A casa de Aristides de Sousa Mendes

casa do passal

foto daqui

Antes de mais, saúdo a decisão da Secretaria de Estado da Cultura. O não restauro da casa do cônsul de Bordéus que salvou mais de trinta mil pessoas, contra a vontade de Salazar, era um atestado de indiferença e desprezo pelos actos de um dos raros portugueses que, sozinho, se dispôs a pagar um elevado preço para fazer o que julgava estar certo.

Durante anos, quase nada se soube sobre Aristides de Sousa Mendes. Pouco a pouco, (especialmente após o lançamento da Lista de Schindler) fomos sabendo de como possibilitou a fuga de milhares de pessoas do pesadelo nazi, de como morreu na miséria, de como ele e a sua família foram penalizados e ostracizados pelos seus actos.

Há muito tempo que se falava na necessidade da recuperação da Casa do Passal sem que sucessivos governos, autoridades regionais ou mecenas privados mexessem uma palha para honrar esta página exemplar.

Foi necessário que descendentes dos fugitivos, radicados nos EUA, começassem pouco a pouco a organizar-se para que o cenário mudasse. Com as pesquisas facilitadas pela internet, a Sousa Mendes Foundation localizou cerca de três mil sobreviventes e seus descendentes, passando a palavra e recuperando a memória do cônsul português de Bordéus. Foi ainda necessário que um jovem arquitecto americano, igualmente descendente da “diáspora Sousa Mendes” decidisse montar frente às ruínas da Casa do Passal um “museu temporário” cuja iluminação contrastasse com o buraco negro da casa, para que a campainha soasse em Portugal e a decisão fosse anunciada. [Read more…]

Artur Carlos de Barros Basto e uma justa petição

Li em tempos a história deste homem, penso que numa investigação publicada no Expresso, e é arrepiante. Demonstra como o anti-semitismo germanófilo e ultra-católico também fez parte do Estado Novo, e mostra como a arma da homofobia sempre foi usada pelas ditaduras.

Mesmo que Barros Basto não tivesse sido um republicano, mesmo que não nos tivesse legado uma notável tentativa  de tirar os marranos da clandestinidade ainda inquisitorial, ou seja, da construção da identidade de Portugal enquanto História, Cultura e Sociedade como realmente foi e não como os eternos revisionistas a inventam, assinaria na mesma esta petição internacional para a reabilitação do seu bom nome.

E isto de eu assinar uma petição sabendo que o mesmo fazem muitos sionistas não é todos os dias. Como o que separa os humanos dos rebanhos também é a capacidade de não usar palas nos olhos, não me arrependo.

Salvem a Casbah de Tânger!

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A Casbah de Tânger, ou castelo daquela cidade, património de inegável valor arquitectónico, encontra-se numa situação deplorável. A sua fachada Norte colapsou parcialmente e está em risco de ruína total, ameaçando derrocada.

O imóvel integra-se na cintura de muralhas construída pelos portugueses durante os quase 200 anos em que aí permaneceram, resultado da reformulação da antiga cerca que já existia desde o século XII. A Casbah foi implantada no ponto mais alto da cidade, em situação sobranceira em relação à Medina, desfrutando de uma vista panorâmica sobre o Estreito de Gibraltar.

A falta de conservação e a instabilidade do talude em que assenta, são factores determinantes para a situação crítica a que a Casbah chegou. [Read more…]