O governo amigo das crianças por nascer

A vacina contra a meningite, ministrada em quatro doses que rondam os 70 euros cada, passa a ser gratuita, mas apenas para crianças nascidas a partir de 1 de Junho próximo. Todas as outras vão ter direito a apenas 15% de comparticipação do custo da vacina.

Alguém que lhes explique que discriminar, ainda por cima, crianças não é só feio mas inconstitucional.

De como a gripe A não quis nada comigo, e do desassossego em que isto me deixa

Tenho passado o inverno na expectativa de que me chegue a gripe A. Não me vacinei, não tomei nenhuma medida preventiva especial, a não ser continuar a lavar as mãos quando chego da rua, se bem que isso é mais um resquício de uma fase vagamente obsessivo-compulsiva. Ora, tendo em conta que eu me constipo ou engripo 5 a 6 vezes por inverno, que, na verdade, é mais fácil assinalar os dias em que não estou constipada ou engripada, então seria certo que o insidioso H1N1 me apanharia a jeito.

E cá estou, desde ontem em casa com uma gripe, sim, mas uma gripe normalíssima (até há quem me diga que é só constipação, mas eu recuso essa hipótese), sem febre, sem dores de cabeça insuportáveis, sem prostração, sem nada que dignifique uma gripe. Bem espreito o termómetro a ver se o mostrador digital se altera, e nada. O mercúrio tinha, diga-se de passagem, um efeito muito mais dramático, vê-lo a subir era uma exaltação, uma vertigem na qual um hipocondríaco podia perder-se. Este de plástico, tão inócuo, tão infantil, retira gravidade até a uma febre de 40 graus. [Read more…]

O que se diz por aí

É voz corrente que a chuva e o vento põem Portugal em estado de alerta. Compreende-se que as intempéries causem esse estado. Pena é que a dívida pública, a insegurança ou o desemprego, por exemplo, não causem o mesmo efeito. Mas deve ser por causa do tal ilusionismo de que fala Jerónimo de Sousa, que já começa a atingir o pico do hipnotismo com as novas previsões do Banco de Portugal sobre o crescimento do PIB.
Sem ilusionismos dois automóveis foram engolidos, devido ao rebentamento de uma conduta de água, em Rio Tinto. Já não bastava o carjacking…
Filipe Menezes afirma que seria uma tonteria excluir-se de qualquer cargo do PSD. A questão é se não seria uma tonteria ainda maior aceitarem-no?
No processo movido pelos McCann contra Gonçalo Amaral, existe um sério risco do feitiço se virar contra o feiticeiro. Para além do apuramento de eventuais responsabilidades, será interessante acompanhar o escrutínio que se irá fazer sobre métodos e rumos da investigação criminal e da influência da comunicação social em Portugal.
No Porto, a PSP deteve 19 pessoas numa operação de combate ao tráfico de droga. Agora quero é ver como vão decorar a mesa com as doses apreendidas. Sempre apreciei o modo como fazem a disposição do material apreendido, digno de um decorador profissional. Oxalá haja também dinheiro e armas e munições, para dar mais cor.
Por fim, é apresentada hoje uma nova vacina que previne a meningite, a sépsis, a pneumonia e otite médica aguda, para crianças dos seis meses aos cinco anos. Por azar, não é comparticipada…

A máquina do tempo: vacinar ou não vacinar

A ex-ministra da saúde da Finlândia, Dra. Rauni Kilde, falou sobre a gripe A. Realmente foi muito esclarecedora, mas… a seguir foi despedida… Vejam porquê.

Hoje, a nossa máquina, não viaja nem até ao passado nem na direcção do futuro – fica-se pelos nossos dias. Instalada que está a polémica sobre a  bondade ou a nocividade de nos vacinarmos contra a gripe A, com alguns médicos, enfermeiros e outros técnicos de Saúde a recusarem essa medida preventiva, os leigos como eu, ficam confusos. Depois, para aumentar a confusão, circulam por aí e-mails, textos e vídeos que, pelo seu conteúdo sensacionalista, não podem deixar de alarmar e de causar preocupação. É o caso do vídeo que mostro acima.

 

Dois dos meus melhores amigos são médicos e então, sempre que me surgem questões destas não hesito em lhes bater à porta e indagar sobre a credibilidade deste tipo de «informações» – quase sempre é preciso pôs aspas. Com a paciência que por certo lhes advém do exercício da profissão (e, claro, da amizade que há décadas nos une), nunca me deixam às escuras. E, mais uma vez, me iluminaram.

 

O que escrevo a seguir é o resultado das duas consultas que fiz aos Doutores Carlos Leça da Veiga e Rui de Oliveira. As suas palavras esclarecem-nos sobre a credibilidade da «ministra» finlandesa e sobre o momentoso problema das vacinas contra a gripe A. Peço a vossa atenção:

Ser a Sra. Rauni Kilde ministra, ou não, nada traduz que saiba do que está a falar. Para afirmar-se a causa real de qualquer doença infecciosa há critérios objectivos que nesta caso da vacina da gripe não estão confirmados. Os vírus utilizados nas vacinas da gripe são vírus inactivados e, desde há muitos anos, que a vacina da gripe é a vacina vírica indicada para todas – todas – as grávidas. Até agora a mortandade anunciada pelo uso da vacina não está à vista. Não se acredita que seja possível torná-la obrigatória nem mesmo, para tanto, invocando o precedente da vacinação anti-variólica que era obrigatória e, desse modo, conseguiu acabar com a doença no mundo.

Procurando nas mesmas fontes da Net onde se vão buscar estas intervenções “espectaculares”, o que se encontra não credencia especialmente a Sra. Rauni Kilde. Correndo o risco de fazer juízos errados (mas usando as mesmas fontes…), parece (nas palavras de um seu apoiante 1) que nunca foi ministra (logo nunca demitida) mas apenas responsável provincial (e nem sequer responsável – chefe). Em particular após o seu acidente de carro (causa do afastamento ?), afirma-se defensora da presença de extraterrestres entre nós (ver texto abaixo 2 ) e, entre outras campanhas de que é dinamizadora, destaca-se a tese de que há uma conspiração para o controlo da mente pelas microondas (telemóveis, implantes de micro-chips, etc). Encontram-se, por exemplo, tais congeminações no artigo “MICROWAVE MIND CONTROL: MODERN TORTURE AND CONTROL MECHANISMS ELIMINATING HUMAN RIGHTS AND PRIVACY by Dr. Rauni Leena Kilde, MD September 25, 1999” a que se pode (e deve) aceder pelo link http://www.raven1.net/kilde1.htm Diz-se deve porque o artigo é um pouco aflitivo pela sua argumentação paranóide.

Em suma, o discurso da Dra. Kilde nada acrescenta e não será por aí que devemos ir. Questionar o lucro e o peso de certa indústria farmacêutica é legítimo e defensável, achar que a vacina aconselhada a grávidas e crianças é para diminuir a espécie é transtorno mental.

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 1 Rauni-Leena Luukanen-Kilde (born 1939 in Värtsilä, now in the Republic of Karelia) was the provincial medical officer of the FinnishLapland Province with a doctorate in medicine from 1975 until a car accident in 1986, which took away her ability to continue her work and career. She likes to advertise her former title, but often she rather calls herself a former Chief Medical Officer of Finland.

 

2  “Finnish physician Rauni-Leena Kilde, MD spoke of the extraterrestrial experience among the Sammi (Laplander) people she was raised with above the Arctic Circle and in Scandinavia. Her first remembered contact was when she was in a severe car crash. As she laid there mortally injured, a small ET was at her side working on healing her injured liver. Later, the hospital staff could not understand how she survived the crash. Later she remembered ET contacts as a child living among the Sammi. She reported that there is a change of attitude in Scandinavia and the European Union about cosmic contacts. She hears positive reactions to ET encounters. …  Her country borders Russia, where cosmonauts were threatened with death if they talked openly about UFO encounters…”

 

 

 

Gripe A: À dose

Afinal a vacina é só para tomar uma dose, ao contrário do que se dizia e fazia há um mês atrás, em que eram precisas duas doses.

 

Isto não ajuda nada, a credibilidade e a confiança andam muito por baixo, e as pessoas vão começar a pensar que isto de cientifico nada tem, agora é só uma dose porque não há vacinas para todos.

 

Entretanto a febre tambem é à dose, de manhã em casa as crianças não têm febre, na escola passam a ter e no centro de saúde já não têm. Isto reforça a desconfiança.

 

Trezentos alunos no Distrito de Aveiro foram mandadas para casa, após as escolas constatarem que as crianças estavam febris, o que nuito preocupou os pais, que de imediato foram aos centros de saúde que verificaram não haver o quadro febril o que muito zangou os pais.

 

Se as crianças não fossem mandadas para casa, teríamos por aí acusações de desleixo, assim como as escolas jogaram pelo seguro, aqui del-rei que que as escolas querem é fechar as portas e ir de férias.

 

O pânico está a tomar conta das pessoas e não é à dose o que é a pior notícia.

 

Gripe A: não deveriam os alunos receber a vacina?

Que mal pergunte: mas, as crianças não deveriam ser vacinadas?

A resposta não é só económica?

Será desta?

 Foi hoje anunciado que em 2011 estará finalmente disponível uma vacina contra a malária, resultado dos esforços de uma equipa que reúne especialistas espanhóis e moçambicanos.

Não se sabe ao certo quantas pessoas morrem com malária todos os anos, mas o número não é inferior a 3 milhões, sendo certo que muitos casos não chegam ao conhecimento das autoridades de saúde.

Em muitos casos, os afectados são crianças com menos de 5 anos. Aliás, a OMS estima que em África morre uma criança a cada 30 segundos vítima de malária.

Pode ser difícil criar uma vacina contra a malária mas reduzir ou eliminar o número de casos necessitaria apenas de uma melhoria das condições sanitárias em que vive a população e da introdução de redes mosquiteiras. Uma rede mosquiteira custa menos de um euro mas não parece ser uma prioridade para muitos governos africanos. 

É certo que, em muitos casos, são os cidadãos que resistem ao uso da rede. Porque faz calor, porque lembra uma mortalha, porque não crêem que seja prioritário. Mas também isso poderia transformar-se se houvesse um investimento na informação. Isso significaria, por parte desses governos, um genuíno interesse na vida e na saúde do seu povo. Não porque haja perspectivas de lucro nos bastidores mas porque essa vida é o mais precioso bem de um país.

Enquanto houver uma minoria que se serve do poder para promover os seus interesses, continuaremos a ver África condenada ao sacrifício dos seus filhos. Continuaremos a ver gerações a quem, numa fuga desesperada da fome, da malária, da sida, da guerra, nada mais arresta do que dar à costa da Europa e mendigar a vida digna a que tinham direito por nascença. 

Tomar ou não a Vacina da Gripe A

BLOGGER CONVIDADA – MÓNICA LALANDA*

 

Senhora Ministra da Saúde, escute-me:

9 de setembro de 2009 – Senhora Ministra, proponho-lhe que seja a primeira espanhola a vacinar-se contra a Gripe A. De facto, com este despropósito chamado autonomias, se V/ Excia se vacinar junto com toda a gente que nos governa em Espanha, o grupo de controle seria suficientemente grande para nos sentirmos todos mais seguros.

Verá V/ Excia, agradeço que me tenha colocado à cabeça dos grupos de risco e que tenha V/ Excia tanto interesse em que eu não apanhe a gripe.

Entendo que V/Excia me necessita para que o sistema de saúde não entre em colapso;

no entanto, é uma grande pena que, da mesma forma que se preocupa V/Excia pela minha

saúde e de repente me valorize como um bem nacional, não se preocupe com a minha

situação laboral. Convido-a a vir ver o meu contrato ou o do resto dos médicos neste país. Na grande maioria, trabalhamos com contratos que no resto da antiga Europa seria uma vergonha.

Senhora Ministra, eu não vou vacinar-me. O vírus não acabou de mutar e a partir da última mutação deverão passar seis o oito meses para elaborar a respectiva vacina. Ou seja, a vacina que nos propõem não pode ser efectiva. Quanto à sua segurança, já temos a experiência de vacinas para a gripe fabricadas à pressa; usam-se adjuvantes perigosos

para poder por menor quantidade de vírus. Francamente, eu prefiro ter muco durante três dias do que sofrer un Guillain-Barre.

 

Senhora Ministra, não gosto de ser um coelho-das-índias. O Centro de Prevenção e Controle de Doenças da UE "está à espera de saber quais são os efeitos da vacina nos adultos sãos para detectar possíveis consequências adversas". Olhe, prefiro que V/Excia a teste e depois me conte.

Senhora Ministra, o assunto está a fugir-lhe das mãos. Já está mais que claro que este vírus, embora muito contagioso, é muito pouco agressivo e mais de 95% dos casos evolui de forma leve. Espera-se um máximo de 500 mortes frente às 1.500 a 3.000 que provoca a gripe tradicional.

Enquanto isso, V/ Excia está a permitir um desperdício de recursos inaceitável. Muitos hospitais no país estão a ser objecto de alterações arquitectónicas absurdas e desnecessárias para se prepararem para uma hecatombe que já sabemos que não vai acontecer. V/ Excias gastaram 333 milhões de euros nesta pandémia de cor e fantasia. A mortalidade do vírus é de 0.018%, francamente irrisória.

Senhora Ministra, deixe que lhe recorde que a Gripe A matou até agora 23 pessoas e que tem uma taxa de incidência de 40-50 casos por semana em cada 100.000 habitantes. No entanto, o tabaco produz em Espanha 40.000 mortes por ano e 6.000 por tabagismo passivo. Isso sim é uma pandémia, mas V/ Excia prefere ignorá-la. é um tema menos atractivo e que lhe criaria uma multidão de inimigos. Dos 447 mortos nas estradas espanholas em 2008, nem falamos, porque não é do seu pelouro.

Senhora Ministra, explique-me por que motivo tem V/ Excia o Tamiflu sob custódia do exército. A eficácia dos antivirais nesta gripe é duvidosa e, de qualquer forma, o único efeito que têm é reduzir um pouco a duração dos sintomas e com efeitos secundários não desprezíveis. Qualquer um diria que V/ Excia guarda com 7 chaves a cura contra o cancro ou a peste bubónica. Ponha o fármaco nas farmácias que é onde deve estar e deixe-se de fantasias mais apropriadas a Hollywood. Em alternativa, faça algo sobre a patente do osetalmivir e permita que o fabriquem outras companhias farmacêuticas, assim não há encargos com restrições.

Senhora Ministra, as previsões da Organização Mundial de Saúde já se extrapolaram em ocasiões anteriores. Quando foi da gripe das aves, previram 150 milhões de mortos que afinal se ficaram pelas 262 mortes. Voltaram a enganar-se, não importa. O importante é parar esta loucura em que estamos lançados e essa, senhora Jiménez, é responsabilidade sua.

Senhora Ministra, isto é dum cinismo muito grande. Há demasiada gente a comer a sua garfada neste assunto. Não só os fabricantes das vacinas e dos antivírus mas também os que fazem as máscaras, os da vitamina C, os do bífidus activo, os fabricantes de ventiladores artificiais e pulsioxímetros, os dos lenços descartáveis, os produtos de

desinfecção das mãos, até os presos com doenças incuráveis que querem aproveitar para ir para casa. No entanto, não me negará tão pouco que a cortina de fumo lhes veio a calhar ao seu governo agora que a crise segue a sua marcha, o desemprego tem níveis históricos, sobem-nos os impostos, sobe o IRC e baixa o PIB. Uma coincidência, suponho.

Senhora Ministra, uma coisita mais. Se tiver que ver muitas mais fotos suas a meia página com olhar astuto, trajes sexys e poses de modelo… vai-me dar uma coisa !

* Mónica Lalanda passou os últimos 16 anos em Inglaterra, a maioria como médico de urgências em Leeds (West Yorkshire). Actualmente trabalha na unidade de urgências do Hospital General de Segóvia, participa em várias publicações inglesas e também produz ilustrações para revistas e livros  médicos.