No boys for the job

Contaram-me que, há dias, na televisão, um engenheiro comentava que não era possível a alguém com a sua profissão enganar-se a planear e executar uma ponte, ao contrário dos economistas que falham constantemente previsões e execuções. Quem diz economistas, diz, é claro, ministros, chanceleres ou presidentes.

Gostaria de cumprimentar daqui esse engenheiro desconhecido, por pôr em palavras melhores que as minhas aquilo que penso.

Efectivamente, se fizermos a história das previsões económicas feitas por especialistas, sobretudo nos últimos dois a três anos, encontramos uma quantidade assustadora de tiros falhados, como a sucessão de PECs da marca “agora é que vai ser o último” ou as garantias de que não haveria necessidade de cortes posteriormente inevitáveis ou a nomeação de governos europeus que iam acalmar os mercados e ainda causaram mais nervosismo, culminando nesta palhaçada de Bruxelas, em que se reuniu uma multidão de fantoches manipulados por um duende de saltos altos e por uma boneca insuflável com a sensibilidade de um SS.

Voltando à metáfora da construção civil, pergunto: os amáveis leitores mandariam construir uma casa a um empreiteiro célebre pelas derrocadas que já tivesse provocado? Vão pensando nisso, que 2015 chega num instante, com ou sem euro.

Comments


  1. muito bem ‘dizido’…

  2. Pisca says:

    Há muito tempo que me “pego” com economistas quando lhes digo que:

    – Prevêem o que nunca acontece, e arranjam boas explicações para o que sucede e nunca lhes passou pela cabeça

    Prefiro o que anda aí pelo youtube, dito por uma economista brasileira, qual Odete Santos que os derrete a todos, procurem


  3. …a minha casa não vai sofrer derrocada, escolhi bem o empreiro ,não o empreiteiro célebre pelas derrocadas,estou a sofrer com as derrocadas das casas dos meus «vizinhos»,…
    e eu que não tenho culpa!


    • Ana Bento – ou seja, não foi por causa da casa que ruíu ao lado da sua, mas simplesmente pela escolha do local de implantação, que tendo as condicionantes que não posso saber quais são no seu caso, mas sei que hoje se constrói não importa onde nem poruê (até posso deduzir) pelo que muitas vezes o mais importante não é a casa “bonita” (que sempre pode ser altarada) mas a segurança e justeza do local escolhido – não se esqueça, peço, que se lembre da derrocada da Ilha da Madeira o ano passado, sobretudo Funchal, que ruíu por se construir, sempre ou maioritariamenre, NÂO IMPORTA como e ONDE, porque quem manda é omiscientemente multidisciplinar – mas depois da derrocada catastrófica não sei se se recorda das declarações, à TV, de um geólogo local que foram exactamente as que eu teria feito – conheço bem demais o Funchaç mas não habito lá, como conheço o país mas não a ponto de o poder mostar aqui escrevendo – mas dá para imaginar a razão – o cimento não agarra, só por si, uma habitação ao lugar onde se constrói – dada o ad hoc com que constrói hoje, e como sabe e vê em cada época de chuva, as casas que não estão inseridas em áreas urbanas já consolidadas, estão muito sujeitas a inesperados, até no bairro onde vivo e que é centenário, dado o que lhe tem sido “acrescentado, indevidanente, desde 2000

  4. jorge fliscorno says:

    Esse engenheiro devia ter trabalhado na mais recente ponte de Coimbra. Ao menos, os dois tabuleiros não teriam tido aqueles centímetros de desnível quando as duas metades se juntaram 🙂


  5. @Maria Celeste – Com todo o respeito mas,não entendeu o conteúdo metafórico do meu comentário! :-

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