Azulejos portugueses em Buenos Aires

Como chego a um livro?

Neste caso, foi através do Ípsilon (suplemento do Público, 3/8). Últimas Notícias do Sul é o mais recente livro de um dos meus escritores preferidos, o chileno Luis Sepúlveda.

O que tem isto a ver com azulejos portugueses?

Um só livro leva-nos a muitos lugares… Embora Sepúlveda e o seu amigo argentino, o fotógrafo Daniel Mordzinski, tenham feito uma viagem ao Sul do mundo, a partir do paralelo 42º, a verdade é que na Argentina, mais concretamente em Buenos Aires, podemos encontrar algo português, como é o caso dos azulejos!

No segundo capítulo, retrata essa cidade “a mais vital da América Latina” e também o “lugar onde se encontram os irmãos”.

A páginas tantas, Sepúlveda vai à estação do Retiro, onde os

delicados azulejos da nave central falavam de longas viagens (…) os emigrantes chegados de todos os confins para construir uma obra monumental chamada Argentina. (…) Nos painéis, exibiam-se mapas ferroviários, uma reprodução do catálogo da firma inglesa que forneceu as loiças de Málaga e os azulejos portugueses.

A estação do Retiro está prestes a comemorar os 100 anos e há algo nela que é nosso. É uma alegria e um prazer enorme encontrar Portugal no estrangeiro e nos livros de autores estrangeiros!

Irresponsabilidade

Eu, que gosto muito de ler o chileno Luis Sepúlveda, não resisto a citá-lo:

Estamos a viver, em muitos países da Europa, uma pobreza que queríamos esquecer, superar. Estamos a chegar a níveis de pobreza do pós-guerra, e não houve nenhuma guerra. Houve, sim, uma enorme irresponsabilidade dos ricos e dos nossos representantes.

(Jornal de Negócios,2 março 2012)