Temos um Secretário de Estado da Educação com um discurso negacionista sobre as alterações climáticas. Na era da desinformação não poderia haver melhor escolha.
Numa altura em que já tinham sido publicados 5 relatórios do IPCC que compilavam dezenas de milhares de artigos que davam uma consistência muito sólida à origem do aquecimento global nas atividades humanas, o atual secretário de estado escolheu um artigo que questionava parcialmente os resultados do IPCC (um exercício normal em ciência, também se avança com os erros) para discorrer o seguinte:
- “o aquecimento global estagnou no início deste século e, tudo indica, assim permanecerá até cerca de 2030“
- “o oceano Atlântico a (provável) principal explicação para o fenómeno (…) a acção humana não é o factor dominante nessa relação“
- “Mas mais do que fácil, foi útil acreditar. Politicamente útil. Porque o que verdadeiramente interessa é o carácter político da alegada relação causal entre a acção humana e o clima. Essa não foi um acidente, foi deliberada. E não foi imposta pela ciência, foi mesmo uma opção ideológica. Para alimentar os activismos e moralizar debates. Para fixar o modo de vida ocidental como raiz da ameaça à sustentabilidade do planeta. Para impor como solução a ruptura com esse modo de vida. Para, no fundo, fazer do aquecimento global o alibi para legitimar a luta contra o capitalismo e a defesa do socialismo. Durante décadas, funcionou. Manifestos, protestos, agendas fracturantes. Houve de tudo. Agora, está na hora de virarmos a página.“
- “Olhando para trás, é de certo modo chocante verificarmos que tanta gente tenha escolhido acreditar numa relação de causalidade tão fragilmente demonstrada em termos científicos. Sim, porque a questão-chave nunca foi reconhecer que há aquecimento global ou que a acção humana pode contribuir para o efeito estufa (isso está efectivamente demonstrado), mas sim o estabelecer de uma relação causa-efeito entre a acção humana e esses fenómenos climatéricos. Esse salto lógico, que nunca foi devidamente sustentado, foi rápida e acriticamente aceite.“
- “O que está em causa é uma dupla lição. A de que o homem não controla tudo. E a desta importante derrota política. A de uma corrente ideológica que usou a ciência para esconder o seu radicalismo contra o capitalismo. Pela ciência se ergueu. Pela ciência caiu.“











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