Extrema-Insciência

Desde 2015, depois de Bloco de Esquerda e Partido Comunista terem feito um acordo de governação com o Partido Socialista, que se repete uma ladainha que, antes, não tinha a proporção extremada que hoje tem. Essa ladainha desonesta acentuou-se em 2019, depois da entrada do CHEGA na Assembleia da República, com a ajuda de outra direita que, no mesmo ano, também entrou pela primeira vez na AR. Curiosamente, estes dois novos partidos de direita têm como bandeira “acabar com o socialismo”. Onde é que já ouvimos esse discurso, na História?

Essa estória do diabo, dizem-nos os carrascos do socialismo, afirma sem pejo que BE e PCP são representantes da extrema-esquerda no Parlamento português; narrativa que nunca teve grande dimensão antes da entrada e ascensão da extrema-direita e dos ditos liberais no panorama político-ideológico português. Esta é uma narrativa pífia de argumentação válida, sem afirmações concretas sobre o extremismo de esquerda representado, na cabeça destes senhores, pelos dois partidos à esquerda do PS. Ignoram a diferença etimológica entre “extremista” e “radical”, e nem por haver uma extrema-direita que põe em causa a Democracia, as instituições e as leis fundamentais do país impressas na Constituição, conseguem os iluminados dos extremismos reivindicar duas características que sejam, desde que há regime democrático, exemplo do extremismo de esquerda, inversamente proporcional ao extremismo de direita de André Ventura e Cª. Se ao PCP, durante o PREC, se pôde apontar o dedo (como se pôde apontar o dedo às forças reaccionárias contra-revolução, como o eram o CDS-PP – e ninguém, hoje em dia, no seu perfeito juízo, considerará o partido democrata-cristão de extrema-direita), hoje em dia não faz sentido colocar no mesmo saco de extremos opostos o PCP, o BE e o CH, pelas razões que aponto no supracitado. [Read more…]

Quando o mentiroso é ideológico

«No dia das mentiras, no esquerda.net foi lançado um artigo fiel à identidade do Bloco. O texto é de Bruno Maia, médico neurologista. Também é ativista, claro está. O que podemos ler neste texto é mais uma mentira e uma tentativa de colar os liberais a regimes ditatoriais.»

No preâmbulo do seu último artigo aventaresco, o meu colega Francisco Figueiredo decidiu ir pelo caminho da lama. Tendo o Francisco, como bom liberal que é, uns Stan Smith brancos calçados, desaconselharia o caminho lamacento, envolto em pó e poeira, pelo qual os liberais tanto gostam de caminhar. Desaconselho, por duas razões:

1 – O liberal Francisco Figueiredo não entendeu o texto que leu;

2 – Ao não o entender, mesmo assim, sentiu-se tocado pelas “mentiras de sempre sobre liberais”, cito, e, por tal, enfureceu-se escrevendo um rol de disparates ideologicamente mentirosos.

Vamos a factos. No seu artigo, lançado no primeiro dia de Abril, Bruno Maia, médico neurologista, intitulado “A ideologia liberal é antiga”, faz uma analogia entre o que hoje defendem os neo-liberais para a saúde (e basta consultar programas dos partidos para o aferir) e o que defendia e praticava o Estado Novo. O que defende, então, o Iniciativa Liberal para a saúde? Queremos mais liberdade para decidir onde queremos ser tratados.”: é o mote do partido para a sua defesa do reforço dos privados e o enfraquecimento do Serviço Nacional de Saúde; diga-se, é essa a proposta do IL: reforçar o capital, aumentar os custos e deixar morrer, aos poucos o SNS, mantendo-o magro e em serviços mínimos (sim, os Mr. Burns da política dir-vos-ão que não, que o objectivo será manter um SNS de serviços mínimos que garanta aos pobres o seu acesso e, por outro lado, dar mais autonomia aos privados – aqui, dir-vos-ão que o objectivo é que mais gente tenha acesso ao privado). Dado o mote, o partido discorre meia dúzia de medidas que acha necessárias para alavancar a saúde que defendem. Passo a enunciar um par delas: [Read more…]

22 anos de Bloquismo

Este fim-de-semana, o Bloco de Esquerda comemorou 22 anos. É um dos maiores partidos e tem uma importância incontornável na nossa História. Infelizmente, é pelos piores motivos. Há 22 anos, nasceu um partido que viria mobilizar pessoas pelas piores características que o ser humano tem: o ódio e a inveja.

A extrema-esquerda ganhou mais forma e está mais do que normalizada, o que é um mérito do Bloco, verdade seja dita. Normalizamos um partido com um espírito antidemocrático. O Bloco é o partido que facilmente critica instituições enormes que promovem a paz, mas que não consegue criticar organizações terroristas. O Bloco é o partido que faz manifestações contra Estados de outros países, mas que não se revolta com ataques ao Estado de Direito de quem lhes deu a mão. O Bloco é o partido que relativiza assaltos a bancos, mas que condena de forma veemente um momento asqueroso de um adversário político. O Bloco revolta-se facilmente, e bem, com atitudes de um ex-presidente dos EUA, mas pouco se indigna sobre bombardeamentos quando muda a pessoa. O Bloco quer policiar pensamentos, no entanto faz manifestações pela liberdade artística de um rapper espanhol. [Read more…]

Notas sobre as Presidenciais 4: a esquerda identitária no divã

Esta nota poderia chamar-se “o Bloco de Esquerda e a ala esquerda do PS no divã”, até porque o PCP, não sua ortodoxia conservadora, é um partido com uma matriz ideológica e programática muito diferente da restante da esquerda, mas este é um problema que não se resume à esquerda partidarizada, mas também ao eleitorado flutuante que, sendo de esquerda, não tem uma lealdade partidária cristalizada.

Quando o Bloco surgiu, alguns já não se lembrarão, teve uma entrada ainda mais fulgurante no panorama político português do que o Chega, num tempo em que não se arregimentavam pessoas nas redes sociais com dinheiro, marketing e algoritmos, mas com propostas concretas e contactos nas ruas, nas empresas ou nos fóruns culturais. Na eleição de 1999, ano de fundação do Bloco, o partido elegeu dois deputados para a Assembleia da República e o foco estava nas grandes questões que verdadeiramente interessam aos excluídos, aos revoltados e aos esquecidos pela macrocefalia lisboeta: rendimento, desigualdade, emprego, acesso ao elevador social. E sim, também lá cabiam outras causas, também elas importantes e estruturais, como o combate ao racismo e à xenofobia, os direitos da comunidade LGBT, o feminismo e outras causas mais identitárias. [Read more…]

Eu cá, Tu lá

João L. Maio

O Bloco de Esquerda já sabia, antes de sequer iniciar qualquer negociação, que o Governo iria fazer os malabarismos do costume para sair a ganhar das negociações para o Orçamento de Estado para 2021 a todo o custo. Fê-lo nos outros orçamentos e este não seria excepção. Tem por hábito o PS baralhar e dar a bel-prazer. Mas o BE não cedeu a chantagens ou a ameaças de crise política, quando a bola esteve sempre do lado do Governo.

Não nego que votar contra o OE’21 é incoerente com o caminho que vinha sendo traçado até aqui desde 2015, com altos e baixos, mas com uma solução de esquerda para Portugal. Mas ficou claro, durante estes últimos cinco anos, que só um partido ganhou com a “geringonça” e esse foi o Partido Socialista.

Depois de reveladas as posições do PCP e do PAN, e tendo quase por certo que bastarão os 108 deputados da bancada socialista e o voto a favor de uma das deputadas não-inscritas (ou do PEV) para o orçamento passar, o Governo ficou com a certeza que não precisava do BE para nada. Posição que, aliás, sempre pareceu demonstrar. A altivez com que António Costa e outros membros do PS se referem e dirigem ao BE não mostra abertura à negociação, antes uma postura autoritária baseada no “eu quero, posso e mando”. Mas, em democracia, não é assim que funciona; e o PS devia sabê-lo melhor do que ninguém. [Read more…]

Menos combate ideológico

[Francisco Salvador Figueiredo]
Em tempos de emergência, a esquerda escolheu usar uma doença para criticar os liberais e defender as suas ideias.
Os liberais, por outro lado, optaram por chegar a soluções com qualquer partido de qualquer espectro político.
Se vos disseram que ser liberal é odiar o Estado, enganaram-vos. Ser liberal é acreditar na capacidade do indivíduo. Depois de meses com o único partido liberal a apresentar modelos que já resultaram, chegou a hora de mostrar que também é um exemplo de seriedade. Ao contrário do Bloco.
Para o Bloco, o combate ideológico é mais importante do que a vida das pessoas.
O Bloco é porco, nem mais, nem menos do que isto.

A efectiva e ineficaz aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 e o direito de contatar

It’s pretty much what I said before.
— Noam Chomsky

With the communicative paradigm, it has been recognised that the goal of getting foreign/second language learners to have perfect pronunciation may be unrealistic and inappropriate (Jenkins, 1998). Instead, it has been suggested that the goal in teaching pronunciation should be “intelligibility” (Kenworthy, 1987) and “communicative efficiency” (Harmer, 1993).
Gölge Seferoğlu

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O Acordo Ortográfico de 1990 é efectivamente (ou seja, de facto) aplicado assim:

Isto é, o Acordo Ortográfico de 1990, de facto (ou seja, efectivamente), não é aplicado — se fosse aplicado, perder-se-ia o brilho desta habitacção:

Quanto ao sítio do costume, continuamos sem novidades:

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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A camarada Isabel Vaz e o barulho que o Bloco faz

 

Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde, insurgiu-se recentemente contra a influência do Bloco de Esquerda. Segundo a gestora, que mostrou desagrado com o barulho que o Bloco faz, apesar do seu reduzido peso eleitoral, Portugal é “um Estado que é controlado pela Catarina Martins”. Bons velhos tempos em que o CDS era o único partido de expressão eleitoral reduzida, que fazia barulho e a ocasional chantagem sobre um qualquer Passos Coelho, com vista a promover o líder a vice-primeiro-ministro. [Read more…]

A discriminação dos professores contratados

Imagina que o teu horário de trabalho era de 40 horas semanais, mas o teu patrão só considerava 20 para efeitos de Segurança Social.
É precisamente o que se passa actualmente com os professores contratados. Têm horários incompletos e por isso mesmo as escolas só lhes fazem descontos pela componente lectiva, ou seja, pelas horas dadas efectivamente em sala de aula.
O Ministério da Educação paga essas horas e os professores trabalham-nas, mas no fim da carreira, quando chega a reforma, é como se essas horas não existissem. Os professores contratados não prepararam aulas, não estiveram presentes em reuniões, não fizeram nem corrigiram testes.
Definitivamente, estamos a falar de uma classe à parte. A mesma que, aqui há 20 anos, era a única em todo o país que não tinha direito a subsídio de desemprego.
Governo de Esquerda? Um Governo que discrimina assim uma classe profissional, atropelando os seus direitos mais básicos, devia ter vergonha quando diz que é Esquerda.
Os Partidos que o apoiam também.
Quanto aos sindicalistas, não os aborreçam muito, que ao fim de um ano de trabalho árduo sem dar aulas já devem estar à espera de ir de férias.
9 anos, 4 meses e 2 dias? 9 anos, 4 meses e 2 dias? 9 anos, 4 meses e 2 dias?
Esqueçam! Este país não é para professores contratados… até porque nenhum sindicalista o é.

PNR: poderá o líder de um partido inconstitucional ameaçar quem quiser sem consequências?

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Lembram-se daquela vez que um grupo de militantes do Bloco de Esquerda marcou uma “manifestação” à porta da sede do PNR, com o objectivo deliberado de intimidar os pobres apreciadores de suásticas?

Lembram-se daqueles deputados do PNR que foram ameaçados de morte por dirigentes bloquistas?

Não lembram porque não aconteceu. O monopólio da violência política grunha está todo nas mãos de tipos como este. E já é tempo de cumprir a Constituição da República Portuguesa e ilegalizar este partido violento. Não pode valer tudo.

JM Branco: “Não vemos malta do povão, da ferrugem”

José Mário Branco no Jornal i sobre o Bloco:

Burguês?
Com certeza. Não vemos malta do povão, da ferrugem. É preciso procurar muito bem um operário do Bloco.

Os precários e os desempregados, dois dos principais setores da sociedade que mais sofrem, são um mar de gente no Bloco, quer entre os simpatizantes quer entre os aderentes. Enchem o Bloco de baixo para cima. Entre os quadros eleitos do Bloco, mesmo entre os mais mediáticos, a precariedade laboral é praticamente a regra. Quem conhece bem o Bloco, quem frequenta as suas concelhias da pequena à grande cidade sabe que desempregados e precários é mato.

Não, o Bloco não tem tantos operários como o PCP, é verdade. Mas o Bloco está muito mais implantado entre os setores da pobreza mais profunda do país. Alguns destes setores, o PCP tem vergonha de representar (este bitaite do J.M, Branco é muito colado ao que ouvimos do PCP quando critica o Bloco), como os beneficiários do RSI, as etnias minoritárias e os que nada têm e nada recebem (que não são assim tão poucos). O Comité Central do PCP tem muitos preconceitos sobre estes setores, muitos militantes até revelam em conversas informais que se tratam de malandros, ouvem-se mesmo comentários racistas. Mas o mais chato é que estes setores não são nada práticos para o PCP, não entram bem nas caixinhas controladas pelo Comité Central, nos sindicatos e nas organizações profissionais com e sem ferrugem. [Read more…]

O que tem o caso de Ricardo Robles de diferente dos outros

O que tem de diferente é que Ricardo Robles é do Bloco de Esquerda. E um membro do Bloco de Esquerda não podia fazer o que ele fez.
Perguntar-me-ão se um político de Esquerda não pode ser rico só porque defende maior igualdade social, defende os mais carentes da sociedade e ataca os males do capitalismo. Pode, claro, desde que consiga fazê-lo à custa do seu trabalho e não através de esquemas que ele próprio condena publicamente enquanto político.
Como cidadão, Ricardo Robles tem todo o direito de fazer especulação imobiliária, já que a lei o permite. Não pode é fazer especulação imobiliária enquanto, ao mesmo tempo, abre a boca nos comícios contra essa mesma especulação. Demitiu-se pressionado pelos acontecimentos quando nem sequer devia ter aceite o cargo a que concorreu nas últimas eleições.
Para o bem da Esquerda, espera-se que a carreira política de Ricardo Robles tenha terminado aqui. Pode sempre continuá-la no PS, onde se sentirá como peixe na água e onde ninguém o criticará por fazer o contrário daquilo que diz. Onde ninguém achará estranho que enriqueça à custa de cenas manhosas, despejos de senhorios com despedimentos por arrasto e ganhos imobiliários pornográficos em apenas quatro anos.
No PS, no PSD, no CDS… – afinal, é o que esses partidos têm feito, sem qualquer complexo de culpa, desde o 25 de Abril. Quanto ao Bloco de Esquerda, infelizmente, começo a temer que seja igual aos outros.
Não o é, claro. Mas se calhar porque nunca esteve no poder. Dêem-lhe umas décadas a mandar e verão se não se torna igual aos outros. Com o caso da Anita de Salvaterra de Magos, nem foi preciso tanto tempo. É azar que a titular da única Câmara Municipal do Bloco de Esquerda tenha sido acusada pelo Ministério Público de corrupção, com ajustes directos pelo meio, mas é um sinal. [Read more…]

Obviamente, tusaanngitsuusaartuaannarsiinnaanngivipputit

And I don’t dig what you gotta say
So come on and say it
Come on and tell me twice
Happy Mondays

The story I heard was: that tune, the lyric was ‘it’s there‘. “And when you were in the studio, you were like ‘it’s dare.” And they’re like: ‘it’s… it’s /ðɛː/. And you go ‘it’s /dɛː/’. And so they went: ‘and you know what? – just call it dare‘.
—  Chris Moyles

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Dana Frame Plant #1 Thorold, Ontario, Canada, 2010 © Edward Burtynsky, All Rights Reserved (http://bit.ly/2EjM1RW)

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Esta história contada por Moyles – mas desmentida, sem grande convicção, por Shaun Ryder –, sobre uma canção (de 2005) dos Gorillaz, é uma exemplar ironia, tendo em conta que a canção (de 1990) dos Happy Mondays citada na epígrafe começa justamente com o jogo /ˈθəːti/ (30 )-/ˈdəːti/ (dirty) . Enfim, com 24 Hour Party People, tudo é possível.

Adiante.

Pelos vistos, Luís Fazenda disse recentemente que o Bloco de Esquerda «está a reflectir sobre lei que impeça candidatura de condenados por determinados crimes». Curiosamente, [Read more…]

Incêndios: Bloco de Esquerda arrasa Governo

“Incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”

“Sabemos que as condições meteorológicas constituem uma variável importante no número de ocorrências de fogos florestais, mas não é legítimo responsabilizar apenas as condições meteorológicas como o Governo está a tentar fazer”, avançou. Para o dirigente bloquista, “a incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”.“Sabemos que a região sul da Europa e Portugal têm condições da floresta e meteorológicas propícias para a deflagração de incêndios, mas compete a um Estado competente colocar um dispositivo no terreno que permita contrariar os efeitos, tanto ao nível do ataque directo como da prevenção”, salientou o membro da comissão permanente do Bloco.“Não se conhecem deste Governo políticas florestais nem políticas de prevenção para a florestas”, acrescentou, sublinhando que, pelo contrário, o executivo tem apostado na liberalização do eucalipto e no ataque aos baldios, com a recente revisão da legislação.

O amigo de António Costa, os 13 ajustes directos da sua sociedade de advogados e os «velhos hábitos» do PS

Há alguns anos, António Guterres celebrizou a expressão «no jobs for the boys».
Não passava, como vimos, de um daqueles lugares-comuns que os políticos gostam de cuspir em véspera de eleições. A verdade é que, nos primeiros 6 meses, a picareta falante nomeou quase 5600 pessoas (quase metade para os gabinetes ministeriais) e chegou ao fim do mandato com um número de nomeações que nem José Sócrates nem Passos Coelho conseguiram atingir.
São os tais «velhos hábitos» do PS de que Catarina Martins falou ontem. «Velhos hábitos» que, como lembrou, são extensíveis ao PSD. Aliás, a reacção do anterior primeiro-ministro ao falar de Diogo Lacerda Machado é de uma hipocrisia notável, como se ele não tivesse feito igual ou pior. Mas o pessoal da Geringonça não é melhor. Vir criticar as declarações de Passos Coelho sem uma palavra que seja para criticar o PS nesta questão é ainda mais notável.
Quanto ao amigo do primeiro-ministro, é mais do mesmo. Primeiro, começou por representar o Estado sem qualquer vínculo nem retribuição e apenas pelo facto de ser… amigo do primeiro-ministro. Depois, lá vieram os tais dois contratos no valor de cerca de 30 mil euros. E agora, prepara-se para ser nomeado administrador da TAP depois de ter participado na solução negocial que está em vigor.
Pelo meio, vemos que a sociedade de advogados de que faz parte, a BAS, já recebeu quase 876 mil euros + IVA em 13 contratos de ajuste directo com o Estado desde que António Costa tomou posse como primeiro-ministro. Lá está, os amigos são para as ocasiões. [Read more…]

Um enorme embaraço para PCP e Bloco

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Não votei no PS mas votaria de boa vontade num projecto que envolvesse, em regime pré-eleitoral, uma aliança entre os três partidos que hoje concertam posições na Assembleia da República. Se é para estarmos sob chantagem da Europa, reféns do terrorismo financeiro, antes um governo que garanta alguma dignidade aos portugueses do que uma caranguejola de sabujos da precaridade, a salivar por mais empobrecimento e pelo desmantelamento do Estado Social.

Agrada-me particularmente que esta aliança não tenha descaracterizado os partidos que a constituem, em especial PCP e Bloco, que não deixaram de colocar o executivo de Costa contra a parede sempre que tal se exigiu, sendo o caso mais recente aquele que envolveu a tentativa de descida da TSU como moeda de troca para o aumento do salário mínimo. Ao contrário deste PSD, com a sua espinha dorsal de caracol, PCP e Bloco sempre foram contra tal possibilidade e, porque não são um CDS oportunista, assim se mantiveram. A medida foi chumbada, Costa apresentou um plano B e a questão parece agora resolvida. [Read more…]

Muito obrigado, Pedro Passos Coelho

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Imagem via Uma Página Numa Rede Social

A revolta instalou-se porque o PSD se prepara para chumbar a descida da TSU, como forma de compensar o aumento do salário mínimo nacional (SMN). Honestamente, não percebo o frenesim. Mas alguém esperava que este PSD, dominado pela liderança mais radical de que há memória, fizesse o frete ao governo minoritário de António Costa? Francamente. [Read more…]

Mais um Passo(s) para delapidar o PSD

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Há 4 anos atrás era a favor. Há um mês atrás era a favor, de acordo com que o foi referido por um dos seus vices. Até a obsoleta Rádio Renascença deu com a marosca.
Hoje é contra, curiosamente, contra.

A questão é antiga mas ao mesmo tempo reveladora da desorientação geral em que vive nestes dias a liderança do PSD. Sem rumo político, quer no plano nacional quer na preparação das ansiadas autárquicas (nas quais, o PSD como histórico leader nacional e máquina caciquista que é pode estar à beira de um total e redondo colapso, colapso que certamente modificará muita coisa dentro do partido) com uma liderança de navegação à vista nos últimos meses, cheia das habituais posições modificadas, de ideias que oscilam entre o barato da feira da ladra e o horrível surreal e de uma choradeira sem fim (“porque fomos nós que ganhámos as eleições, pá”) aliada a uma desorientação colectiva no que diz respeito à preparação do acto eleitoral que se avizinha, denota-se a largas vistas que Coelho deu mais um Passos para a desgraça na questão do descida da TSU para as empresas caso a esquerda leve  a medida lavrada na concertação social a votação na AR.

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À atenção do Bloco e do PCP

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A Ana Moreno, no seu esforço hercúleo e permanente para alertar e denunciar os perigos do CETA e do TTIP, voltou ontem à carga:

Qual será a percentagem de portugueses que ouviram falar desse acordo que já foi assinado e será votado no Parlamento Europeu no próximo mês de Fevereiro? 1%? Não faço ideia, mas quando se pergunta aleatoriamente a alguém, mesmo na capital, ninguém conhece sequer a sigla.

Já dizia o outro: não te preocupes, está tudo bem. Que interesse têm dois tratados aborrecidíssimos, para os quais nos estamos nas tintas, e sobre os quais ninguém fala? Não devem ser assim tão importantes. Se fossem haveria mais debate, mais alertas. Mas alguma vez uma multinacional poderá processar um Estado pelas perdas de lucros geradas por algo tão simples como o aumento do salário mínimo nacional? Isso são disparates de teóricos da conspiração.  [Read more…]

Mais uma mentira descarada (e conjunta) do SOL e do I

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Ainda que se venham a retractar, este tipo de lixo jornalístico proliferará pela internet, transformando-se em verdade absoluta para uns quantos, os tais que condenam violentamente o Bloco por não aplaudir o monarca espanhol ao mesmo tempo que assobiam para o lado quando o PSD falta às comemorações da Restauração da Independência. Fica o comentário, objectivo e absolutamente claro, da Uma Página Numa Rede Social. Lembrem-se disto da próxima vez que os abutres vos bombardearem com o discurso imbecil da imprensa controlada pela esquerda. [Read more…]

O fim do Bloco e outras “zandinguices” de João Marques de Almeida

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Para um tipo que tem uma licenciatura, um mestrado e um doutoramento em Relações Internacionais, para além de ter leccionado e investigado na mesma área, João Marques de Almeida aparenta ter sérias lacunas analíticas. Pelo menos neste caso. Ou então é um daqueles que vende a honestidade intelectual por meia-dúzia de patacos. Talvez seja do ar que se respira na redacção do Observador ou, quem sabe, o facto de ter estado tempo demais exposto a Durão Barroso, de quem foi assessor.  [Read more…]

Deus apresentou queixa?

Russo está a ser julgado por negar a existência de Deus.

O cartaz que salvou a vida de um sapo (aquele que a direita quase engoliu)

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O cartaz do BE foi um erro de estratégia política inacreditável. Não por ter sido humor barato, não por ser um toma-cavaco-para-aprenderes, não por ofender algumas pessoas. Poderá ser um erro por todas estas razões, mas, quanto a mim, o Bloco fez um enorme favor à direita.

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E é assim que deve ser, disse o Senhor

Viviane e Samira tinham um pai e uma mãe.

O seu pai era duas pessoas

O seu pai era duas pessoas —

Um velho chamado José, que era carpinteiro,

E que não era pai dele;

E o outro pai era uma pomba estúpida,

A única pomba feia do mundo

Porque não era do mundo nem era pomba.

E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

                                                     Alberto Caeiro

Confesso que não tenho problemas com humor. Quando se trata de rir, não tenho nada sagrado. Consigo rir até daquilo que me revolta: acho imensa piada a Sócrates, a Passos Coelho e até a Cavaco Silva, por exemplo, mesmo sabendo que são três dos grandes problemas do país.

O cartaz do Bloco de Esquerda está a dar que falar e ainda bem, que a vida não pode ser só foras-de-jogo mal assinalados ou penalties por marcar. A piada sobre a dupla paternidade de Jesus não é das piores, mas já vi melhores. No que respeita a humor sobre Cristo ou sobre religião, é difícil sequer alguém aproximar-se de  A Vida de Brian ou do poema de Caeiro de que retirei um excerto para servir de epígrafe a este texto.

Felizmente, vivemos num país em que a liberdade de expressão ainda vai reinando, o que permitiu a muitos comentar o cartaz. Bom sinal. [Read more…]

A explicação de Portocarrero de Almada

Exactamente: «por certo em mau português». Aliás, péssimo. Efectivamente, horroroso.

Afinal, havia outro

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Há uns tempos, disse que as aspas eram matéria muito interessante. Efectivamente, ontem, as aspas teriam sido importantes. Se nos cartazes (sim, há dois) do Bloco de Esquerda houvesse aspas antes de ‘discriminação’ e depois de ‘adoção’, hoje estaria a apoiar o texto dos cartazes, embora considerasse estranha esta ilustração.

Isto é,

Parlamento termina “discriminação na lei da adoção”

obteria o meu aplauso, porque “discriminação na lei da adoção” e “discriminação na lei da adução” grafemicamente, como sabemos, correspondem exactamente ao mesmo, ou seja, são incompreensíveis.

Contudo, perante a ausência das aspas quer no cartaz da polémica quer nestoutro a quem aparentemente ninguém liga

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e porque hoje é sexta, digo-vos que estes cartazes têm a mesma qualidade do Diário da República desde Janeiro de 2012.

dre2622016

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Um cartaz lamentável

adoção2

Ficámos a saber que, além de estar «prevista uma sessão pública para discutir o tema», «pretendem convidar pessoas de organizações e de associações, entre outros participantes, que, de alguma forma, estejam ligados à causa». O objectivo, dizem, é  «continuar esta batalha na sociedade: mudar mentalidades, destruir preconceitos, chamar a atenção para estas questões». No entanto, apesar de um dirigente do Bloco de Esquerda ter dito que «ficarmos com três grafias (…) é absolutamente insustentável, não faz sentido nenhum, é de uma ilogicidade total”, insistem na ‘adoção’, ou seja, nas ‘aduções’. Lamentável.

Efectivamente.

dre 2422016

O triunfo das Mulheres do Bloco

Mulheres

Num país de valores antiquados e conservadores, a cena política é ainda dominada por homens. É certo que já tivemos Maria de Lurdes Pintasilgo a chefiar o governo durante escassos meses, Assunção Esteves a presidir à Assembleia da República e umas quantas ministras e secretárias de Estado, sempre em acentuada minoria face aos seus pares do sexo oposto, mas a verdade é que a política portuguesa ainda é um couto masculino e nada parece indicar mudanças no curto prazo.

Depois temos o Bloco de Esquerda. Coube a Catarina Martins a difícil sucessão do carismático Francisco Louçã, num dueto inesperado e temporário com João Semedo, mas, depois de uma campanha eleitoral extremamente bem-sucedida para as Legislativas, foi sob sua liderança que o Bloco conseguiu o seu melhor resultado eleitoral de sempre e, mais simbólico ainda, foi com Catarina Martins que os muros à esquerda caíram e possibilitaram o histórico acordo de governo que permitiu derrubar a coligação PàF. [Read more…]

O Bloco e os cobardes

ANGOLA ACTIVISTS TRIAL

O Bloco de Esquerda apresentou hoje, na Assembleia da República, um voto de condenação à repressão em Angola, exigindo a libertação dos activistas detidos pelo regime opressor liderado pelo carniceiro Eduardo dos Santos. O PCP uniu-se à direita para o chumbar.

Como era de esperar, PSD e CDS-PP votaram contra a iniciativa bloquista. Não admira tendo em conta o passado de relações vassalas do anterior governo com a ditadura angolana, com tantos e tão humilhantes episódios que terminaram com o governo português curvado e de rabo para o ar, perante a hegemonia dos oligarcas de Luanda. Rui Machete que o diga! [Read more…]