O Orçamento do Estado para 2020 é uma mentira

We keep saying we’ve arrived at psychogenesis, but we actually continue to be working obviously with linguistic models. Here is Lacan telling us the unconscious resembles a language, that it’s structured like a language; Brooks telling us that it’s the verbal structure arising out of the relationship between metaphor and metonymy that constitutes the narrative text. We keep sitting around twiddling our thumbs, waiting for somebody to say something about the psychogenesis of the text.
Paul Fry

Mentira!
Joacine Katar Moreira

Purpose of sampling distribution You’d like to estimate the proportion of all students in your school who are fluent in more than one language. You poll a random sample of 50 students and get a sample proportion of 0.12. Explain why the standard deviation of the sampling distribution of the sample proportion gives you useful information to help gauge how close this sample proportion is to the unknown population proportion.
Agresti, Franklin & Klingenberg

***

Já sabíamos que o Orçamento do Estado para 2020 era uma vergonha merecedora de chumbo. A farsa ortográfica promovida pelo poder político teve hoje um episódio simbólico: depois de ter confirmado a promulgação do OE2020, Mário Centeno anunciou que esta vergonha ortográfica entraria em vigor no dia 1 de Abril. Exactamente: 1 de Abril. Excelente escolha. Ovação de pé.

Aliás, a mentira ortográfica continua de vento em popa no sítio do costume.

Saúde para todos e, embora haja le printemps qui chante, por favor, restez à la maison.

***

A bexiga *iperativa

In particular, in the case of aviation disasters that are caused by linguistic problems, it would be important to distinguish different ways of pronouncing and representing the same numeral: In English there are different ways of saying the numerals of the accident flight USAir 427: either four hundred twenty-seven or four two seven (in the style of a telephone number), where in the latter case, it would be most interesting to determine whether the cipher 4 (phonology /fo/) had the phonetic realisation [fo:], [for], [faʊə], [faʊ’ər], or the like.
Claudia Sassen

nobody, not even the rain, has such small hands.
e. e. cummings

***

*Hiperativa? Efectivamente, o ‘m’ de imperativa indica [ĩ] em vez de [i]. De facto, o ‘c’ de hiperactiva indica [a] em vez de [ɐ]. Com efeito, o ‘h’ inicial de hiperactiva é inorgânico. De simplificação em simplificação, obter-se-á *iperativa.

Há poucas semanas, comprei um slide igual a este do Jeff Beck, na Macari’s (que saiu da Denmark Street e foi para a Charing Cross Road, quase em frente à Foyles, que fica ao lado deste templo). Se reparardes bem, entre 1:33 e 1:39, o Jeff Beck pega nesse slide com o mesmo à-vontade com que eu pego nos meus lápis e na minha esferográfica Faber-Castell, ou seja, sem o desleixo de quem aniquila letras com valor grafémico.

Exactamente.

Nótula: Apesar de as minhas canções predilectas do Rui Veloso serem o saiu para a rua e o não me mintas (embora haja aquele desnecessário verso com o Jardel…) e apesar de preferir mil e uma vezes o nova gente ou o made in oporto dos GNR ao porto sentido como hino pop da minha cidade (o Jardel ainda é como o outro, mas para o “lampiões tristes e sós”, francamente, não há pachorra), não podemos nem devemos ignorar a voz das varandas. Viva o Porto! Os meus agradecimentos à Alexandra Martins.

***