Wall Street e o Dia Mundial da Água

Assinalou-se ontem o Dia Mundial da Água, um dos bens mais preciosos que a Mãe Natureza ofereceu à humanidade, do qual nem todos dispomos e pelo qual se travam conflitos armados e económicos em vários pontos do globo. Para ajudar à festa, porque onde há sangue e cadáveres, haverá sempre um gangue de abutres a voar em círculos, os terroristas de Wall Street pretendem começar “negociar” o futuro da água, como se de uma commodity se tratasse.

Eu disse “como se de uma commodity se tratasse”? Perdoem-me a imprecisão: parece que, desde meados de Dezembro de 2020, já se trata, juntando-se assim ao ouro, ao petróleo e a outros recursos manipulados pelo terrorismo de mercado dos gangsters de Nova Iorque. Pelo que é uma questão de tempo, certamente, até que o capitalismo selvagem comece a comprar políticos corruptos, disponíveis para privatizar a água dos seus países pelo preço certo em euros, dólares, bitcoins ou lugares em conselhos de administração de fundos de investimento sediados nas Ilhas Virgens Britânicas, com participações qualificadas nos grandes conglomerados que a mão invisível há-de parir para o efeito.

Em princípio, note-se, será para nosso bem. E, claro, vai ficar tudo bem. Portanto tratem de beber muita água, e de armazenar tanta quanta puderem, porque poderá chegar o dia em que os mercados precisem da vossa sede para salvar o mundo da Venezuela e do marxismo cultural. Brace yourselves.

‘Swaps’ – abordagens teóricas (I)

Segundo o ‘Dicionário Inglês-Português de Economia’, de F. Nogueira dos Santos,  ‘swap’ significa:

Permuta; 2. Operação de reporte cambial; 3. Linha de crédito recíproco entre bancos centrais; 4. Substituição de um programa por outro.

Ultimamente, na comunicação social, na blogosfera e em debates informais na sociedade, tem-se, falado, de facto, de ‘swaps’ de forma abundante, avulsa e em muitos casos sem a noção do conceito subjacente ao termo, nem de outros que lhe estão associados.

Iniciei este texto com a reprodução dos significados de dicionário especializado, sobretudo atendendo ao que João Garcia, na página 8 do ‘Expresso’, edição de Sábado, apropriadamente, escreveu:

O problema é que, em geral, há uma incapacidade cognitiva e epistemológica (vivam os jargões!) para os entender. [Os ‘swaps’, acrescento eu]. [Read more…]