Um lesado de última hora

 

Jornal de Negócios, 15 de Março de 2019

 

Depois de transferir a sua sede europeia de Lisboa para Moscovo, na sequência do ultimato do governo português ao Estado venezuelano e subsequente apoio ao “presidente interino” Juan Guaidó, a empresa estatal Petróleos da Venezuela vem agora exigir 2 mil milhões ao Fundo de Resolução do BES. O advogado da petrolífera afirmou o seguinte: “Vamos ver se o Fundo de Resolução tem dinheiro e se o Estado não tem de injectar mais dinheiro, como já fez no passado”.

No subsolo deste conflito parece correr algo bem mais sério, como uma reconfiguração importante da geopolítica e geoestratégia portuguesas, à qual não são alheios fenómenos como o Brexit – a Espada de Dâmocles com que o Império Britânico tenta destruir a Europa -, a política  de guerra comercial de Donald Trump e o poder das agências de notação.

Portugal parece já ter escolhido o seu lado da barricada.

Onde o sol nunca se põe

Não há dúvidas de que são os melhores.

Brexit

É claro que quase ninguém conhece antecipadamente o resultado de uma votação. Mas mais claro ainda é que jamais, em circunstância alguma, o Império Britânico decidiria por referendo qualquer questão política determinante para a sua própria estabilidade.