Maria Vieira e a instrumentalização política da morte de Maria João Abreu

Maria Vieira não teve sequer a decência de deixar o corpo arrefecer. Ainda a família, os amigos e a comunidade artística choravam a partida precoce, já a antiga actriz, hoje profissional da política, instrumentalizava politicamente a morte de Maria João Abreu. E fê-lo de forma absolutamente desonesta, como é de resto apanágio do Chega e dos grupelhos que se dedicam a negar e a conspirar contra o conhecimento científico. Maria Vieira usou a morte para instigar o medo, levantou dúvidas sobre uma vacina que não sabe sequer se a falecida tomou, e usou uma das tácticas mais comuns entre a extrema-direita: flood the zone with shit. Donald Trump textbook.

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Conversas vadias 13

A décima terceira edição das “Conversas vadias”, andou à volta de cabras, cabritos e cabritas, Sporting, festa, tesão, Palestina, polícia, tomates, F. C. Porto, final da liga dos campeões europeus, Amorim, Benfica, Luís Filipe Vieira, audição parlamentar (ou para lamentar?…), João Cotrim Figueiredo, Iniciativa Liberal, soundbite, Mariana Mortágua, Paulo Querido, João Galamba, Twitter, Fátima, lenços brancos, Jesus, Maria João Abreu, carpe diem, Branca de Neve, Marretas, Astérix, Fausto, U2 e museus.

Quando aos vadios: António Fernando Nabais, Fernando Moreira e José Mário Teixeira.

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Conversas vadias 13
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Maria João Abreu (1964-2021)

Fotografia: André Marques/OBSERVADOR

Vamos crescendo e vivendo com certas figuras no imaginário, que nos entram pelo dia-a-dia adentro, através da televisão ou da rádio, dando por garantida a sua presença, como se a eles, ao contrário de nós, simples mortais, a morte não fosse tocar.

Partiu a Maria João Abreu, aos 57 anos. Cedo e inesperadamente. Far-nos-á falta, ao público, à arte da representação e aos seus seus mais do que a qualquer outro. Pela surpresa do acontecimento, porque faltam as palavras, só uma coisa fica por dizer: obrigado, Maria João Abreu. Até um dia.