Vivo num país falhado

Num estado a sério, podemos confiar que o estado não muda de opinião como quem muda de cuecas. Por isso se podem tomar decisões a longo prazo, fazer investimentos, contar com uma reforma, fazer opções reflectidas. Num país falhado, obriga-se ao investimento em maquinaria e obras para se terem espaços de fumadores e depois, passados nem 5 anos, mudam-se as regras e diz-se que esses equipamentos e essas obras são para mandar para o lixo.

Num estado a sério, o estado abstém-se de intervir no espaço privado de cada um. Num país falhado, o estado entra pelo pão a dentro para controlar o sal, salta para o carro para ver se há fumo ilegal e está a um passo de entrar casa dentro para decidir como se vive saudavelmente.

Num estado a sério, o estado procura educar as pessoas para que estas se tornem responsáveis e tomem as melhores decisões. Num país falhado, o estado toma os cidadãos por imbecis e faz de papá-galinha.

Infelizmente, mesmo sendo não fumador, vivo num país falhado.

Os benefícios do tabaco

Fátima Reis, uma investigadora dos malefícios do tabaco, constatou em restaurantes que “havia pessoas a fumar a cerca de um metro de distância da porta e foi observada entrada de fumo no estabelecimento.” Fátima Reis suponho que também deve ter visto automóveis a um metro de distância de algumas dessas portas mas não nos conta se observou o fumo dos escapes a caminho da cozinha.

Emília Nunes, da Direcção-Geral de Saúde, tem um ideal: “que as pessoas não fumassem em casa ou quando vão no carro com terceiros, mas isso são questões que não podemos legislar”.

Podia argumentar contra a nova lei do tabaco que se avizinha. Podia demonstrar que o verdadeiro sonho de Francisco George é proibir o tabaco e provavelmente todos os vícios. Quer ele que eu viva mais anos, não tenho a pretensão de lhe explicar que um ano da minha de fumador me pode ter dado mais pequenos prazeres que dez da sua ocupados a preocupar-se com a minha saúde. Podia escrever os insultos que me inspiram, e merecem, estes purificadores da existência humana,

Não vale a pena, neste caso confio em dois ministros, o das Finanças e o da Saúde. Ambos sabem que os impostos pagos pelos fumadores pagam os tratamentos de todos os cancros pulmonares e mais uns tantos, e acreditam na poupança que a estatística que nos dá menos anos de vida provoca na Segurança Social.

Quando aterramos no reino da imbecilidade nada como invocar o vil metal: resulta quase sempre.

na fotografia Oscar Niemeyer, nascido em 1907, fumador, retirada do excelente Volúpia na Tabacaria onde podem apreciar centenas de imagens de fumadores muito pouco anónimos