A radioactividade pode ser benigna

Ontem iniciamos esta conversa, tendo como pano de fundo o livro “Radiation and Reason” do Prof Wade Allison da Universidade de Oxford.

Sustenta este físico que os desastres de Hiroshima, Nagasaki e Chernobil foram a pior demonstração da perigosidade da radioactividade em altas doses e, que isso, não deixa margem para dúvidas. O que não está demonstrado é o efeito das radiações em baixas doses.

A maioria dos especialistas acredita que a radioactividade mesmo em baixas doses e ultrapassando um determinado limite, pode influenciar o comportamento do nosso ADN. Segundo o modelo matemático linear, a exposição acima de certo limite tem efeitos, e quanto maior for a exposição, maior a probabilidade de indução de efeitos biológicos.

Contrariamente a este postulado, Allison considera que abaixo dessas doses não há qualquer efeito. Será que quando as doses são baixas não há essa proporcionalidade”? Este problema é um dos assuntos mais controversos para a ciência.

O Prof Wade defende que “há uma grande ignorância científica sobre a forma como os mecanismos do organismo reagem às radiações, pelo que o modelo linear adopta uma postura defensiva e de precaução” …” o modelo linear que não concebe a radiação sem riscos está na base da regulamentação em torno quer do nuclear, quer dos aparelhos médicos e industriais que utilizam radiação ionizante”, assim se encarecendo o progresso e se tornando mais dificeis as decisões dos políticos.

Esta percepção está a hipotecar o papel do nuclear em problemas como o aquecimento global e, a continuar assim, o nosso destino não será melhor que o do urso polar!(sic)

PS: bem me lembro quando eu e o meu irmão íamos ao médico e fazíamos exames de “radiocospia”. Além da minha dose levava a do meu irmão para ver as costelas dele…
E, já agora, o Radão, que enche de radioactividade as casas de granito nas Beiras…

A informação é que é nuclear e radioactiva

Como última fase do processo, a polémica lançada pelo livro do Prof. Wade Allison, questiona se a radioactividade constitui, na verdade, um perigo extremo.

Face ao esgotamento das reservas das matérias primas que têm sido a base da energia em que assenta toda a economia moderna, e dos custos muito superiores que as chamadas energias verdes ainda apresentam e a sua pequena contribuição para a solução do problema global, levam os olhares a voltarem-se cada vez mais para o nuclear.

Esta discussão pode levar-nos a duas perspectivas: o medo acerca das radiações levou a um desenvolvimento por parte da indústria dos sistemas de segurança que são, de longe, os mais adiantados e, por isso, poder dizer-se que a forma mais segura de criar electicidade em grande escala é o nuclear; e que esta premissa irá fazer acelerar o renascimento em força da indústria nuclear, como já está a acontecer nos países de economias mais desenvolvidas.

Acresce, que as matérias primas continuam a estar num caso longe (Brazil,Venezuela…) e noutros casos em regiões onde espreita a violência e politicamente pouco estáveis.

O que há para já a sublinhar, é que é justamente nesta altura que aparecem físicos nucleares a defenderem que as radiações em baixas dozes não têm qualquer perigosidade, e a serem lançados livros como “Radiation and Reason” com um impacto brutal na comunicação social.

É mesmo segura ou o desenvolvimento sustentado exige que tenhamos metido na cabeça que há que viver com o nuclear? A informação já está a interpretar o papel que lhe cabe!

PS: no “i” Prof Pedro Sampaio Nunes. Segue amanhã.