escritores chilenos – mi Gabriela Mistral

a poetisa a receber o Prémio Nobeldo Rei Sueco Gustavo Adolfo

Gabriela Mistral, 1954, ano em que a conheci, Valparaíso, Chile 

O título tem razão de ser, porque a conheci quando eu era pequeno e, desde logo, a admirei. Conhecia a sua poesia, romântica e combativa. Gabriela Mistral[1] era a leitura obrigatória da minha mãe, que gostava mais de ler que de comer. Essa devoção levou-me em curto espaço de tempo a ler a poetisa. Mal se conhecia a sua obra no Chile, apenas os Sonetos da Morte, escritos em 1914, poema com que ganhara os Jogos Florais de Santiago. Não se apresentou a receber o prémio. Tinha escrito esses versos em memória do seu grande amor, Romélio Ureta, homem fino, com quem namorou, abandonando o seu prometido Alfredo Videla, ambos maestros na escola La Cantera, da cidade de Vicuña. Gabriela Mistral era maestra de crianças e foi sobre elas que começou a escrever. [Read more…]

atribuição do prémio Nobel de Literatura. Mi Gabriela Mistral

A nossa poetisa recebe o merecido Prémio das mãos do Rei Sueco, o primeiro ao acabar a guerra mudial

Entrega do Prémio Nobel de Literatura pelo Rei Gustavo Adolfo da Suécia, Novembro de 1945, aos 56 anos de idade

Quando se fala de Prémios Nobel de Literatura, há um que é sempre esquecido e sinto o meu dever resgatar.

A notícia de ter ganho el Nobel, a recebeu em Petrópolis, a cidade brasileira onde desempenhava a labor de cônsul desde 1941, cidade de má fama para ela: tinha-se suicidado aos 18 anhos, Yin Yin, alcunha de Juan Miguel Godoy Mendoza, seu sobrinho consanguíneo, conforme a notícia circulava, filho de um hermanastro, quem fora adoptado por ela e a sua amiga e confidente Palma Guillén, com quem vivia pelos menos desde que o garoto tinha quatro anos. Há quem diga que era filho dela, dai a cautela com que transfiro a notícia, especialmente por ser narrada a nós pelo nosso tio Higinio González Nolle de Montjeville, Ministro Conselheiro da Embaixada do Chile em Rio de Janeiro. Tinham convivido juntos, em tempos de guerra, em Portugal, onde o tio era Ministro da Embaixada e Gabriela, consulesa. Habitavam a mesma casa que hoje

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