«Somos mais fortes do que ele»


Esta frase, pronunciada por Rogério Pinto, autarca de Silves, ouvi-a no Domingo na TSF. E fiquei emocionada. Referia-se o autarca à luta contra os efeitos devastadores de um tornado. E orgulhava-se do esforço que muitas pessoas estavam a fazer àquela hora para ajudar a apagar os sinais da catástrofe. Quando ouvi a notícia pela primeira vez, eram cerca de 100 pessoas que tinham decidido arregaçar as mangas. Ao que soube depois, acabaram por ser mais de 1000.

Gosto disto. Gosto deste povo que se une e luta para limpar os destroços deixados por um tornado. Quando ouvi a notícia, recuei ao pós 25 de Abril, momento que vivi sem quase dele ter consciência. Tinha quatro anitos feitos menos de um mês antes. Tal como todos os portugueses, segundo me conta a minha mãe, também eu dei um dia de trabalho ao meu país. Andei na rua com a minha «tia» Esperancinha a apanhar ervas e limpar bermas, juntamente com muitas outras pessoas.

Recuei também ao pré 25 de Abril e à canção Índios da Meia-Praia, à imagem épica de todas aquelas pessoas, cada uma com o seu tijolo, a construírem as suas casas e as casas dos vizinhos.

Hoje, sonho com pessoas de enxada e pás, sacos de lixo e baldes carregados de entulho. Ouço a Grande Ideia do Povo da Aldeia, de José Barata-Moura, tantas vezes tocada e retocada no rádio do carro para as minhas filhas e os pais ouvirem, muitas vezes mais para os pais do que para as filhas… [Read more…]

25 Poemas de Abril (XVIII)

A Valsa da Burguesia

É a valsa da burguesia
Tocada bem a compasso
Pela social-democracia
Para nos travar o passo

Umas vistas muito plurais
Sobre a questão sindical
Nós somos todos iguais
Mas quem manda é o capital

Um ar santinho e beato
De vitima inocente
É o bem triste retrato
Dos que querem dar cabo da gente

Socialismo, sim mas pouco
Para não levantar suspeitas
Barafustar como um louco
E alinhar sempre com as direitas

José Barata Moura

Os Ministros de Sócrates, esses Gargalhofas

Música do LP «Fungagá da Bicharada», de José Barata Moura

Eles fazem-nos rir diariamente desde 2005. São tão pândegos que nem percebem que nós percebemos tudo. E como sempre desde 2005, de forma corajosa e bem cómica, põem os ricos a pagar a crise. É bem feito!
Eles são os Gargalhofas. Fazem-me rir muito desde 2005, mas como já me dói a barriga de tanto rir, se calhar ficavámos por aqui. Já Basta, não?