Concerto “Al Mutamid, Rei Poeta do Al Andalus”

Nos próximos dias 15 de Fevereiro no Teatro São Luiz em Lisboa e 16 de Fevereiro no Teatro Pax Julia em Beja, estreia o concerto “Al Mutamid, Rei Poeta do Al Andalus”, baseado na vida e obra poética de Al Mutamid Ibn Abbad, no seu percurso dramático entre Beja, onde nasceu, Silves, onde se afirmou como o grande expoente da poesia da sua época, Sevilha, onde foi Rei da Taifa Abádida do Al Andalus, e Aghmat, nos arredores de Marraquexe, onde morreu no cativeiro. Um concerto com a direcção artística do arquitecto, realizador e produtor Carlos Gomes, com a direcção musical de Filipe Raposo, compositor e pianista, e que reúne outros músicos de Portugal, Espanha e Marrocos, como Janita Salomé, Eduardo Paniagua, Cezar Carazo, El Arabí Serghini, Jamal Ben Allal e Quiné Teles.

O projecto conta com o apoio da Direcção Geral das Artes e, para além do concerto, existe a intenção de gravar um CD e realizar um filme documentário durante o ano de 2014.

Link da página facebook https://www.facebook.com/almutamidreipoetadoalandalus

Link da iniciativa de crowdfunding do projecto http://ppl.com.pt/pt/prj/almutamidreipoetadoalandalus [Read more…]

Alunos sem aulas em Silves

O ano lectivo, já se sabe, é um conceito que Nuno Crato não domina. Deste modo, é natural que o ministro tenha afirmado que o ano lectivo começou bem, sabendo-se que, três semanas depois, há alunos que ainda não têm professor.

É o que acontece em São Marcos da Serra, no concelho de Silves. Coincidência ou não, depois de os pais terem fechado a escola e a situação ter sido referida nas notícias, surge a garantia de que, amanhã, será colocada uma professora.

Na mesma notícia, o director do agrupamento de escolas em que está incluída a EB1 de São Marcos da Serra declarou que a professora em causa “tem estado de atestado médico”, explicando que só entrará ao serviço se não apresentar novo atestado. O mesmo director acrescentou que irá tentar sensibilizar a professora para o problema.

Há, nesta história, pelo menos, dois aspectos que merecem comentário: se um professor está de atestado, é natural que não se possa apresentar ao serviço; para além disso, deve partir-se do princípio de que estará doente, sendo legítimo que não seja sensível a nenhum outro problema.

Ficamos a saber, ainda, que estão por colocar 19 professores em todo o agrupamento de escolas. Talvez fizesse mais sentido que o director procurasse sensibilizar o Ministério da Educação para que esse problema seja resolvido com o máximo de celeridade.

Confirmar que Nuno Crato falha já não é notícia. Por isso, não é de admirar que tenha declarado, no dia dia 13 de Setembro, que não haveria alunos sem aulas, depois do início do ano lectivo. É claro que tem a desculpa de não saber o que é um ano lectivo.

«Somos mais fortes do que ele»


Esta frase, pronunciada por Rogério Pinto, autarca de Silves, ouvi-a no Domingo na TSF. E fiquei emocionada. Referia-se o autarca à luta contra os efeitos devastadores de um tornado. E orgulhava-se do esforço que muitas pessoas estavam a fazer àquela hora para ajudar a apagar os sinais da catástrofe. Quando ouvi a notícia pela primeira vez, eram cerca de 100 pessoas que tinham decidido arregaçar as mangas. Ao que soube depois, acabaram por ser mais de 1000.

Gosto disto. Gosto deste povo que se une e luta para limpar os destroços deixados por um tornado. Quando ouvi a notícia, recuei ao pós 25 de Abril, momento que vivi sem quase dele ter consciência. Tinha quatro anitos feitos menos de um mês antes. Tal como todos os portugueses, segundo me conta a minha mãe, também eu dei um dia de trabalho ao meu país. Andei na rua com a minha «tia» Esperancinha a apanhar ervas e limpar bermas, juntamente com muitas outras pessoas.

Recuei também ao pré 25 de Abril e à canção Índios da Meia-Praia, à imagem épica de todas aquelas pessoas, cada uma com o seu tijolo, a construírem as suas casas e as casas dos vizinhos.

Hoje, sonho com pessoas de enxada e pás, sacos de lixo e baldes carregados de entulho. Ouço a Grande Ideia do Povo da Aldeia, de José Barata-Moura, tantas vezes tocada e retocada no rádio do carro para as minhas filhas e os pais ouvirem, muitas vezes mais para os pais do que para as filhas… [Read more…]

Humor negro: a laranja do Algarve

Oito distritos em aviso amarelo, Algarve mantém-se em laranja

O Xarajib de Silves

Santi Palacios

Uma visão das “Mil e Uma Noites”. foto Santi Palacios

“O palácio do Xarajibe, de Silves, foi, no Ocidente, uma autêntica visão das “Mil e uma Noites”. Cantaram-no os poetas com o mais alto requinte, adornaram-no os artistas com obras de estranho lavor, celebraram-no os historiadores, como encantadora residência principesca. Dessa harmonia chegam até nós os ecos apagados, num suave murmúrio…E o Xarajibe esplende, de novo, rebrilhando em vivos fulgores. Ficaram célebres as suas noites de festa e de música, de poesia e de dança, de encantamento sem par; as suas tardes suaves e mornas, de doces afagos, de reflexos violetas e de branda penumbra; os seus dias claros e ardentes de tragédia e de luta, em que os pátios e os mosaicos das salas se tingiram do sangue da vingança e do crime; as suas madrugadas de terrores, de suspeitas e de alucinações; as suas manhãs de iluminura, aureoladas pela esperança de novas e felizes alianças; as suas horas de fogo e de guerra, em que tudo se joga e tudo se ganha ou perde. Evocar o Xarajibe é evocar uma época, um estilo de vida _ a época e o estilo de vida dos luso-árabes.”

In “Atlântico” por José Garcia Domingues (DOMINGUES, 1997, pág. 155) [Read more…]

Ibn Qasi e os Muridinos

“Eu quero ser nada…para poder compreender tudo”

Shaykh Hisham Kabbani

A derrota dos Almorávidas na batalha de Ourique marca o início de um novo período de fraccionamento do Andalus em reinos independentes, que ficou conhecido como os segundos Reinos de Taifas.

É um período conturbado e de digladiação de várias facções muçulmanas e destas com os cristãos, já que os Almorávidas em declínio, os Reinos de Taifas que logram a independência e os recém-chegados Almóadas detêm o poder em diferentes áreas da região.

Durante este período o Sul do Gharb Al-Andalus constitui-se no Reino da Taifa de Silves, inicialmente governada pela família dos Banu Al-Mallah, mas posteriormente dominada por aquele ficou na história como o grande Mestre do Sufismo no Gharb Al-Andalus, Abu Al-Qasim Ibn Qasi.

Se o período das primeiras taifas constituiu o expoente da poesia Luso-Arabe, representada por figuras como Al-Mu’tamid e Ibn Amar, as segundas taifas ficaram como o expoente da filosofia Misticista Islâmica, representada por Ibn Qasi e o movimento Muridíno.

Natural de Silves, Ibn Qasi era provavelmente um muladi, ou descendente de cristãos convertidos, de origem romana, dado que se pensa que o seu nome de família viria do romano Cassius.

Funcionário da alfândega de Silves opta por uma vida de meditação e recolhimento, entregando metade dos os seus bens aos pobres e refugiando-se numa Zauia ou Azóia onde inicia um caminho na busca de Deus, fundando uma confraria designada por Movimento Muridíno.

Essa Zauia daria origem ao famoso Ribat da Arrifana, em Aljezur, que constrói com a restante metade dos seus bens, e que se torna sede da sua Cavalaria Espiritual, e incluía uma mesquita, celas para os seus discípulos e cavalariças. [Read more…]

Poesia do Gharb Al-Andalus

Samia_Gamal_-_Belly_Dance_1

“Repeles-me!

porque deixas minh’alma abandonada?

se a tua ausência é uma longa noite

seja o nosso abraço d’amor a alvorada.” (1)

Poema escrito por Al-Mu’tamid

No ano de 1031 cai o Califado de Córdoba e o Al-Andalus divide-se em reinos independentes, que ficaram conhecidos pelo nome de Reinos de Taifas (do Árabe Muluk At-Tawaif, ou reinos fraccionados). O poder centralizado do Califado Omíada, cada vez mais dependente de uma máquina administrativa pesada e geradora de pesados impostos, aliado aos desejos de autonomia das inúmeras etnias que povoavam o Andalus, estão na origem deste fraccionamento do poder político.

No Sul do território hoje ocupado por Portugal, o Gharb Al-Andalus, ou Ocidente do Al-Andalus, constituem-se quatro reinos de taifas _ um grande reino na zona mais a Norte com capital em Batalyaws (Badajoz), um reino correspondendo à região do Baixo Alentejo com capital em Mârtula (Mértola) e dois reinos no actual Algarve, concretamente os reinos de Xilb (Silves) e Xantamarya Ibn Harun (Faro).

É neste período que floresce uma cultura Hispano-Árabe, sobretudo ao nível da poesia, resultado de uma identidade local criada pela fusão de elementos étnicos árabes, berberes, judeus, hispano-romanos e hispano-godos. No caso específico do Sul de Portugal essa poesia é hoje referida como Poesia Luso-Árabe e são inúmeros os autores que deixaram obra escrita. Dois desses autores ficariam conhecidos como os mais representativos desta cultura _ Al-Mu’tamid e Ibn ‘Amar. [Read more…]

O Gharb Al-Andalus

al-Wâsitî, Yahyâ ibn Mahmûd

Ilustração do livro Maqamat Al-Hariri de 1237 executada por Yahya Ibn Mahmud Al Wasiti

O Gharb Al-Andalus, ou Ocidente do Al-Andalus, é o nome do território da Península Ibérica durante o período Árabe, “grosso modo” correspondente à antiga província da Lusitânia Romana. Inclui o actual Sul de Portugal, limitado a Norte de forma inconstante pelos diferentes traçados que a linha de fronteira com os Reinos Cristãos apresentou, e parte das actuais Andalusia, Extremadura e Castilla e Leon Espanholas.

Este artigo pretende descrever os acontecimentos mais relevantes da história do Gharb Al-Andalus, no contexto da sua cronologia, desde a nomeação de Mussa Ibn Nussayr como governador da Ifriqya em 698, até à conquista de Aljezur por D. Paio Peres Correia no ano de 1249. [Read more…]