Esta é a minha gente. À Porto!

Assisti, pela televisão relacionada com o clube maior da cidade do Porto, ao jogo entre o FCP e o SLB, em andebol, que conferiu aos dragões o hexacampeonato. Os atletas tinham acabado de entrar no reservado palco da história maior do clube, os recordes, os directores acotovelavam-se para cumprimentarem o Presidente, o Presidente desfazia-se em cumprimentos e abraços, os atletas saltavam, o treinador vestia a camisola de um campeão que vai partir para a Polónia, até que surge na pantalha o momento sublime da tarde: perdido algures na assistência, o grande capitão de Viena, João Pinto, limpava as lágrimas enquanto perpassava pela sua cara o supremo sopro da emulação clubista. [Read more…]

O funeral dos ciganos

Intuí, no momento, que se passava alguma coisa com aquelas pessoas que conhecia há muito. Por razões que não interessam aqui, estava no funeral da mãe de um banqueiro. Havia incómodo, tristeza, mas tudo era como que de uma mera chatice se tratasse, uma coisa que havia que fazer quanto mais depressa melhor.

 

Noutro tempo, acompanhando alguem da família a um hospital, assisti às manifestações de dor de uma família cigana. O seu patriarca tinha morrido naquele hospital, e a família, acampada nos jardins, dava largas à sua dor, com cânticos, com choros, num cerimonial que tinha muito de místico.

 

A noite ía alta, o silêncio tinha caído sobre a grande cidade, e aqueles cantares ecoavam e arrastavam-se mil vezes, com uma nobreza que me emocionava. Foi nessa altura que me lembrei do sentimento que me havia  aflorado, feito de intuição, no funeral de há anos atrás e que só agora compreendia.

 

A dor emocional é a expressão de quem experimenta o amor, não há uma sem outra, e foi essa falta que eu intuí.  Se reduzirmos a vida ao prazer, se passarmos por cima dos sentimentos profundos que nos dão identidade, não somos mais que  agentes de uma sociedade insaciável, onde não cabe  o amor, a bondade, a solidariedade, a amizade.

 

Mas aqueles cantares, tinham uma dimensão mística, religiosa, como sempre tiveram as manifestações de expressão sentimentais que erguem o homem ao nível do artista, do cientísta, do político, do escritor, da mãe, gente que se dedica ao bem do seu semelhante e tenta compreende-lo.

 

Esta componente mística e religiosa do ser humano faz parte da sua essência, torna-o mais humano, menos dependente da ideia  que tudo se compra, que tudo está ao alcance da voragem do prazer.

 

Muito do que se quer compreender quanto à religião passa por aqui, por esta linha, entre o homem que se quer omnisciente e omnipotente e o homem que procura, que sofre, que ama…

 

E o divertido da questão, é que o homem se revolta contra Deus por não o aceitar como omnisciente, omnipotente e omnipresente…

 

O Mundo é melhor com Deus do que sem Deus. Para mim, basta!