De Assange à Fontinha.

Vivemos num período, à escala global, em que infringir as regras, ser desonesto ou não cumprir obrigações individuais ou colectivas torna a ser algo de heróico, de divino. Subitamente milhares de Robin Hood sobem aos palcos e recebem medalhas.

Obama, presidente do país mais conflituoso do mundo foi galardoado com o prémio Nobel da Paz e Julian Assange, que noutros tempos se consideraria um mau espião, foi recentemente premiado. E hoje leio que Richard Stallman, um hacker informático dos anos 80, vai ser recebido na Universidade do Porto com honras de catedrático. De resto nada disto é novo. Antes de ser o ícone que hoje é, Mandela, por exemplo, foi bombista e um perigoso reaccionário. É é impossível não pensar o quão esquizofrénico é tudo isto. O mundo pende, perigosamente, sobre uma ideia de punição: uma punição que extrapole a justiça, a ética, o bom-senso. Os mesmos que aplaudem os heróis como Assange, aplaudem-nos porque eles são o instrumento do seu ódio, não pela acção ou finalidade do acto em si (de resto, a criação de Stallman, o software livre, é louvável, mas não pela destruição de todo o outro).

Um caso recente e mais próximo de nós: a okupação na escola da Fontinha, no Porto.

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Isto está é a precisar é de um Rui Rio a mandar nesta merda toda

A estória é simples: havia uma escola abandonada no Porto, e um grupo de pessoas decidiu okupá-la. Recuperou o edifício, e dinamizou-o como espaço de utilidade social, cultural e educativa. Leiam as suas intenções.

Ouvindo as palavras educação, social e cultura, Rui Rio mandou apontar as pistolas.

Diz-se no JN:

“Acho mal saírem daqui, trabalharam tanto e fazem uma coisa destas. Vêm de metralhadoras e pistolas e levam os rapazes presos”, disse exaltada Dona Branca, moradora na Rua da Fábrica desde que nasceu.

Foram muitas as críticas ao despejo do movimento ES.COL.A — Espaço Colectivo Autogestionado do Alto da Fontinha.

“Isto parecia o farowest. Nunca vi tanta polícia na Fontinha”, desabafava Margarida, enquanto Fátima enchia os pulmões: “Parecia que vinham prender o bin Laden. Do meu lado era de pistola em punho. É um disparate. Antigamente eram seringas, drogas, tudo e desde que este grupo veio para aqui foi uma limpeza. Tínhamos professores que vinham dar aulas às crianças gratuitamente”. [Read more…]

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