Ao Cuidado dos ” Aventarias ” desta vida.

 

” Porque ”

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

in Mar Novo (1958) de Sophia de Mello Breyner Andresen

«Pela primeira vez em tantos anos, senti-me um número»

Funcionário descartável3
Esta foi a frase que, destroçada, uma amiga me disse quando me contou o que a empresa onde (ainda) trabalha. Como ela, muitas, eu sei. Ainda assim, não consigo deixar de ficar chocada com a falta de respeito de certos patrões. É-me impossível ficar indiferente às injustiças com que se tratam as pessoas que muitas vezes dão tudo de si. Este empenho é, frequentemente, devido não a ambição desmedida, mas a uma forma de estar. Os dois casos de que pretendo falar neste post são de pessoas que dão o seu melhor porque não sabem ser de outra forma. Sem mais ambições porque ambas já estavam nos topos das suas carreiras nos seus locais de trabalho. Melhor que isso, só mudando de emprego, algo que nenhuma das duas desejava.
Por motivos óbvios, detalhes, nomes de empresas, situações comprometedoras e outros pormenores que poderiam permitir a sua identificação não serão revelados. [Read more…]