Trump e Bolsonaro: as provas vivas de que o capitalismo selvagem detesta a democracia

Imagem via Blog de Pablo Reis

A eleição de Trump, o anti-herói que alguns palermas ainda acreditam não representar os mais imorais interesses económicos, foi apresentado ao mundo como aquele que vinha para romper com o establishment e acabar com os poderes ocultos que nos conduziam para uma ditadura globalista. Não só não o fez como não há stock de Gout de Diamants que resista ao clima de celebração em que vivem os piratas de Wall Street, desde que o anormal foi eleito.

Com Bolsonaro sucede exactamente a mesma coisa. Aldrabado que está grande parte do povo, com uma campanha milionária totalmente focada nas redes sociais e na desinformação, largos milhões de ingénuos (ou imbecis) acreditam que Bolsonaro não representa a elite abastada do país. E a elite abastada do país já esfrega as mãos com o que aí vem. Porque a supressão de direitos e liberdades é sempre boa para o negócio, até porque pagar salários justos e dar condições aos trabalhadores é sempre uma maçada e o helicóptero não se mantém sozinho. Que o diga a bolsa de São Paulo, em contraciclo com o resto do mundo.

Banqueiros filhos da puta

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A organização terrorista Goldman Sachs, que entre outros fundamentalistas emprega o mordomo-lobista Durão Barroso, elaborou um estudo onde conclui que “as curas de doenças podem ser más para negócios no longo prazo”. O documento, sugestivamente intitulado “Curar os pacientes é um modelo de negócios sustentável?“, é todo um hino à lógica predatória que assiste ao capitalismo selvagem, onde o lucro se sobrepõe à dignidade do ser humano, pedra basilar do doentio liberal-fascismo.

Eis o mais perigoso inimigo de uma humanidade livre e emancipada. Não mata como Assad, Putin, Salman ou qualquer presidente norte-americano, mas tem um projecto esclavagista a longo prazo, infinitamente mais perigoso e melhor elaborado que qualquer estratagema saído da cabeça de um político corrupto ou tirano sanguinário. Até porque são estes tipos que compram políticos corruptos e tiranos sanguinários, não o contrário. Não, Pedro Pinheiro Augusto, não podemos confiar nestes banqueiros filhos da puta.

Mulher doa rim aos mercados

Despedida por faltar ao trabalho para doar rim a filho

A ser verdade esta notícia (porque verosímil é, com certeza), confirmamos que não há conquistas asseguradas. No mesmo mundo ocidental que comemora o Primeiro de Maio, a regressão contínua e frequente dos direitos dos trabalhadores é um facto lamentável e nada lamentado por um patronato em roda livre, apoiado em políticos encandeados com o brilho dos mercados e de um capitalismo que não é mais do que a suspensão de qualquer resquício de humanidade, uma lei da selva com aroma a perfumes caros.

Uma mãe que dá, pela segunda vez, vida a um filho é, para estes yuppies (ana)crónicos, um anacronismo que deve ser varrido. Nem será de admirar que os lusos seguidores desta seita de um capitalismo de rosto inumano venham a exigir aos assalariados a doação de órgãos, porque parece estar cada vez mais perto o dia em que já não será possível retirar-lhes direitos ou cortar-lhes salários.