A estética do desemprego

17,7%, número oficial. É um bonito número, dirá Gaspar convencido de que descobriu o teorema de Newton, a pólvora e  a roda, tendo apenas encontrado o caminho marítimo para a estupidez.

Entretanto a máquina ideológica de propaganda vai repetindo que os funcionários públicos têm o privilégio de não serem despedidos. É mentira, e mesmo o número de 1,9% que por aí circula levanta muitas duvidas, como o Miguel Madeira suspeita.

Mas o problema nem é de números. É óbvio que o desemprego aumenta porque as empresas vão à falência  ou despendem compulsivamente, fazendo contas ao que pouparão com o próximo contratado ao preço da uva mijona.  É claro que o fazem porque as leis foram flexibilizadas ao ponto de lhes ficar barato fazê-lo (e nem falemos aqui do trabalho precário). É elementar que a ideia é essa, a caminho de uma indústria têxtil num prédio à Bangladesh, que se lixem os humanos, o que é preciso é domesticá-los, proclamam os liberais da selva, no conforto do seu emprego garantido, normalmente por filiação de classe.

Numa situação destas havia que repor a  igualdade público/privado, então não era? Com uma imensa lata proclamam o despedimento de funcionários públicos tipo vingança (e que realmente combaterá o desemprego no privado: nas suas tarefas serão substituídos por empresas que pagarão tostões e lucrarão milhões, aumentando as despesas do estado). [Read more…]

Estes tipos foram eleitos por quem!?

Troika pede mais medidas para flexibilizar o mercado de trabalho

Flexibilização laboral e insolvência empresarial

flexibilização laboralA insolvência de sociedades empresariais é notícia do dia-a-dia. Agora é uma tal CRH – Consultoria e Valorização a ser declarada insolvente. Cerca de 3.000 postos de trabalho extintos, grande parte dos quais  operadores de ‘call-center’ e trabalhadores temporários dedicados aos clientes PT e EDP (dois paraísos de abastados investidores e gestores – Ricardo Salgado, Berardo, Granadeiro, Bava, Mexia e tantos outros pagos aos milhões, se necessário com dividendos antecipados). A razão da insolvência relaciona-se com dívidas ao Fisco e à Segurança Social.

Sabe-se que, por idêntico tipo de dívidas, no total de 1,5 M de euros,  outra empresa do mesmo grupo, a Temphorário, igualmente requereu a insolvência ao Tribunal de Comércio de Lisboa.

Nestes, como em outros casos, a flexibilidade da inevitável queda no desemprego é garantida. A despeito dos baixos salários e da submissão dos trabalhadores a precárias relações de trabalho.

É revoltante, porque hipócrita e falsa, a teoria de certos doutrinários, de que uma  maior flexibilização das leis laborais é meio eficaz de combate ao desemprego – é praga de que, infelizmente, tais doutrinários não têm experiência e, portanto, falam de ‘papo cheio’. [Read more…]