As previsões económicas do banco central australiano são tão boas como mandar uma moeda ao ar (em inglês). Estas previsões, lá como cá, são usadas para decidir o nosso futuro. Assustador.
No boys for the job
Contaram-me que, há dias, na televisão, um engenheiro comentava que não era possível a alguém com a sua profissão enganar-se a planear e executar uma ponte, ao contrário dos economistas que falham constantemente previsões e execuções. Quem diz economistas, diz, é claro, ministros, chanceleres ou presidentes.
Gostaria de cumprimentar daqui esse engenheiro desconhecido, por pôr em palavras melhores que as minhas aquilo que penso.
Efectivamente, se fizermos a história das previsões económicas feitas por especialistas, sobretudo nos últimos dois a três anos, encontramos uma quantidade assustadora de tiros falhados, como a sucessão de PECs da marca “agora é que vai ser o último” ou as garantias de que não haveria necessidade de cortes posteriormente inevitáveis ou a nomeação de governos europeus que iam acalmar os mercados e ainda causaram mais nervosismo, culminando nesta palhaçada de Bruxelas, em que se reuniu uma multidão de fantoches manipulados por um duende de saltos altos e por uma boneca insuflável com a sensibilidade de um SS.
Voltando à metáfora da construção civil, pergunto: os amáveis leitores mandariam construir uma casa a um empreiteiro célebre pelas derrocadas que já tivesse provocado? Vão pensando nisso, que 2015 chega num instante, com ou sem euro.
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Se há coisa que me irrita é a ignorância atrevida. Nos últimos anos, tenho-me confrontado, várias vezes, com esse fenómeno, nomeadamente quando ouço tantos a falar sobre Educação e sobre professores, sem terem, sequer a humildade de perguntar a quem possa saber mais sobre o assunto.
A ignorância não deve impedir, naturalmente, a curiosidade e, até, a crítica, mesmo que humilde. Os últimos anos têm-me dado múltiplas razões para duvidar dos economistas e outros satélites licenciados em engenharias várias. A verdade é que são muitos anos a ouvir certezas absolutas que se transformam, invariavelmente, em previsões falhadas.
É completamente submergido na minha ignorância que continuo a perguntar-me como é que é possível prejudicar a maioria dos cidadãos, acreditando que isso irá beneficiar o país. Parece-me que isso é o mesmo que dizer que, se tirarmos todos os órgãos a uma pessoa, ela ficará com uma saúde de ferro.






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