Comentário ao Relatório do “Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico”

Ivo Miguel Barroso tem desenvolvido, no combate ao chamado acordo ortográfico (AO90), um trabalho minucioso, aliando a sua faceta de activista incansável à de jurista com provas dadas

Na sua página de facebook, publicou um extenso e rigoroso comentário ao relatório do “Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico”, grupo esse criado no âmbito da VIII Comissão Parlamentar da Assembleia da República.

O AO90 é um problema enorme no interior do caos gigantesco constituído pelas enormes dificuldades causadas à aprendizagem e ao uso correcto da língua portuguesa em Portugal. Aconselha-se aos deputados da Nação que leiam o texto de Ivo Miguel Barroso, para que possam emendar a leviandade com que, na anterior legislatura, desprezaram os vários pareceres que recomendavam a não-aprovação de um instrumento pernicioso.

Acordo ortográfico no Parlamento: a luz ao fundo do túnel?

NAO2cA Assembleia da República resolveu constituir um Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Aplicação do Acordo Ortográfico (AO90), segundo proposta de Miguel Tiago, do PCP. O deputado comunista tem, pelo menos, o mérito de reconhecer a existência de críticas justas ao AO90, fazendo, ainda, referência ao recente adiamento da sua aplicação no Brasil.

Embora considere positiva qualquer movimentação que possa recolocar o debate sobre este assunto na ordem do dia, não posso, no entanto, deixar de manifestar preocupação, quando me apercebo de que tudo isto, na realidade, só acontece porque o Brasil pigarreou, o que, com a subserviência ao estrangeiro que nos caracteriza, faz com que tenhamos um ataque de ansiedade, preocupados por saber se devemos passar a tossir. Aqui, como em tantos outros aspectos da nossa vida como nação, limitamo-nos a olhar caninamente para cima, à espera da voz do dono: da Alemanha, chegam ordens para baixar salários, o Brasil quererá impor-nos o aprofundamento da simplificação ortográfica e Portugal rebola no chão, salivando por um osso.

Como se isso não bastasse, ao sabermos que há a intenção de “ouvir a opinião de académicos, professores, escritores, artistas, jornalistas, enfim, os que trabalham com a língua, e também professores, para darem conta de como está a ser implementado nas escolas”, podemos ficar com a ideia de que o Parlamento ignora que foram produzidos, há bastante tempo, vários pareceres fundamentados sobre os numerosos defeitos do AO90. Pode ser que a repetição desses pareceres proporcione aos deputados a compreensão que lhes tem faltado, uma espécie de luz ao fundo do túnel.