O fosso entre pobres e ricos em Portugal mantém-se

Se já sabíamos que Portugal é dos países europeus (2º) com o maior fosso entre pobres e ricos, ficamos agora a saber que quase nada mudou nesse sentido desde os anos 90. As políticas ditas inclusivas, as ditas sociais, as ditas formativas, parecem não ter efeito quanto ao que seria realmente importante conseguir: maior coesão e justiça social. Mais uma vez, independentemente de nomes e partidos, os políticos portugueses e, por arrastamento, o povo português ficam mal na fotografia.

Já quanto ao défice, Portugal que se cuide: Não conseguindo convencer madeirenses e açoreanos a serem vendidos, restam as Berlengas, a Fuzeta, a ilha de Faro e pouco mais. Mal dá para uns sacos de lentilhas.

Também se pode amar uma cidade

Sim, acreditem, a gente pode amar uma cidade, amá-la como se ama uma cidade, com enlevo e ataques de fúria em doses desiguais e alternadas, e chegar da rua assim, a praguejar contra a merda de cão que trazemos nas solas dos sapatos.

E podemos insultar quem condenou à ruína as ruas que amamos desde a infância, chorar esses destroços fantasmagóricos de onde se soltam os azulejos, cansados de esperar uma nova vida que nunca mais chega.

A gente pode amar uma cidade e enfastiar-se da derrota, dos ombros descaídos, do casaco puído de burocrata em passeio de domingo, do cãozinho de pedigree comprado a prestações. E virar a cara para o lado para não ver a nossa pobre gente, condenada a uma velhice de quadro pitoresco para os turistas, a remoer uma côdea de pão na boca desdentada. [Read more…]