Ajustes dirigidos

Uma dessas empresas, a Foxtrot Aventura, que fez um contrato de 350 mil euros com a Protecção Civil, tem como proprietário o marido de uma autarca do PS de Guimarães. A outra empresa sugerida foi a Brain One [, a qual] teve desde 2017, ano da sua fundação, cinco adjudicações (ajustes directos e consultas prévias) da associação Geoparque de Arouca e da Câmara de Arouca, onde José Artur Neves foi autarca durante 12 anos. A polémica começou porque as golas eram feitas de um material inflamável, mas depressa se começou a questionar por que razão tinham sido estas as empresas a ganhar o concurso para fornecer os materiais para os kits. [PÚBLICO, 18/09/2919]

Se não tivesse sido o desbocado ministro Cabrita, tudo isto tinha passado despercebido. Tal como a imensidão de negociatas que levam o tutano do imenso dinheiro que descontamos para impostos. É só passar pelo BASE para começar a disparar questões.

Agora, demitiu-se o Secretário de Estado da Protecção Civil, José Artur Neves. Por “motivos pessoais”, claro está.

Nuno Neves, filho de José Artur Neves, é dono de 20% da Zerca Lda., criada em 2015. Confrontado pelo Observador, o secretário de Estado disse desconhecer “a existência de qualquer incompatibilidade neste domínio”, como desconhecer “também a celebração de tais contratos” [TVI24, 18/09/2919]

Nem sei de quem são as empresas nem faço ideia nenhuma“, afirmou o SE Neves no passado Junho. Tudo “irresponsável e alarmista“, assim classificou o ministro Cabrita o caso das golas.

Descobre-se agora que uma lei de 1995 é absurda

Foi preciso esperar para que os negócios do filho de um secretário de Estado viessem para a ribalta para que se falasse da constitucionalidade da lei em causa.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, o caso do filho do secretário de Estado “é um caso típico que mostra bem o absurdo de uma interpretação literal da lei que esquecesse o princípio constitucional da proporcionalidade”. [Augusto Santos Silva, via RTP]

Só há uma interpretação da lei. Que o diga quem é apanhado com impostos em falta, por exemplo. Agora que se descobriu que a lei foi violada em outros ministérios, veio a tropa pesada do spin remendar o lençol destapado pelo desbocado ministro Cabrita.

Outro spin consiste em misturar o caso das golas com os descobertos em outros ministérios. Não são a mesma coisa. Neste caso, o filho do secretário de Estado fez negócios na área de responsabilidade tutelada pelo pai. A situação está tipificada na lei e dita a demissão do governante.

O que se deve perguntar ao senhor Santos Silva, tão preocupado com códigos de ética, é se compactua com ilegalidades. Inclusivamente quando a aplicação da lei não dá jeito para chegar à maioria absoluta.

Negar sempre, até ao fim

“Infiel, eu?! Jamais”, exclama o marido apanhado de calças na mão pela esposa. Negar, mesmo perante a evidência. Admitir é reconhecer que se errou. Negar sempre, até ao fim.

Imagem: Expresso

 

Rebaldaria Foxtrot e a burla do Governo

Uns tipos foram para a televisão mostrar as maravilhas que estavam a fazer quanto ao flagelo dos incêndios. Chamaram-lhe Aldeia Segura e para televisões consistiu mostrar um saco de brindes. Uma buzina de ar comprimido para chamar a atenção dos aldeões para o incêndio, não fosse eles não terem olhos, um colete daqueles que poucos vestem quando mudam o pneu furado, uns adesivos e pomadas para fazer de conta que trata das queimaduras enquanto não chegam os escassos primeiros socorros, uma lanterna a pilhas que há-de valer de grande coisa no meio do fumo e as tais golas anti-fumo que o desastrado ministro Cabrita trouxe para a ribalta à conta da sua arrogância.

O kit de propaganda custou centenas de milhares de euros e foi encomendado a certa boyada do partido socialista, que se manteve caladinha a ver se escapava, até tudo descambar devido ao desbocado ministro. As 70 mil golas anti-fumo custaram 328 mil euros, ou seja 4 euros e 60 cêntimos por uma meia larga feita na China dos negócios da China. Depois dos burlões que tentam sacar o ouro e o dinheiro aos idosos, só faltava mesmo terem sido burlados pelo Governo.

Agora dizem que vão alterar a lei para evitar a falta de vergonha. Parece que sem lei não há decência. O que neste caso é irrelevante, pois a lei já proibia estas negociatas. [Read more…]