EUA, o elevado número de atentados em tão curto espaço de tempo é revelador destes tempos sombrios, ainda mais sombrios do que aqueles a que fomos habituados pelo Tio Sam. [Read more…]

A corrupção de Moro

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O cerco aperta-se em torno de Sérgio Moro. O juiz brasileiro, em tempos tido como uma espécie de herói nacional, é, afinal, um player politico de longa data, que usou o seu poder e influência de magistrado para manipular e condicionar o julgamento de Lula da Silva, favorecendo, de forma objectiva e intencional, a ascensão de Bolsonaro, que premiou Moro com um ministério, por serviços prestados à extrema-direita brasileira. E não, não se trata de defender Lula da Silva. Trata-se de constatar dois factos: que o julgamento do antigo presidente foi uma farsa, encenada pelo Ministério Público brasileiro, e que esse Ministério Público, comandado à distância por um juiz que se está nas tintas para a separação de poderes, se deixou corromper e mentiu os brasileiros. Não admira que Bolsonaro o tenha escolhido.

O canto da sereia russa

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Heinz-Christian Strache, líder da extrema-direita austríaca, foi apanhado com as calças na mão em Ibiza, meses antes das eleições que fizeram dele vice-chanceler do governo de Sebastian Kurz. Numa gravação feita com câmara oculta, divulgada por jornais alemães, Strache discute a troca de contratos públicos, caso fosse eleito, por apoio eleitoral, e ainda explica à sua interlocutora como contornar as leis do financiamento partidário.

Temos evasão fiscal, financiamento ilegal e corrupção, e a extrema-direita a deixar claro que é igualmente permeável aos piores vícios que corroem os partidos tradicionais, apesar de incomparavelmente mais autoritária, intolerante e perigosa. A fachosphère de Salvini, pura, casta e a lutar contra a corrupção nas horas vagas, não resiste ao canto da sereia russa. Seja a armadilha da falsa oligarca, seja o chamamento de Putin, esse grande mecenas do novo fascismo europeu.

Putin e os eurofachos

Salvini teve uma vitória estrondosa. Marine Le Pen venceu em França, Farage no Reino Unido e Orban, do respeitável PPE, confirmou o domínio absoluto sobre a Hungria. O que une estes quatro vencedores das Europeias, dois dos quais em estados fundadores da Comunidade que deu origem à União?

Para além da preferência pelo fascismo, une-os um ideólogo, Steve Bannon, incansável durante os meses que antecederam a eleição e focado em destruir o que resta da União, e um líder, função que, em alguns casos, acumula com a de financiador. O seu nome é Vladimir Putin.

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A Coreia do Norte é uma democracia, Bolsonaro dixit

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A designação oficial da Coreia do Norte é República Popular Democrática da Coreia. Lamentavelmente, tal nomenclatura nunca garantiu grande popularidade, fora ou dentro de portas, com a excepção da pequena cúpula do poder que dirige o regime com mão de ferro. Muito menos se trata de uma democracia. É, aliás, a sua antítese. [Read more…]

Carla Diaz, uma actriz brasileira transformada em perfil falso de apoio ao PNR

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Inspirado, quiçá, no sucesso da saudosa Maria Luz, entretanto falecida, um activista da extrema-direita portuguesa decidiu apostar numa fórmula clássica e entrou no mundo dos perfis falsos de disseminação de propaganda política, usando como isco virtual fotografias da actriz brasileira Carla Diaz. [Read more…]

Terrorismo fascista

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A Nova Zelândia, um país pacífico que ocupa o topo da cadeia alimentar das nações mais desenvolvidas e com maior qualidade de vida do planeta, foi na Sexta-feira palco de um atentado terrorista, o mais grave da sua história (se é que houve outro), que resultou em dezenas mortos e feridos.

O autor do atentado é um terrorista de extrema-direita, que afirma inspirar-se em personagens sinistras como Anders Breivik, e que elogia Marine Le Pen e Donald Trump como “símbolo de identidade branca renovada”. A agenda da violência, da intolerância, do racismo e da islamofobia começa a colher os seus frutos. [Read more…]

CHEGA: a ludibriar a lei antes mesmo de existir

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Fotografia: João Relvas/Lusa@RTP

Depois de anos ao serviço de um dos dois partidos que manda nisto tudo, sem que se lhe conheça, até à saída estratégica, uma crítica que seja ao caciquismo, as danças de cadeiras entre o público e o privado, aos escândalos de corrupção, tráfico de influências, peculato ou gestão danosa, quando protagonizados pelos seus pares partidários, André Ventura arquitectou um projecto pessoal chamado Chega, com uma agenda que em (quase) tudo se confunde com a da extrema-direita. [Read more…]

Alessandra Strutzel, a merda que resulta do politicamente incorrecto

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Este monstro cruel e hediondo, que dá pelo nome de Alessandra Strutzel, está longe de ser um caso isolado. A blogger brasileira é até bastante representativa daquilo que é parte muito significativa do eleitorado de Jair Bolsonaro, repleto de defensores da violência indiscriminada, que sonham com o regresso da tortura e com fuzilamentos à moda antiga, que querem ser livres para espancar homossexuais, e quem diz homossexuais diz a própria mulher, ou outra mulher qualquer, e que desejam armas, muitas armas na rua. Gente que celebra o torturador Ustra ou a morte de Marielle Franco. É deste tipo de “gente” que estamos a falar. [Read more…]

E você, caro leitor, também sente vergonha pelo estado a que isto chegou? É bom que sinta, porque a culpa também é sua

Estive a ver o último episódio do programa Linha da Frente, na RTP3, que aconselho vivamente. Acho até – correndo aqui o risco de ser acusado de totalitarismo por algumas almas mais coniventes com este tipo de práticas – que devia ser de visualização obrigatória. Se em algum momento se sentir envergonhado, caro leitor, é normal. Até porque a culpa pelo estado a que isto chegou é um pouco de todos nós. [Read more…]

Com Bolsonaro, ambiente e minorias são para exterminar

JB

Na passada Quinta-feira, um grupo de madeireiros armados invadiu uma reserva indígena no Brasil, com o objectivo de a ocupar e extrair madeira. Ao arrepio da lei. Agora, o confronto entre indígenas e madeireiros poderá estar iminente. Sorte a dos madeireiros, têm Bolsonaro do seu lado. Porque com Bolsonaro, o novo ayatollah dos pés de goiaba, ambiente e minorias são para exterminar.

Mário Machado, Manuel Luís Goucha e outros perigos, como o politicamente correcto

Já aqui se falou dessa grande maleita que é o politicamente correcto, que, ao que tudo indica, está a destruir a sociedade ocidental, e cuja solução, verdadeiramente mágica, passa pela introdução de mecanismos de repressão e censura, operados pela sempre abnegada extrema-direita.

Quem também teme essa tal de ditadura do politicamente correcto é Manuel Luís Goucha, que em tempos não gostou de ser alvo do humor do 5 Para a Meia Noite e processou o programa. É por aqui que começa a valente sova retórica que Daniel Oliveira aplicou naqueles que, ao longo dos últimos dias, procuraram contribuir para a normalização do branqueamento de uma personagem sinistra, que participou em crimes horrendos, e que, independentemente de ter cumprido anos de prisão por esses crimes, continua a representar uma ameaça à sociedade e à democracia portuguesa. [Read more…]

A urgência de encarcerar Armando Vara

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Fotografia: Luís Barra@Visão

Armando Vara foi constituído arguido, no âmbito do processo Face Oculta, em Outubro de 2009. Em Fevereiro de 2011, foi acusado de três crimes de tráfico de influência pelo Ministério Público. Em Setembro de 2014 foi condenado a 5 anos de prisão efectiva pelo tribunal de primeira instância. Recorreu para a Relação e perdeu o recurso. Recorreu para o Supremo e o recurso não foi admitido. Recorreu para o Constitucional que, em Julho deste ano, recusou o último recurso. [Read more…]

A Venezuela europeia da direita portuguesa

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Viktor Orban, o fascista que a imprensa controlada pela extrema-esquerda apelida de conservador, não vá a PIDE do politicamente correcto fazer-lhes uma visita, deu mais um passo no sentido de fazer a Hungria Great Again.

A poucos dias do Natal, para que não restassem dúvidas sobre a matriz católica apostólica romana que o norteia esta nova Hungria, onde a extrema-direita assume, sem rodeios ou cosmética, o namoro com neoliberalismo, Orban decidiu aumentar de 250 para 400 o número de horas extraordinárias anuais que o patronato pode exigir aos seus trabalhadores – e aqui a palavra “seus” assume contornos notoriamente esclavagistas – bem como de um para três anos o prazo-limite para proceder ao seu pagamento. [Read more…]

Coletes Amarelos: “porta-te bem, senão voto nos fascistas”

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No reino da grande fogueira virtual, uma velha ameaça paira no ar. Fartos de tanta corrupção e compadrio, fartos da impunidade e do descaramento, os zés e as marias entrincheiraram-se nas redes sociais, onde descobriram outros zés e outras marias que partilham a sua indignação. E todos os dias, sem excepção, uma massa indignada de zés e marias cresce, alimentando-se de likes, partilhas e retweets, e torna-se audível demais para ser ignorada, ainda que desorganizada demais para se emancipar do abstracto.

Inevitavelmente, o inorgânico é capturado pela primeira força organizada que consiga infiltrar-se. Fundamentalistas religiosos, extremistas políticos, um maluco qualquer. E pode resultar em encenações primaveris, na eleição de um Bolsonaro ou noutra maluqueira qualquer. O mais comum é dar merda, e na maior parte dos casos dá, mas tal não retira legitimidade às reivindicações que se fazem ouvir. [Read more…]

Resta saber se serve…

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O Conselho Constitucional francês validou a primeira lei europeia especificamente contra a manipulação da informação on-line em período eleitoral (a aplicar nos 3 meses anteriores ao primeiro dia do mês das eleições), salientando que apenas devem poder ser eliminadas das plataformas de distribuição:

1) As informações manifestamente falsas ou enganadoras (e não as paródias, as informações parcialmente inexactas ou simplesmente exageradas);

2) relativas a factos (não abrangendo, portanto, as opiniões);

3) que possam condicionar, de forma manifesta e objectivamente demonstrável, a sinceridade da eleição; e

4) que sejam distribuídas de modo automático, massivo e deliberado.

A eliminação é requerida judicialmente através de processo sumário, devendo o juiz decidir no prazo de 48 horas.

A lei requer aos operadores de plataformas on-line cuja actividade exceda, em França, um certo número de conexões, que forneçam aos utilizadores informações leais, claras e transparentes sobre 1) a identidade das pessoas singulares ou colectivas que pagam à plataforma para a promoção de conteúdos informativos relacionados com um debate de interesse geral (isto é, com o acto eleitoral a realizar), 2) o montante de tais remunerações, se for superior a um determinado limiar fixado por decreto, e 3) o uso que é feito, como parte desta promoção, dos dados pessoais dos utilizadores. Esta informação é agregada num registo disponibilizado ao público e actualizado regularmente durante o período em questão. O incumprimento destas regras pode dar lugar a um ano de prisão e a uma multa de 75.000 euros.

A lei prevê ainda o estabelecimento, pelos operadores das plataformas on-line, de um sistema que permita aos seus utilizadores assinalar informações falsas e vincula esses operadores a aplicar medidas adicionais que podem incluir a transparência dos algoritmos ou a luta contra as contas que promovam a divulgação massiva de informações falsas.

Vista com estas reservas, parece ser uma lei equilibrada e necessária para fazer frente à intoxicação da opinião pública que a extrema-direita vem desenvolvendo de forma metódica e sistemática, na Eu ro pa, nos Estados Unidos e no resto do mundo, cavalgando sem escrúpulos o descontentamento das populações com os vícios dos sistemas políticos e a tibieza das políticas públicas.

 

 

Salazar e a fábula do homem humilde e incorruptível

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Já todos ouvimos a fábula. Contam-na lealistas, saudosistas e ermitas do armário, ermitando por vezes no seio de partidos ditos democráticos. Aqueles que, como eu, perdem tempo demais no Facebook, com certeza já se terão cruzado com diferentes montagens, exibindo um Salazar em pose de estadista, acompanhado por dizeres que vão mais ou menos assim: “no tempo dele… blá blá blá… humildade… blá blá… não era corrupto…blá… não se deixava instrumentalizar pelos poderosos…blá blá”.

Há também a outra fábula, aquela do “morreu pobrezinho”, mas essa o Rui Curado da Silva já aqui contou. Foquemo-nos, então, nesta outra forte tendência entre a extrema-direita das catacumbas virtuais, que para além de correr com os emigrantes – ignorando, porque convém, que em 2017 viviam 2,3 milhões de portugueses lá fora, ao passo que aqui vivem actualmente cerca de meio milhão de imigrantes – prender os políticos todos, e de caminho abolir a democracia representativa, castrar quimicamente todos os pedófilos, e se possível a comunidade LGBT, e subtrair uns quantos direitos adquiridos em nome da tradição ou da religião, procura também pregar a velha fábula do homem humilde e incorruptível.

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Eleições Andaluzia

E continua-se a assobiar para o lado

Distracções

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Noam Chomsky considera Donald Trump uma distracção. E talvez o seja. Enquanto milhões se agarram aos televisores e ao Twitter, para visualizar ou ler a mais recente palermice ou machadada na credibilidade dos EUA, vendem-se armas a facínoras, cozinha-se a próxima crise financeira mundial e o 1% aproveita as borlas fiscais para fazer o seu capital great again, antecipando a época de saldos que chegará quando o próximo Lehman Brothers cair. [Read more…]

Checks and Balances

EUA

Hoje, os norte-americanos regressam às urnas para uma eleição intercalar que poderá dar um de dois importantíssimos sinais ao mundo. Podíamos entrar aqui numa discussão muito em voga, sobre a verdade e a mentira na era dos factos alternativos, mas o Partido Democrata não é propriamente uma entidade impoluta. Contudo, vivemos tempos conturbados, em que as disputas entre esquerda e direita, liberais e conservadores, se tornaram praticamente irrelevantes perante a grande batalha do século XXI. Uma batalha pela liberdade, ou pelo que resta dela, contra os novos autocratas que emergem das democracias liberais para acabar com elas.  [Read more…]

Enternecedor

O texto de David Dinis aos seus “amigos do Observador (e à Assunção Cristas)” é um exercício de caridade estratégica. Sem rejeitar que dirigiu um instrumento da direita radical (“projecto”, nas palavras dele), deixa uns recados à trupe de lá.

«Explicar “porque os brasileiros votam em Bolsonaro” [João Marques de Almeida], como tenho visto por aí insistentemente, é normalizar um candidato que é um evidente candidato a ditador. Dar voz a quem diz que “Bolso não é besta” [Filipe Samuel Nunes], argumentar que o problema está na agonia da esquerda brasileira [José Augusto Filho], atirar que há “ódio a quem os desmascara” [José Mendonça da Cruz], irritarem-se contra o “fascistródomo” [Helena Matos] e gritar “Vocês Também Não!” [Rui Ramos], com hashtag e sem espaços, é dar um empurrão ao que Bolsonaro fez na campanha: espalhar o ódio, fazendo uma apologia constante da violência – como fizeram os maiores ditadores da história do século XX, aqueles que vocês tão bem sempre denunciaram nos livros da história.» [David Dinis]

É enternecedor ver David Dinis explicar a João Marques de Almeida, Filipe Samuel Nunes, José Augusto Filho, José Mendonça da Cruz, Helena Matos e a Rui Ramos coisas simples da democracia. Com um recadinho directo a Assunção Cristas, explicado-lhe coisas ainda mais simples.

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A extrema-direita a meter o focinho de fora

Jaime Nogueira Pinto votaria em Bolsonaro. Afirma que as declarações do facho são uns meros “excessos retóricos” e que a esquerda apenas anda a tecer um “processo de intenções”. Face ao que o facho brasileiro tem dito sobre a intenção de silenciar os seus opositores políticos e dado o apoio sem reticências do Nogueira Pinto a este candidato, é a altura certa para pedir uma actualização de posições quanto ao tema “ai jesus que calaram o Jaime”. Chamam-se a recepção os excitados Mário Amorim Lopes, Rui Carmo, ente outros, incluindo toda a redação do Observador.

Entre rodriguinhos, Luís Nobre Guedes diz que iria votar no Bolsonaro, caso fosse brasileiro, por causa da corrupção do PT. Vejamos, este é um destacado membro do partido onde o Jacinto Leite Capelo Rego doou um milhão de euros ao CDS em notinhas. Foi o ex-ministro do ambiente que assinou o despacho que deu origem ao caso Portucale. Pertence ao partido onde os submarinos comprados por Portas tiveram condenados por corrupção na Alemanha, sem que ninguém tenha sido condenado em Portugal.

Por fim, há Cristas e o seu apoio dissimulado. Mais virão, ou não tivesse uma multidão passado de salazaristas a democratas num espaço de horas em 1974.

Em direcção ao precipício

 

A estratégia de ódio, desinformação e mentira, desta perigosíssima extrema-direita reeditada, mas igualmente violenta e intolerante, alimentada por Trump e respectivos apóstolos, começa a dar frutos.

Na Quarta-feira, vários engenhos explosivos foram encontrados nas residências de figuras de relevo do Partido Democrata, como Barack Obama e Hillary Clinton, e na redacção da CNN, os “inimigos do povo”, como o troglodita americano gosta de lhes chamar. Ontem foi a vez de Robert de Niro, que não é politico, mas que não poupa nas críticas a Trump. [Read more…]

O poder absoluto do parceiro fascista do PSD

Orbán Viktor; VAN ROMPUY, Herman; MERKEL, Angela; DURAO BARROSO, José Manuel

Viktor Orbán, um daqueles fascistas a que a imprensa do costume gosta de chamar conservador, conseguiu a terceira maioria absoluta na Hungria. Viktor Orbán e o seu Fidesz, que lutam pela reintrodução da pena de morte na União Europeia e pelo envio de imigrantes para “campos de internamento” de trabalhos forçados. Que os perseguem e espancam, mulheres e crianças incluídas, porque na Síria e no Afeganistão ainda não sofreram o suficiente. Que são saudados pelos seus pares, apesar de integrados numa família política europeia que se diz democrática e defensora dos princípios basilares sobre os quais a União Europeia foi fundada. Cujos deputados europeus se sentam na mesma bancada que Nuno Melo ou Paulo Rangel, sempre tão disponíveis para nos falar sobre os horrores da era da Geringonça, mas sempre tão cobardemente calados quando o tema é o seu parceiro Orbán. Se bem que, se for para fazer comparações imbecis e desonestas, como as que fez o suprassumo académico Poiares Maduro, mais vale mesmo estarem calados.

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Gente perigosa

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O Expresso destaca na edição online um relatório de segurança que alerta para os grupos de extrema-direita e de extrema-esquerda em Portugal. Um tipo lê um título destes e fica a pensar que existem em Portugal organizações de extrema-esquerda que espancam emigrantes até à morte ou que bloqueiam ruas para levar a cabo batalhas campais urbanas.

Porém, ao ler a notícia, a desilusão abate-se sobre este tipo. Afinal, aquilo que é referido no tal relatório, segundo o Expresso, é que alguns militantes portugueses não-identificados de grupos de extrema-esquerda não-identificados participaram em protestos violentos contra o G-20, na Alemanha. Isso, e, valha-nos Deus, ocuparam uns edifícios devolutos no Porto e em Lisboa. Isto sim, é gente perigosa.

A violência de extrema-esquerda é, felizmente, um fenómeno que não tem expressão em Portugal. Não que a violência da extrema-direita seja um grande flagelo, até porque não tem a dimensão que tem noutros países europeus, mas existe. Vimo-la no Prior Velho há uns dias atrás. Conhecemos os nomes de várias organizações. Sabemos quem são os seus líderes. Não façam de nós parvos.

Aconteceu em Loures

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via Expresso

Deparo-me com alguma frequência com artigos de opinião, publicados em jornais ditos de referência deste país, que me alertam para o perigo da extrema-esquerda portuguesa, essa herdeira do mais violento estalinismo, que planeia secretamente uma golpada com vista à instauração de um regime totalitário.

Esta corrente de opinião, que se alimenta do clima de medo para o qual contribui activamente, vive da exploração incansável das emoções e dos sentimentos mais básicos e primários do ser humano. Não obstante, em certos e determinados projectos políticos disfarçados de comunicação social, assistimos à desvalorização da violência da extrema-direita nacional, que já chegou inclusivamente a ser romantizada por um desses projectos encapotados. [Read more…]

Dedicado aos fans portugueses de Donald Trump

Que Trump tenha apoiantes nos EUA, um Estado que tem tanto de genial como de retrógrado, eu até compreendo. Gajos que vêm a Fox e têm as Kardashians como referência só podem ser presas fáceis para quem anda no negócio de fazer os outros de otários. Que haja, aqui em Portugal, uma série de imbecis e Marias Vieiras, uns mais envergonhados que outros, a fazer deste grunho um herói, já é algo que me ultrapassa. Já me ultrapassou mais, claro, que num país onde ainda tantos fachos vestidos de conservadores, social-democratas e liberais suspiram por Salazar e pelo respeitinho a toque de cassetete, e onde qualquer vómito televisivo com 10 ratinhos de laboratório fechados numa casa repleta de câmaras, com os personagens mais acéfalos e parolos, bate recordes de audiências, já nada disto pode surpreender. [Read more…]

Da série “é preciso comprar o Expresso para saber o que se passa no país”

O desfecho das eleições alemãs está em destaque na edição online do Expresso e ocupa o topo da página web. Entre as várias peças, citações e considerações, há um nome que se destaca: Pedro Passos Coelho. O líder da oposição está preocupado com a extrema-direita alemã mas, assegura, o que se passa no domínio da chanceler nada tem a ver com a situação portuguesa. Até porque, pelo menos por enquanto, nada mais por cá há do que um partido fascista sem expressão eleitoral e um outro, outrora moderado, que apoia um candidato que foi acusado de roubar o discurso da extrema-direita. Um candidato xenófobo com sonhos molhados sobre penas de morte e castrações químicas. Pelo que importa dar destaque à preocupação de Passos Coelho com a ascensão da extrema-direita, não vá essa esquerdalhada injusta e ingrata querer ligar o homem a gente dessa. Ainda bem que temos o Expresso para saber o que se passa no país.

Uma nuvem suástica que paira sobre Berlim

Fotografia: Bernd Settnik/DPA@Berliner Morgenpost

Com as urnas fechadas e os votos contados, as conclusões a retirar destas legislativas alemãs parecem-me muito óbvias: a CDU/CSU de Angela Merkel sofre uma queda aparatosa, dos 45,3% de 2013 para 33%, o SPD de Martin Schulz obtém o pior resultado de sempre, ficando-se pelos 20,5%, após os 29,4% de 2013, e o grande vencedor do acto eleitoral é o partido de extrema-direita AfD, que nas eleições de 2013 não conseguiu eleger um único deputado e que agora consegue uma votação de 12,6% e 94 dos 709 assentos disponíveis no Bundestag. [Read more…]