Odemira para totós

Da exploração laboral à cobertura mediática, passando pelo levantamento popular no ZMar. Tudo – bem – explicado pelo Diogo Martins, no Ladrões de Bicicletas.

Conversas vadias 10

Na décima edição das “Conversas vadias”, vadiaram António Fernando Nabais, Francisco Miguel Valada, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, Orlando de Sousa e João Mendes, à volta de: gravidez masculina, vacina, agulhas, barba, concorrência, sotaques, Brasil, José Mourinho, galones, Carlos Queiroz, fusos horários, pandemia, Baleares, Marega, super-liga, capitalismo, mercado, mérito e comentadores.

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Conversas vadias 10
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Vacina do colo do útero esgotada nos Centros de Saúde

É pena que a única preocupação da saúde em Portugal seja o Covid. É que as outras doenças continuam a existir.

Crónicas do Rochedo 44: A carteira é quem mais ordena ou o efeito Ayuso

Nas próximas eleições autonómicas de Madrid, a candidata do PP e actual presidente da Comunidade Autonómica de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, prepara-se para esmagar eleitoralmente a concorrência e ter o dobro dos votos obtidos nas anteriores. Nas anteriores o PSOE tinha ganho, mas a coligação pós eleitoral PP/Ciudadanos e o silêncio do VOX foram suficientes para governar. Os espanhóis chamam-lhe “o efeito Ayuso”. E porquê?

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Extrema-direita e negacionistas: um bromance de ódio ignorância e oportunismo

O Relatório Anual de Segurança Interna de 2020 alerta para aquilo que só ainda não viu quem não quis: que a extrema-direita e os negacionistas da pandemia se aproximaram. Que andam, na maior parte dos casos, de mão dada.

Para além da ameaça que isto representa para a segurança de todos os portugueses, da nação e da própria democracia, existe uma outra perversidade nesta questão, que consiste em arrastar consigo um debate que pode e deve ser feito, mas que está minado pelo negacionismo, embrulhando, na mesma bola de neve, chalupas irresponsaveis e pessoas bem intencionadas, que questionam, com toda a legitimidade e rigor, várias opções que foram e estão a ser feitas, no domínio social e económico.

É preciso separar as águas. É preciso que quem levanta questões pertinentes não seja confundido com malucos doutorados por páginas “da verdade”. Até nisto, a extrema-direita, ela própria a viver uma fase de negacionismo científico que é anterior à pandemia, é um vírus para o qual urge encontrar uma vacina. Nunca a nossa democracia esteve tão ameaçada. E não são as medidas de confinamento, aplicadas em todas as democracias liberais europeias, a causa do problema. Essas são temporárias. O problema são aqueles que pretendem aplicar outro tipo de medidas de confinamento. Permanentes.

Governe, Dr. Costa. De preferência à esquerda

Não percebo a polémica em torno da “coligação negativa” que aprovou o alargamento dos apoios sociais no combate aos efeitos económicos da pandemia. Por vezes, parece que nos esquecemos que quem realmente manda é o Parlamento, não o governo. Agora, no momento em que não convém a António Costa que assim seja, como em 2015, quando lhe correu tão bem que conseguiu governar, apesar de ter ficado atrás de Pedro Passos Coelho. A democracia representativa, quando nasce, é para todos. E o PS, que governa minoritariamente, e que até rejeitou acordos escritos com os antigos parceiros da Geringonça, que poderiam ter evitado mais este balázio no pé, já devia ter percebido isso.

As contas são algo complexas para um ignorante como eu, mas, grosso modo, a coisa custará uns 40,4 milhões de euros por mês. 3,3% da primeira injecção de 1200 milhões na TAP. 1%, se considerarmos as estimativas que apontam para um investimento total de 3700 milhões até 2024. Substituindo TAP por Novo Banco, estes 40 milhões equivalem a uma miserável percentagem de 0,4% dos 11.263 milhões que já torramos no banco “bom”, até Maio de 2020. 2,2% do custo anual da corrupção em Portugal, estimado em 1820 milhões pelo relatório de 2018, The Costs of Corruption across the EU, do grupo parlamentar dos Verdes/Aliança Livre Europeia. Mas como este é ano de autárquicas, prevê-se um aumento substancial nesta rubrica, pelo que aquela percentagem ainda deve descer. Peanurs, como dizia o outro. E com tanta despesa por executar, tantas cativações e a bazuca quase quase a chegar, não há de ser por 40 milhões por mês que não se ajudam as muitas vítimas das medidas de confinamento.

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Abril – mês internacional da Arquitetura Paisagista

Central Park, Nova Iorque

Uma simbiose onde são combinadas em harmonia ciências naturais, sociais e artísticas, são diversos os ramos que definem esta complexa e completa área que é a Arquitetura Paisagista. Muito sustentada na componente vegetal, este é o principal traço que a distingue da Arquitetura que conhecemos. Não é possível falar nesta área sem saltar rapidamente à memória 3 grandes nomes: Frederick Law Olmsted (criador do Central Park, em Nova Iorque), Gonçalo Ribeiro Telles (pai da Arquitetura Paisagista em Portugal) e Francisco Caldeira Cabral (considerado o pai do ensino da Aquitetura Paisagista).

Segundo Caldeira Cabral, esta é uma ‘arte de ordenar o espaço exterior em relação ao homem‘ – os arquitetos paisagistas desenvolvem capacidades para planear e projetar paisagens ecológica, social e economicamente sustentáveis, com vista à promoção da qualidade de vida das comunidades humanas, da qualidade do meio ambiente e da biodiversidade. [Read more…]

A lógica da batata, novamente

A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, esclareceu a AHRESP que no período da Páscoa – considerado o arranque da época turística – só os cidadãos que não tenham residência no país e sejam “forçados a circular por vários concelhos” de forma a poderem chegar aos hotéis são a exceção à regra que restringe as deslocações, à semelhança do que foi adotado no período de 30 de outubro a 3 de novembro.

Os portugueses com residência no território ficarão no período da Páscoa impedidos de circular entre concelhos, mesmo que seja com a finalidade de ficar num hotel, mantendo-se a norma de permitir “deslocações de cidadãos não residentes em território nacional continental para locais de permanência comprovada”, como é o caso dos alojamentos turísticos. O objetivo é o de “evitar a transmissão da doença covid-19, caso contrário estaríamos a desvirtuar o objetivo da norma”, especificou Rita Marques à AHRESP.

Mas tal não se aplica aos portugueses residentes que tenham de fazer deslocações ao aeroporto com o fim de realizar viagens para as regiões autónomas da Madeira e dos Açores. [Expresso]

A propaganda nunca teve por base a racionalidade. O objectivo, senhora Rita Marques, é claro, se bem que distinto no anunciado. O que em Dezembro foi permitido, porque sim, agora é proibido, porque sim.

Não confundir democracia com chalupice

Sábado, em Nicosia, centenas de cipriotas manifestaram-se contra as medidas de confinamento impostas no país e exigiram mais apoios do governo para conter a crise económica. Em todas as imagens transmitidas na peça da Euronews, e foram várias, todos os manifestantes – repito: todos os manifestantes – usavam máscaras. E fizeram-se ouvir, tal como a peça na Euronews demonstra.

Concordando ou não com as suas motivações, está é uma manifestação com a qual simpatizei, como simpatizo com qualquer manifestação cujo objectivo seja o de lutar por mais dignidade, liberdades, direitos, garantias ou por qualquer outro reforço da democracia. Porque ela não foi suspensa, mas o respeito pela segurança e pela saúde dos outros não pode ser submetido a devaneios ideológicos extremistas. Como não pode ser submetido a provocações baratas ou chalupices.

Imaginem que eu sou contra o limite de velocidade imposto por lei, contra as coimas aplicadas à condução perigosa ou contra o uso do cinto de segurança. E que eu, e outros palermas de igual categoria, decidimos fazer uma manifestação para acabar com todas estes limitações à nossa liberdade de sermos umas bestas rodoviárias. Isso dá-nos o direito de conduzir como uns loucos até ao local da manif, sem cinto, em excesso de velocidade e a fazer curvas em drift, até ao Rossio, pondo em risco o bem estar dos restantes? É claro que não. E não é preciso ser um rocket scientist para perceber isto.

Pod do Dia – Deixar cair a máscara

Vou dar-te uma novidade: há outras pessoas no mundo, para além de ti.

 

 

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Pod do Dia - Deixar cair a máscara
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Esquerda Direita Volver 7 – O povo português é manso?

O povo português é manso? Eis o tema deste sétimo EDV (sigla a reter), com debate entre Francisco Salvador Figueiredo, José Mário Teixeira, Fernando Moreira de Sá e António de Almeida. Moderação de Francisco Miguel Valada. Ausência de António Fernando Nabais, devidamente justificada e indicada logo a abrir.

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Esquerda Direita Volver 7 – O povo português é manso?
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Quo vadis, União Europeia?

Sempre fui um europeísta convicto. Acredito numa Europa de nações com parte da sua soberania partilhada, celebro os seus feitos e virtudes, que (ainda) superam as suas falhas e limitações, reconheço a necessidade de a reformar, mas, devo dizê-lo, a minha convicção já conheceu melhores dias.

Não que me tenha deixado infectar pelo vírus da conspiração reptiliana do globalismo, que me merece a mesma reacção que as 40 virgens que aguardam os terroristas islâmicos no céu deles – eles que acreditem no que quiserem, desde que não chateiem e ou rebentem com os outros – mas os factos são o que são e eles aí estão para testar a minha fé no projecto europeu.

Primeiro foi a resposta à crise financeira do final da década passada. A receita da austeridade autoritária foi um desastre, trouxe ao de cima o egoísmo e a ausência de uma verdadeira solidariedade entre os membros, e deixou a nu a incapacidade que muitos Estados têm de aceitar que estamos nisto juntos, no exacto mesmo barco, mais não almejando que poder beneficiar de uma moeda única, nefasta para as economias dos países mais frágeis, e de um mercado interno sem barreiras, para pessoas, mercadorias e, sobretudo, capitais. Sobretudo capitais.

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Ditadura sanitária selectiva

No início de Fevereiro, um homem foi multado em 200€, por estar a consumir um pacote de gomas, à porta de uma dessas pseudo-lojas de máquinas de vending que se vêm cada vez mais por aí. Como ele, centenas de outros portugueses foram sujeitos à aplicação das leis em vigor, sempre aprovadas com uma confortável maioria parlamentar, que resultaram em multas, detenções e confusões.

Um mês depois, cerca de 3 mil (so they say) negacionistas e activistas contra o uso de máscara e confinamento juntaram-se no Rossio, para protestar contra as medidas de combate à pandemia, sem máscara ou respeito pelas normas de distanciamento social, colocando em risco a saúde de milhares de pessoas e a recuperação económica, sob o olhar atento da PSP, que não conseguiu ser tão valente como o foi com o degustador de gomas e tantos outros portugueses. Uma gritante dualidade de critérios e pelo menos meio milhão de euros em multas por cobrar.

E lá andavam eles, revoltadissimos, com cartazes da ditadura e mais não sei o quê, sem que meia bastonada ou coima lhes fosse aplicada. Quando isto passar, seria importante que as farmacêuticas se dedicassem ao desenvolvimento de uma vacina contra a falta de noção. Fica a dica.

Moedas, a nova vacina

O candidato Carlos Moedas afirmou que se ganhar as eleições em Lisboa vai criar um “Plano de Contingência para responder a futuras pandemias em Lisboa”. Nas suas doutas palavras:

“Não podemos voltar a ser surpreendidos. A cidade de Lisboa precisa de ter ao dispor dos lisboetas um plano de contingência sobre futuras pandemias que dê alguma previsibilidade, segurança e confiança social e económica”.

A coisa promete em Lisboa. Um disse que quer dar um abanão a Lisboa (e passados uns dias a natureza tratou disso). O outro continua entretido no papel de paineleiro na TVI e cicerone do PR e agora temos o Carlos Moedas a usar a actual pandemia para fazer um número eleitoral. Já só falta entrarem os cuspidores de fogo e os domadores de tigres. É que os malabaristas já estão a jogo.

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O bom senso ficou em casa – e nunca mais saiu

Terça-feira dia dezasseis de março de dois mil e vinte e um – segundo dia do início do desconfinamento gradual – saio à rua para manutenção da minha saúde física e mental. Fazendo-me acompanhar da “nova” peça de indumentária facial que permite proteger-me a mim e a terceiros do “bicho”, bem como manter um certo anonimato, sigo a minha caminhada acompanhada pela sombra de um certo sentimento de culpa por cada metro que me distanciava do meu lar. Sentimento esse alimentado pelo apertado policiamento que muitas vezes presenciei através da minha janela, onde os meus jovens vizinhos cometeram repetidas vezes o vil crime de se sentarem nos bancos de jardim. Felizmente, durante o fim de semana fomos presenteados pela boa notícia – escrita em letras garrafais em rodapé durante o telejornal – que o usufruto dessa peça de mobiliário público já está outra vez disponível para exercer a sua função de forma legal. Haja boas novas!

Depois de zigezaguear por entre as ruas até à marginal, apercebo-me que um largo troço da mesma deverá de estar ainda (só pode) encharcada de vírus, o que obriga a quem pretende esticar um pouco as pernas e arejar a mente a restringir-se ao passeio de dois metros de largura do lado oposto, naturalmente forçando cruzamentos com estranhos onde a distância de segurança não é passível de ser respeitada. Sigo o meu caminho acompanhada pela minha (as)sombra, cujo tamanho aumenta um pouco sempre que um atleta se cruza comigo sem se fazer acompanhar pelo trapo que me obriga a deixar os óculos em casa (para poder apreciar devidamente todos os tons de côr do pôr do sol sem ser através da condensação). [Read more…]

Pandemia climática

Um ano depois, a sociedade, a economia, a política e o mundo em geral continuam reféns da crise pandémica, resultante do surto da SARS-CoV-2, a.k.a. covid-19. Lá longe vão os tempos dos arco-íris, do “vai ficar tudo bem” e do “vamos sair disto melhores pessoas”. De lá para cá, o business as usual voltou aos comandos da nossa mothership, de onde na verdade nunca saiu, e o novo normal não difere muito do velho normal. Os zilionários enriqueceram estrosfericamente com a crise, como sempre acontece com qualquer crise, com as 20 maiores fortunas do planeta a crescer na ordem dos 24%, durante o ano de 2020 (números da Bloomberg). Os pobres estão mais pobres, os remediados estão mais perto da pobreza e o fosso entre a super-elite e os demais aprofundou-se. O primeiro mundo luta entre si pelo acesso a mais vacinas, enquanto o terceiro depende da caridade do primeiro, que surge sob a forma de grandes operações de marketing, com grande mediatismo e poucos efeitos práticos. Micro, pequenas e médias empresas submergem sob o peso da burocracia e da inação política, contribuindo para o fortalecimento dos monopólios do costume. O desemprego e a miséria crescem, a precariedade e a exploração laboral florescem e a ausência de esperança é combustível para os novos populistas, que se alimentam do caos e da revolta.

Paralelamente a este cenário dantesco, momentaneamente esquecida ou relegada para segundo plano, a verdadeira pandemia avança, silenciosa e implacável, sem que nada ou quase nada seja feito para a travar. A tal crise climática, que nos arrasta, perigosamente, para um ponto sem retorno. A propósito, a directora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, María Neira, alertou no mês passado para a ligação entre o actual e anteriores vírus, como o Ébola ou o HIV, e os efeitos nefastos provocados pela acção humana no mundo natural. A médica espanhola aponta para a longa lista de vírus transmitidos de animais para humanos, que se relaciona, em larga medida, com a destruição de florestas tropicais. E se a palavra “Amazónia” é a primeira que nos vem à cabeça quando se fala em destruição florestal, é importante sublinhar que a coisa não se resume ao pulmão do mundo. Basta olhar com um pouco de atenção para aquilo que tem acontecido em zona como o Sudoeste asiático, para perceber isso mesmo.

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Os liberais que afinal são estatistas

Desde que começou a pandemia, um ataque comum aos liberais é tentar provar que estes afinal querem que o Estado exista. Uma semana já não é a mesma coisa se não for dito que afinal os liberais gostam do dinheiro do Estado. Lembro-me de uma intervenção do género do primeiro-ministro dirigida a João Cotrim Figueiredo e, mais recentemente, um artigo de opinião no ECO de Pedro Sousa Carvalho. Será que os liberais afinal querem que o Estado exista?

 

Sim, querem. Se não quisessem, não eram liberais. Esta estratégia usada pela esquerda para descredibilizar os liberais e também usada pela direita magoada por não os ter atrelados é muito fácil de explicar. Criam a ideia que os liberais não querem o Estado para nada e atacam esta mesma ideia que inventaram cada vez que se fala em Estado. Basicamente, os liberais não são refutados, mas sim aquilo que gostavam que os liberais defendessem para facilitar. O liberalismo ainda é muito desconhecido neste canto da Europa e isso justifica a facilidade com que se mete palavras na boca de quem nunca as disse. Qualquer dia, inventam que os liberais querem é acabar com a saúde pública e a educ… Não, isso já fazem.

 

Afinal, o que querem esses perigosos liberais? Querem um Estado forte, mas pequeno. Um Estado que proteja as liberdades individuais, social e economicamente. Um Estado que garanta um acesso universal à saúde e à educação, mesmo que não seja sempre o prestador, colocando a escolha do cidadão em primeiro lugar. Uma justiça independente, ao serviço dos cidadãos e não do Estado. Um Estado que estimule a criação e a inovação em vez de ser um entrave, através de cargas fiscais que fazem corar os nórdicos e burocracias ao estilo caricaturado pelos Gato Fedorento no “Papel? Qual papel?”. Um Estado preparado para apoiar os mais vulneráveis, garantindo a igualdade de acesso às oportunidades. Um Estado com menos intervenção na economia, garantido que temos uma economia capitalista e não uma economia amiguista, em que conta mais ter um primo na Câmara Municipal do que ser o melhor empresário da tua terra. Um Estado transparente e que valorize a separação de poderes, diminuindo assim a corrupção pela raiz. Um Estado que garanta que nenhum indivíduo é discriminado pela sua natureza. Um Estado que dê liberdade de escolha aos cidadãos no que à vida privada diz respeito. Resumindo, um liberal defende que todos os cidadãos devem ser tratados com dignidade e que devem ver as suas liberdades respeitadas, sem condescendências ou paternalismos.

 

Os socialistas dizem que os liberais vivem numa fantasia – Estónia e Irlanda riram-se – quando defendem que são medidas liberais que ajudarão Portugal a crescer, mas que se tornam estatistas com a realidade. Será assim?

 

Os liberais, ao contrário de quem afirma isto, vivem na realidade. Ao contrário do que os socialistas fazem com as suas ideias, qualquer liberal admite facilmente que o liberalismo não é perfeito. Um liberal não tem como maior ambição provar que estava certo ou enriquecer à custa dos contribuintes, porque se fosse para isso mais valia ser do PS. O que um liberal quer é dar a oportunidade às pessoas de melhorarem a sua vida e… tem resultado. O objetivo não é provar à força toda que Friedman ou Hayek estavam certos, mas sim adaptar estas ideias à nossa realidade. E como os liberais vivem com os pés no chão, sabem que os portugueses têm um enorme esforço fiscal e que o Estado português não se pode queixar de falta de dinheiro dos contribuintes nos seus cofres. Se este dinheiro não serve para apoiar pessoas numa pandemia, para que serve o Estado então? Sustentar companhias aéreas e bancos falidos? Pagar o café com cheirinho da comitiva?

 

Quem está a falhar com a sua missão é o Estado. E num país que tem um Estado tão pesado na vida das pessoas, esse falhanço é ainda mais grave. Quando um liberal defende, por exemplo, que alunos do privado e do público sejam tratados da mesma forma pelo Estado, não está a ir contra os seus princípios. Quem o acha é que está a colocar a sua ideologia acima da vida das pessoas. Ora, quando eu andei num colégio de freiras, os meus pais deixaram de pagar impostos? Não. Não deixaram. O problema é que o Estado tem um produto e faz fita quando poucos o querem. Sim, porque ao contrário de um socialista, um liberal não pretende criar o sistema de privado para ricos e público para pobres. Se todos os cidadãos cumprem com o seu dever, também devem ser tratados de igual forma. Caso contrário, confirma-se que temos um país e dois sistemas. Um país em que, como cidadão, tens de ficar em casa, mas como militante, podes ir a aniversários partidários.

 

O que o Estado está a fazer às pessoas, e espero que um dia se olhe para isto como erro a não repetir, é amarrar a população. Não deixa as pessoas trabalhar e, com a mesma facilidade, também não as apoia. Alguns, do alto da sua arrogância, até ridicularizam dizendo que afinal sempre é necessário o Estado. Isto é o mesmo que eu querer ir trabalhar, a minha mãe dizer que não, eu pedir-lhe dinheiro e ela exclamar: Vês como não és nada sem a tua mãe?

 

Quanto mais pobres estamos, mais desesperados ficamos. E este desespero leva à vulnerabilidade que é instrumentalizada por populistas que encontram um inimigo comum e por medidas milagrosas de redistribuição que colocarão o Ronaldo e um colega meu do Cerco com a mesma qualidade de vida em 3 dias. São piores que os moços com dobragens terríveis das televendas. Esta iliteracia financeira em Portugal reflete-se, por exemplo, no facto de um partido liberal apenas ter assento parlamentar em 2019, sendo um dos únicos países europeus que ainda não tinha. Também temos um dos maiores partidos comunistas da Europa, a par de países como a gloriosa Grécia. E não conseguimos resistir à evolução da direita populista que está a causar divisões sociais graves no leste europeu.

 

Os liberais não viraram estatistas. Os liberais, simplesmente, sabem que existe diferença em apoiar alguém que perdeu tudo devido à pandemia ou financiar as empresas dos amigos que “não podemos deixar cair”.

 

Os liberais pretendem criar pontes e permitir que os cidadãos possam confiar no contrato social, com um equilíbrio entre as liberdades positivas e negativas. Ao contrário deste sistema em que as pessoas votam e são afastadas quatro anos da política.

 

O Estado traiu a população. O Estado não cumpriu a sua função.

Esquerda Direita Volver 4 – A gestão da pandemia

O quarto debate “Esquerda Direita Volver”, desta vez com Fernando Moreira de Sá, António de Almeida, Francisco Salvador Figueiredo, João Mendes e José Mário Teixeira.
Moderação de António Fernando Nabais.

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Esquerda Direita Volver 4 - A gestão da pandemia
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O estranho caso do desastroso plano de vacinação

Muito curiosa, a forma como, todos os dias, quase sem excepção, a imprensa controlada pela esquerda e pelos 15 milhões de publicidade antecipada pelo governo insiste e persiste na narrativa “o plano de vacinação está a ser um desastre”. Agora imaginem que a imprensa era controlada, total ou parcialmente, pela direita. Até porque, convenhamos, o Observador, o Sol, o I, o Eco, o CM, o Negócios, Sábado e o JN são esquerdalhos que dói. Para não falar nos espaços de opinião nos canais noticiosos, onde o CDS ainda tem mais comentadores de serviço que qualquer partido à esquerda do PS. Onde o CH e a IL têm (muito) mais tempo de antena que o PCP. São redacções e redacções repletas de camaradas de punho cerrado, foice na não e martelo no coldre.

P.S. Estar em 10° lugar entre a UE + UK não é nenhuma proeza digna do Guiness, mas é menos ainda o reflexo do desastre que a tal narrativa nos tenta impôr.

Os “burgueses do teletrabalho” e outras oligarquias

Há tempos, quando a Mercadona abriu a sua loja na minha cidade, escrevi no Facebook que não me via ser cliente do supermercado espanhol, por ter o mesmo que os outros, que são portugueses, e por praticar mais ou menos os mesmos preços. Pouco tempo depois, ironia das ironias, tornei-me cliente da Mercadona, que ocupou o lugar outrora ocupado pelo Continente. E a que se deveu esta minha mudança de comportamento? A vários factores: o primeiro foi ter descoberto que a Mercadona tem políticas laborais que, no sector, se distinguem claramente dos restantes, nomeadamente na forma como tratam e recompensam os seus trabalhadores. A isto acresce que, em bom rigor, comprar à Mercadona ou comprar ao Continente, ou a outro supermercado qualquer de nacionalidade portuguesa, com sede na Holanda, vai dar ao mesmo. Para além de que a Mercadona, usando código de barras espanhol, compra grande parte dos seus produtos a produtores portugueses, numa proporção que não estará muito distante da concorrência. On top of that, é ao lado da minha casa, ao passo que os restantes supermercados está quase todos concentrados do outro lado da cidade. E isto, numa primeira fase, chegou-me.

Posteriormente, um novo factor veio juntar-se aos restantes. Se precisar de ajuda, para encontrar um produto na Mercadona, não tenho que andar de um lado para o outro à procura de um funcionário para pedir ajuda. Há, pelo menos cá na Trofa, funcionários em praticamente todos os corredores. E isso não acontece nem no Continente, nem no Pingo Doce. E eu ainda sou do tempo em que essa era a regra. Hoje, neste tempo em que o sector está dominado por estes dois gigantes, com sorte encontramos um funcionário a fazer reposição, que, em princípio, irá chamar um colega, porque a área dele não é aquela e ele não consegue ajudar.

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Este país não é para resilientes

Transição energética, digitalização e obras públicas. É sobretudo destas três áreas que temos ouvido falar, quando o tema é o Plano de Recuperação e Resiliência. E poucas coisas nos dizem tanto sobre o país em que vivemos, sobre a União que integramos, como este conjunto de prioridades, que, não sendo negligenciável, em particular naquilo que diz respeito ao combate contra as alterações climáticas, parece ignorar uma parte do país real. A parte que foi silenciosamente empurrada para a pobreza, pela pandemia e pela ausência de uma estratégia que a contemple, que quer trabalhar e não pode, sem que nenhuma solução alternativa lhe seja apresentada. Os segregados deste admirável mundo novo.

E não, isto não se resume apenas à crise que se abateu sobre a restauração, sobre a cultura, sobre turismo, ou sobre o tecido produtivo, feito de micro, pequenas e médias empresas. Estão todos em muito maus lençóis, no doubt about that. Mas não são invisíveis, ou sequer ignorados, como outros que, não dispondo de tempo de antena, organização de classe ou de figuras mediáticas que os representem, com amigos influentes no Twitter e no Instagram, acabam esquecidos, nesta guerra pelos recursos europeus, ou pelas migalhas que sobrarão do banquete que se antevê.

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Vai ficar tudo bem? Não,vai ficar tudo na mesma

A organização international ONE – que conta, no seu “board of directors”, com perigosos paladinos anti-capitalistas como David Cameron, Lawrence Summers, Sheryl Sandberg ou Bono Vox – publicou, no final da passada semana, um relatório que revela que o excedente de vacinas adquirido pelas nações mais ricas (UE, EUA, UK, Austrália, Canadá e Japão) seria suficiente para vacinar toda a população adulta do continente africano. Só que não, porque vamos todos sair disto mais unidos e fortes, a fazer corações com as mãos e a desenhar arco-íris nas janelas, a cantar kumbayas e o “põe tua mão na mão do meu Senhor”. E vai ficar tudo bem, eventualmente, excepto para aqueles que nasceram do lado errado da sociedade capitalista.

“Vida digna”, disse António Costa

Entretanto, do alto da sua função de presidente temporário e decorativo da burocracilândia europeia, António Costa quer um salário mínimo europeu que permita uma “vida digna” aos cidadãos da União, enquanto milhares de cidadãos do país que governa, dos sectores mais afectados pela crise, os chamados “não-essenciais” (apesar de essenciais para quem deles depende para comer e pagar as contas básicas), submergem na degradação provocada pelo abandono e pela ausência de soluções concretas, aprofundando a discórdia e a fractura social, a divisão e o confronto, que, em bom rigor, lhe permitem continuar a reinar. Que se desenrasquem, dizem uns. Que morram os velhos, dizem outros. Que triste enfrentamento, penso eu. E que excelente oportunidade de capitalizar com o sofrimento e a revolta, afirmará o neofascista de serviço, enquanto esfrega as mãos e se passeia, aos saltinhos de coelho-anão, por entre a merda que espalhou por todo o lado.

Conversas vadias 1

Estreia das “Conversas vadias”, com Francisco Miguel Valada, Fernando Moreira de Sá, J. Mário Teixeira, Orlando Sousa, Francisco Salvador Figueiredo, Carlos Araújo Alves, e a ausência especial de António Fernando Nabais.

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Conversas vadias 1
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A Astrazeneca e o negócio da pandemia

Em 2020, os lucros da Astrazeneca registaram um aumento de 159%, face ao resultado do ano anterior, fixando-se nos 2592 milhões de euros. A farmacêutica atribui o resultado, em larga medida, aos avanços produzidos no desenvolvimento da vacina contra a covid-19 que, recorde-se, foi subsidiada pela União Europeia, que entregou, sem garantias de absolutamente nada, mais de 11 mil milhões de euros – só em apoios directos!!! – a um punhado de farmacêuticas que estão na corrida às vacinas.

Apesar dos subsídios estratosféricos que recebeu da União, e dos acordos subjacentes aos mesmos, a Astrazeneca tem estado em permanente incumprimento do contrato assinado com as autoridades europeias, havendo já registo de outros clientes que, de bolsos gordos, pagaram para passar à frente da fila. Sorte a deles, o facto de serem conservadores, não socialistas, permitiu-lhes passar incólumes ao spin da direita trauliteira e à ira da bastonária da Ordem dos Gajos com Palito na Boca que Batem na Mulher. [Read more…]

The Ana Rita Cavaco meltdown show


Ana Rita Cavaco não é uma ilustre desconhecida, muito menos uma bastonária imparcial ou com um percurso à prova de bala. Aliás, para quem fala “do alto da burra” contra quem passa à frente da fila das vacinas, seria interessante perceber se o ajuste directo de 72 mil euros, celebrado em Março de 2020 com o seu amigo pessoal Tiago Sousa Dias, para mais uma assessoria jurídica à Ordem dos Enfermeiros – que são inúmeras, quase todas com os grandes escritórios deste país, como o do seu companheiro de partido e dos bons velhos tempos do passismo, José Pedro Aguiar Branco – teve fila de concorrentes ou se pautou pelo habitual critério que assiste aos ajustes directos à moda do bloco central, algures entre a amizade pessoal e a camaradagem partidária.

Em bom rigor, importa sublinhar que Tiago Sousa Dias milita hoje no Chega, em cuja convenção, marcada pelo total desrespeito pelas mais elementares regras e restrições de combate à pandemia (o que não admira, considerando a concentração de negacionistas por metro quadrado), Ana Rita Cavaco deu o ar da sua graça, para “dar um beijo de amiga” a André Ventura. Sobre esse atentado contra a saúde pública, que levou mesmo à intervenção da GNR na reunião magna da extrema-direita portuguesa, é que não se ouviu uma palavra de indignação da bastonária. Nem um pio contra aquele festim de desrespeito pelo esforço dos profissionais de saúde que representa. Amigos, amigos, comportamento negligente que coloca a saúde pública em risco à parte.

 

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2020: o ano de todas as pandemias

2020 foi um ano difícil, que pode ser resumido em poucas palavras: vírus, epidemia, pandemia, medo, confinamento, distanciamento social, máscara, álcool-gel, negacionismo, contágio, zaragatoa, teste, ventilador, profissionais de saúde, SNS, layoff, crise económica, vacina e morte. Talvez pudessem ser acrescentadas mais algumas, que nem me ocorrem nem me apetece procurar, porque não pretendo fazer disto uma obra científica, mas este foi o léxico dominante, durante os nove últimos meses. E, não nos iludamos, continuará a sê-lo.

Muito foi dito e escrito sobre a pandemia. Da “gripezinha” à falsa sensação de segurança, passando pelas habituais conspirações, amplificadas pela ignorância militante, de repente éramos 7,8 mil milhões de especialistas em saúde pública, virologia e gestão de crises. Por cá fomos bestiais, depois bestas, e, quer-me agora parecer, terminamos o ano como culpados pelo agravar dos números. E não, não saíamos mais unidos, mais conscientes ou mais humanos de tudo isto. Saímos como entramos, com as nossas virtudes e defeitos, adaptados ao novo normal que, esperamos, já seja uma recordação distante daqui por um ano. [Read more…]

Quando um elogio é um insulto

João Miguel Tavares elogiou os professores. O Paulo Guinote já escreveu que dispensa certos elogios.

O combate às desigualdades sociais é muito complicado, especialmente quando as prioridades dos governos correspondem a outras áreas em que há fartura de desperdício de dinheiros públicos.

Essas desigualdades são especialmente revoltantes quando atingem crianças e jovens. São essas desigualdades que, se combatidas demasiado tarde, provocam atrasos culturais e mesmo cognitivos.

A Escola é, evidentemente, um das armas mais importantes desse combate. Por isso, retirar condições às escolas é criminoso – e os verdadeiros problemas continuam por resolver (número de alunos por turma, delírios curriculares, burocratização inútil do trabalho dos professores).

A dedicação de todos os que trabalham nas escolas é tão evidente e geral como frequentemente desvalorizada. E, na verdade, é nas escolas que muitos miúdos encontram pessoas que, fora da família, fazem alguma coisa por eles. As políticas sociais para a juventude assentam, então, em grande parte, na ausência do Estado e na presença da Escola. Acrescente-se que essa luta é feita, muitas vezes, para lá do que é imposto pela lei.

João Miguel Tavares e muitos outros opinadores chegam sempre a estes problemas com atraso ou acertam ao lado. Na maior parte dos casos, não querem saber. Como, de certo modo, já está instituído que as políticas sociais para a juventude se limita às escolas, o facto transformou-se em direito e passou a exigir-se às escolas que resolvam todos os problemas relacionados com a infância e com a juventude. [Read more…]

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