Jair Bolsonazi e Silas Malafacho

Que Jair Bolsonaro é um fanático religioso já todos sabíamos, mas levar o ayatollah Malafaia para o funeral da rainha foi mais uma prova da teocracia que pretende impor no Brasil, até porque o pastor fundamentalista não desempenha qualquer função que o torne elegível para marcar presença num funeral de Estado. Silas Malafaia agradece e põe o seu exército pessoal de jihadistas cristãos a distribuir propaganda da extrema-direita no final da missa. Brasil e Irão, a mesma luta.

O Capitão e a Rainha

Sabem quantos dias de luto nacional foram decretados quando o capitão Salgueiro Maia faleceu?

Zero.

Zero dias de luto nacional pelo homem que desceu a Rua do Arsenal desarmado e enfrentou os tanques de Junqueira dos Reis.

Assim elogiou Portugal um dos grandes heróis da democracia, o que não surpreende, ou não fosse Cavaco Silva primeiro-ministro, o mesmo que atribuiu pensões vitalícias a ex-PIDEs e a recusou a…. Salgueiro Maia.

Agora, 30 anos depois da morte do último grande herói, assisto, perplexo, ao decretar de 3 dias de luto nacional pela rainha de Inglaterra, sem perceber muito bem porquê. Ou talvez se perceba: o luto nacional, como outras ferramentas protocolares ao serviço de quem governa as várias instituições deste país, não passa de um privilégio que os privilegiados usam para privilegiar as suas castas. Corrijam-me se estiver enganado, mas não me recordo de nenhum serviço prestado por Elizabeth II à REPÚBLICA portuguesa que justifique tal honra.

Vocês recordam?

A verdade, inegável, é que este país deve mais a Salgueiro Maia do que à rainha, ao Cavaco, ao Costa e a toda a casta de privilegiados que se privilegia entre si. Todos juntos não valem uma unha do capitão.

London Bridge is falling down

À vista desarmada do comum plebeu, o protocolo London Bridge, planeado ao micromilímetro para garantir que as exéquias de Isabel II decorreriam de forma imaculada, estava em curso desde a manhã de Quinta-feira, pese embora o seu planeamento estivesse a ser preparado e limado há muitos anos. A família mais próxima a caminho de Balmoral, as declarações da sua equipa de médicos em crescendo de preocupação até ao anúncio oficial no final da tarde e até o Huw Edwards da BBC, de fato e gravata preta a apresentar no noticiário da uma, tudo apontava para o inevitável desfecho. É possível até que a rainha tivesse falecido durante a noite anterior, mas ainda não tinha chegado o momento de o anunciar, precisamente por haver um protocolo a seguir. Longo foi o seu reinado, como sempre se deseja nas monarquias sólidas, mas nem Isabel II era eterna. Nem verdadeiramente soberana. Era – sempre foi – refém do protocolo. Até na sua morte.

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As fotografias do Príncipe Harry nu

O tipo tem piada. Temos que reconhecer que ele dá alma à coisa.

Desta vez, de férias nos States, divertiu-se com os amigos. Ou antes, com as amigas e parece que há por aí fotos de Sua Alteza sem roupa.

Confesso que tenho muitas dúvidas sobre a publicação deste tipo de imagens, do foro privado, por jornais como o Público ou como o Diário de Notícias.

Não me parece que seja pública uma dimensão claramente privada da vida de alguém que é, sem dúvida, uma figura pública. Uma coisa é alguém, intencionalmente, mostrar algo mais do que a sua dimensão pública, como fez a Nicole Kidman. Outra coisa bem diferente é o uso deste tipo de imagens do Harry que se limita a viver a vida.

 

Presente para um príncipe

Bebé a dormir

 O príncipe dos bebés era largamente esperado. Nunca mais aparecia, nunca mais o casal era progenitor. Nunca mais eram pai e mãe. Até esse dia de começos de ano, em que o príncipe nasceu. Todo descendente é o príncipe do lar, nos tempos em que os matrimónios casavam para durar. Havia tempo para tomar conta dos pequenos ou crianças, ensinar, cuidar, fazer vez caso o príncipe da casa chorar durante a noite. Não havia separação de deveres: eram dois os progenitores, pelo que dois deviam tomar conta do largamente esperado bebé. Em desespero, a hipotética mãe fez uma promessa: se tiver um filho, chamar-se- ia como o santo milagreiro, como terceiro nome.

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A Rainha

adão cruz

Dizem que toda a vida sonhara em ser Rainha. Rainha de qualquer coisa, já que não podia ser Rainha a sério. Por isso, no bairro, todos lhe chamam Rainha. A Rainha para aqui, a Rainha para ali.

Não que haja, em bairro tão pobre, qualquer tipo de estatuto, hierarquia ou respeito especial. Não é um bairro onde os respeitos tenham degraus. No entanto, a Rainha, talvez pela idade, é assim uma espécie de pessoa honoris causa, uma espécie de Rainha-Mãe. [Read more…]

A rainha que tem as mãos sujas de sangue

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