Desculpem lá, mas isto só pode ser gozo

(…) a decisão de não avançar para a equiparação das licenciaturas pré-Bolonha a mestrados, conforme tinha sido anunciada em Março, “decorreu da consulta pública” sobre o novo diploma (…)

“Dados os resultados da consulta pública, que contou com mais de 100 contributos, foi considerado pelo Governo que não devia ser alterado o enquadramento legal existente”

“é para isso que servem as consultas públicas” [Público]

Estas declarações são do ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, o que deu o dito pelo não dito, faltando saber porquê. À Antena 1 afirmou, inclusivamente, que tal não havia sido prometido.

Mas qual consulta pública? É público algo que não se sabe que existe? 100 contributos? Que representatividade tem esta amostra no número de licenciados pré-Bolonha? Marginal, obviamente.

Eis o exemplo do político-gelatina, incapaz de manter a palavra e contorcendo-se entre explicações sem explicar a reviravolta. Foi o ministro das finanças que não autorizou?!

[Imagem]

Ir ao encontro dos interesses dos alunos: agora também na Universidade

A entrevista já tem uns dias, mas ainda vale a pena comentá-la. Diante dos dados constantes de um estudo sobre o abandono escolar no Ensino Superior, o ministro Manuel Heitor conseguiu, em quase todas as respostas repetir a mesma ideia. Leiam-se as seguintes citações:

  1. a)“[As instituições de ensino superior] têm de assegurar as naturezas e características individuais de cada estudante.”
  2. b)“Cabe às instituições a responsabilidade de adequarem os seus programas para reduzirem o abandono.”
  3. c)“(…)é da responsabilidade das instituições reduzir as taxas de abandono, adequando cada vez mais os cursos àquilo que são as exigências da sociedade, da economia e das pessoas.”
  4. d)“(…) o problema do abandono só se resolve com proximidade, dentro da sala de aula, é entre a relação estudante-professor, é o estudante.”
  5. e)“ A questão crítica do abandono é a proximidade estudante-professor e faz-se dentro das salas de aula.”
  6. g)A solução para o abandono está em “flexibilizar os percursos e a garantir que um estudante tenha facilidade em ir adaptando e alterando o seu currículo e o seu perfil às necessidades que vão aparecendo e aos gostos que vão evoluindo, porque temos um contexto social, cultural e económico em contínua mutação.”

Deixemos as alíneas a marinar e já voltamos. [Read more…]