Carlos III, o (verdadeiro) Recordista

Vejo muita gente falar no longuíssimo reinado de 70 anos de Isabel II, só ultrapassado pelos 72 anos de Luís XIV – reza a história, não temos como verificar – mas ninguém fala no recorde absoluto do príncipe Carlos, agora Carlos III, que esperou 70 anos para ser rei. E esse, meus amigos, ninguém lho tira. Pelo menos durante o vosso tempo de vida. Embrulhai, príncipes e princesas deste mundo.

London Bridge is falling down

À vista desarmada do comum plebeu, o protocolo London Bridge, planeado ao micromilímetro para garantir que as exéquias de Isabel II decorreriam de forma imaculada, estava em curso desde a manhã de Quinta-feira, pese embora o seu planeamento estivesse a ser preparado e limado há muitos anos. A família mais próxima a caminho de Balmoral, as declarações da sua equipa de médicos em crescendo de preocupação até ao anúncio oficial no final da tarde e até o Huw Edwards da BBC, de fato e gravata preta a apresentar no noticiário da uma, tudo apontava para o inevitável desfecho. É possível até que a rainha tivesse falecido durante a noite anterior, mas ainda não tinha chegado o momento de o anunciar, precisamente por haver um protocolo a seguir. Longo foi o seu reinado, como sempre se deseja nas monarquias sólidas, mas nem Isabel II era eterna. Nem verdadeiramente soberana. Era – sempre foi – refém do protocolo. Até na sua morte.

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Coleccionar beleza I

Ando a coleccionar as melodias da minha vida.

Há quem diga «este é o filme da minha vida», «o carro da minha vida», «a mulher da minha vida» ou, então, claro, «ele é, sem dúvida, o homem da minha vida»!

Eu ando à procura da música, eventualmente, das músicas da minha vida.

Pavane, que poderá ouvir clicando no respectivo link é, seguramente, uma das mais lindas obras musicais que já ouvi. A primeira vez que entrou pelos meus ouvidos, foi acompanhando o anúncio do sabonete Palmolive. Se não foi o Palmolive era, com certeza, um sabonete.

Se gosta dos Il Divo, então conhece o tema «Isabel». Divinal mas, claro, a música não é deles, antes do genial compositor romântico do séc. XIX, Gabriel Fauré.

Há músicas que se ouvem sem cansar. Repete-se, repete-se, como se de um chocolate se tratasse. É linda demais, saborosa, de arrepiar, a Pavane op.50 do compositor francês. A tal ponto é sublime, que uma pessoa se pergunta «é possível escrever algo mais bonito que Pavane?». Claro que sim, mas esta é perfeita. E aí está uma daquelas músicas que é um desperdício desconhecer.

Espero que gostem!

Mel de caju

manel cruz

A Isabel nunca andara na Faculdade, para falar tão bem nas traseiras do sentimento, mas foi criada de servir em Bissau, o que, numa aldeia do mato, era um curso superior. Isabel era uma mulher muito bonita, daquelas que são sempre futuro, ainda que a pele se engelhe. As suas formas afeiçoavam-se aos olhos, mais despindo a existência do que o corpo. Uma espécie de mulher à flor da pele, bem calculada por dentro. Mulheres nascidas de si mesmas, sem vida nos outros. Mulheres de além-desejo, voo de ave, caminhando fora dos passos. Isabel, um torvelinho de tonturas. [Read more…]