«Pela primeira vez em tantos anos, senti-me um número»

Funcionário descartável3
Esta foi a frase que, destroçada, uma amiga me disse quando me contou o que a empresa onde (ainda) trabalha. Como ela, muitas, eu sei. Ainda assim, não consigo deixar de ficar chocada com a falta de respeito de certos patrões. É-me impossível ficar indiferente às injustiças com que se tratam as pessoas que muitas vezes dão tudo de si. Este empenho é, frequentemente, devido não a ambição desmedida, mas a uma forma de estar. Os dois casos de que pretendo falar neste post são de pessoas que dão o seu melhor porque não sabem ser de outra forma. Sem mais ambições porque ambas já estavam nos topos das suas carreiras nos seus locais de trabalho. Melhor que isso, só mudando de emprego, algo que nenhuma das duas desejava.
Por motivos óbvios, detalhes, nomes de empresas, situações comprometedoras e outros pormenores que poderiam permitir a sua identificação não serão revelados.

Primeiro caso:
Um dia, recebo um telefonema durante o qual sou informada que uma amiga quase da minha idade teve um AVC no trabalho.
Motivo: excesso de trabalho, alimentação errada (provocada pelo excesso de trabalho), demasiado sedentarismo (provocado pelo excesso de trabalho).
Ainda em recuperação, esta minha amiga passou de profissional competente enquanto deu «o litro» pela empresa, a redundante logo que ficou doente. Nem uma ambulância quiseram chamar quando ela se sentiu mal no seu posto de trabalho.
Sendo impossível o despedimento, porque ela é competente, optaram por embarcar na conhecida guerra psicológica. Foi tratada como lixo depois de anos de dedicação.
Esta amiga trabalha numa pequena empresa, cujos patrões estão sempre presentes, conhecem bem as funcionárias. Deveriam, digo eu, que sou uma pessoa de afectos e valores, ter alguma preocupação com quem para eles trabalha e os faz enriquecer.

Segundo caso:
Outra amiga, também ela teve problemas de saúde devido ao excesso de trabalho e a toda a dedicação que sempre deu.
Soube recentemente que a empresa tem que reduzir despesas e opta por despedi-la a ela porque é chefe e, neste momento, todo o seu trabalho pouco importa. Ela é apenas o salário que ganha. Não é a pessoa que apoia os colegas sempre que eles precisam e isso contribui, e muito, para que façam melhor o seu trabalho, não é a chefe que orienta e organiza todo o trabalho, não é a pessoa que está sempre disponível no telemóvel e que se desloca à empresa, mesmo em dias de descanso para resolver problemas ou situações delicadas. Nada. Ela não é nada. Não tem nome. Não tem rosto. Tem apenas os números do seu salário.

E assim vai a podre da nossa sociedade.

Posso estar errada, mas enquanto os números forem mais importantes do que as pessoas, não há verdadeira riqueza. Neste momento, adoraria poder fazer alguma coisa por estas pessoas que são tão injustamente tratadas, embora tratadas sempre dentro da legalidade.

Comments


  1. Infelizmente é a triste e crua verdade.
    Um grande abraço.


  2. O grande problema é a falência das empresas e consequente
    desemprego , porque a ninguém , patrões e empregados é
    garantido trabalho , por mais que se esforcem .

    Veja-se que as empresas que sobrevivem e têm privilégios
    são as que estão protegidas pelos políticos , onde têm os
    seus interesses instalados , isto é a corrupção em todo o
    seu explendor , para comerem cada vez mais .

    Depois quem paga é o desgraçado do contribuinte , muitas
    vezes já sem poder , por causa do abuso do poder .


  3. Cara Noémia,
    infelizmente o que descreve é uma situação vulgar, do mais vulgar e digo isto porque sofri uma situação diferente mas a linha de pensamento da entidade patronal é a mesma….
    Fiz suspensão de contrato de trabalho por falta de pagamento (4 meses de salários em atraso) a lei diz que a falta de pagamento do salário não é motivo para o trabalhador não comparecer no local de trabalho ( mesmo que a distancia seja considerável), fui acusada de prejudicar a empresa de não compreender que a culpa era toda da crise, também eu exercia um cargo de chefia, mantinha ao serviço as pessoas que dependiam de mim, mesmo nas piores condições sempre defendi os interesses da empresa. E saí penalizada porque sei que nunca vou ver a cor do meu dinheiro.
    Conclusão os empresários em Portugal, não todos, são como o nosso (des) governo, incompetentes, mentirosos e corruptos.
    Este é o nosso drama


  4. Quanto a isso de se ser agora apenas um nº não vou desmerecer ninguém que aqui escreveu o que escreveu já que, igualmente, passei a ser apenas um número há muitos anos – Em agosto de 1986 precisei de ir a um hospital considerado extremamente bom (e acho que sim pois que lá estive) e fui bem tratada e conheci um ambiente fantástico e como tinha que aguentar o tempo que me mandaram ficar sentí-.me tão bem tão depressa que até ajudava a comer as velhotinhas que não tinham nem visitam vem vontade de comer – claro que lhes enfiei sopa pela boca abaixo – e fui “notada” por essa disponibilidade pois não havia “pessoal” para tudo e as enfermeiras até se queixavam do médico chefe do serviço que era “duro e frio e não sei quê” – Ai é ?’ Como senti que não tinha que andar a rir e era o “faquista” um dia resolvi dar-lhe um beijo deante de toda a gente – Também ele ficou de olhos em bico mas o certo é que até sorriu (por acaso vim a saber que era primo de colega que ele não conseguiu salvar e que nos relacionou pois que viu a minha profissão e sermos da mesma idade – Ele já não está nesse hospital – MAS eu era, apenas, a “cama 35” numa enfermaria onde se gemia de dor, onde não havia janela com cortinas nem persianas e acordava com o nascer do sol + etc – onde as enfermeiras gritavam a chamarem-se umas às outras das extremidades do corredor, onde entravam e saíam das enfermarias com um grane cagaçaç pois que empurravam a porta com a maca – etc – Foi um bom PETISCO – mas vos digo que deixando de ter nome nem profissão nem sequer vestir como queria (claro que é idiota dizer isto mas é para reforçar o anonimato e redução da persona) nem dormir como precisava – aprendi uma grande lição do vida – DESPOJARAM-ME de tudo mas aprendi que posso ser só um nº, o que me fez de repente de grande humildade só por isso, e por ver o sofrimento indizível físico e psíquico de TODOS – por muito bons que sejam todos os que trabalham num hospital sei que se pode ser menos “indiferente pelo menos na aparência e em pequenos gestos” e, por exemplo, meu irmão que esteve em hospital diferente (talvez PPP sei lá e em 2005, creio) já tinha na cabeceira da cama o seu nº mas também o seu nome cristão (o 1º nome) e um quarto só com duas camas – No entanto creio que foi mal tratado – nem gosto do “futebolista” (não me perguntem porquê) que se auto-elogia tanto que mete mêdo – quem tem mãos sapados a bater ma mesa e fala aos gritos e com raiva -não consigo ver com bisturi a esfaquear quem quer que seja e nele confia – quem me operou era silencioso e circunspecto e não participava em “futebóis” ++ etc – Perdi meu santo irmão único que sofreu em silêncio toda a vida desde 19 anos em que foi para a porra da guerra de Angola fazer não sei o quê e não voltou “mais ele” mesmo medalhado e condecorado e o caraças – e sem ele, o ultimo da família, fiquei eu deante de mim e aqui estou a escrever estes disparates pois já não sei, nem quero, falar a sério – excepto com quem gosta de mim – o n~º é de fato mais do simbólico mas não o “esvaziem”, pelo menos do símbolo – não conspurquem nem os nºs – na RTP2 21-49H está Miguel Portas a falar do Yemen num local de conversa dos homens para conversar sobre tudo e nada, e mascam cate – não sei como se escreve – E CANTAM – Miguel que ontem também vi num lindo programa como só ele sabia fazer e vos escrevi sobre isso – sobre outro país africano – rico – despojado pela europa “rica” – vou mas é jantar antes que vire “cavalo-inglês” – até sempre – vou ver o que diz Portas (não o que conhecemos) pois que nada do que diz se pode perder – diz ele como é que o Corão pode dar unidade a tantos espelhados pelos continentes – Maomé não foi apenas profeta mas foi legislador juiz e árbitro e em 22 anos apenas – conseguiu unir árabes e fazer emergir os árabes como potência mundial -mas outros o conseguira, só com ditaduras – Maomé sensível e sábio para o seu tempo – monoteiista judaico -cristão arabizou o Islão e hoje a dificuldade de entender o presente à luz do passado – BOA Miguel que Deus também levou tão cedo 22 H- vou ouvir pela milionésima vez os que corrompem até pela PALAVRA que para eles já não é o “VERBO” ai ai ai aiaiaiaiasi – bem não quero ouvir mais guerras de moçambique – matam-se cães de rua – envenenam-se os pombos da minha rua – violam-se pensões e reformas – e diz-se sempre o mesmo para perverter o pensamento que – afinal – já não é LIVRE e o vento não sabe que já não é – por isso há cada vez mais e mais vendáveis que se transformam em “tornados” rais parta os homens que só têm pilinha e os “outros” fazem PPP e os que restam homens calam – e calar também é bom certas alturas mas não assim e agora – não sei e nem sei se sei o que digo porque passei a dizer sem pensar – não quero pensar demais – Interpoll com olho no general angolano e o Brasil acusa e acho que devia estar calado e não dar bocas pois que bons exemplos nunca teve para dar ++ etc


  5. É custoso, um bom sistema político integrado na UE atual não permitiria a expulsão ardilosa de funcionários públicos para o desemprego para o abandono, uma miséria por parte dos governantes.
    Mas na verdade pessoas de Estado só devem ser POLÍCIAS, MILITARES E MAGISTRADOS, os restantes não são pessoas de Estado, são pessoas que trabalham para o Estado,. Pessoas de Estado são pessoas que têm funções de isenção.
    Mas o problemas está no seguinte


  6. “FRENTE PRODUTIVA DEMOCRÁTICA”

    Falamos em constituicionalidade, nunca esta palavra foi tão usada ou comentada nos meios de comunicação social e a mais esperada por um maior número de pessoas como nesta altura.
    Penso que hoje há um número maior de pessoas a apelar ao repeito pela constituição.
    Mas antes dos “cortes”, aonde estavam estas pessoas, e a maioria eram funcionários públicos, falo nos funcionários publicos que surgem nas televisões, e estes são a amostra de um grande numero, que nunca se manifestaram publicamente, podemos falar, em políticos, magistrados, médicos, enfermeiros professores, funcionários da PT, TELECOM, Correiros, Edps, Ancons, altas patentes militares e polícias, funcionários das camaras municipais, ou seja, um grande número de funcionários públicos.
    Ora bem, a constituição é como uma planta que se tem que regar, temos que constantemente regá-la para se manter vivi, mas se estavam bem para quê regá-la?
    Ora os políticos atuais adaptam-se, querem é poder, o voto é que conta e como aquelas pessoas da função pública estiveram bem e esqueceram-se da constituição, e porquê, reformavam-se com menos de 36 anos de serviço efetivos, com menos de 55 anos de idade ou seja, até com menos de 20 anos de trabalho, e andavam fora da atividade produtiva, a receberem salários superiores a 1000 euros, uma maravilha, nunca reparando e nem sequer lhes interessava que no particular uma mãe de três filhos com mais de 30 anos de serviço efetivos e mais de 50 anos de idade, a produzir numa empresa multinacional ao cronometro ininterruptamente, com febre para formar os seus filhos com salários inferiores a 750 euros, com formação antiga da que valia, cheia de maselas que não lhe permitiam reformar-se, não a passavam para a reforma, só a partir dos 57 anos de idade, e no minimo com 37 anos de trabalho, e hoje só com 63 anos, ninguém aparecia a falar em constituição, em equidade no respeito pelo desgaste. Matulões de Políticos com três e mais reformas, segundo reza a história nem Jesus Cristo ressuscitou mais de uma vez, mas os políticos reformavam-se cedo, ou seja, prematuramente com grandes corpanzis e saúde para dar e vender, e não era inconstitucional, eram poucas as pessoas que se preocupavam e se procuravam inteirar desta injustiça que é inconstitucional, um ser humano produtivo, atingir o seu direito ao descanso após mais 20 e 30 anos do que outro, pergunto a que título?
    Ainda bem que hoje aparece mais alguém a falar, a apelar à inconstitucionalidade. A inconstitucionalidade Senhores Intelectuais da descrição da perfeição das injustiças governamentais, surge do respeito pelo sofrimento e das diferenças não fundamentadas, mas utilizando um termo brejeiro, enquanto se gozava, os “beibis” da élite da função pública estavam calados, ainda bem que hoje há uma maior adesão das pessoas ao respeito pela constitucionalidade. Mas as grandes diferenças, principalmente no tempo da produtividade para atingir a idade da reforma muitos poucos referiram que era inconstitucional, pois enquanto a vida lhes corria sem saberem o porquê dos seus proventos, já não se interessavam que os políticos se reformem cedo, que os capitalistas suguem mais das receitas, que houvessem escolas privadas a usufruírem de apoios do Estado, das facilidades para parcerias dos Capitalistas, desde que não se mexesse no que se mexeu e esta-se a mexer não houveram nem se levantaram os problemas, a massa laboral dos privados que sustentassem o Capital, mas desde que não se mexe-se nos funcionários públicos. Como é evidente haviam algumas pessoas que apregoavam já a estas injustiças mas eram poucas.
    Numa mentalidade Produtiva e por isso esta página se denomina “FRENTE PRODUTIVA DEMOCRÁTICA” o tempo da idade da reforma é igual para todos salvo por motivos e razões devidamente fundamentadas.

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