Uma vida curta demais

Este é o título da biografia do guarda-redes alemão Robert Enke, escrita pelo jornalista Ronald Reng e publicada agora em Portugal pela Lua de Papel. Passam agora três anos da sua morte. Todos conhecem o seu fim: sucumbiu a uma profunda depressão.

“Enke, diz Reng, gostaria de ser lembrado como alguém que se debateu com uma doença. Significaria muito para ele que as pessoas soubessem que era preocupado com os outros e um guarda-redes fantástico. E que percebessem que não se matou conscientemente, mas que foi a doença que o levou a esse acto.” (PÚBLICO, 6/11)

Aquela depressão teve como uma das causas ou a sua principal causa, a morte da filha de dois anos, Lara, em 2006. Uma vida curta demais refere-se, obviamente a Enke, mas a vida de Lara também o foi em demasia e Enke, como qualquer pai, não compreende nem aceita.

Mas foi também a pressão do futebol: “para Robert era muito difícil aprender a lidar com os erros”.

Que nos sirva de lição, a todos, este caso triste do futebol profissional:  “a carreira não é a vida. Há outras coisas além disso.”

Morreu Robert Enke

Foi o último grande Guarda-redes do Benfica. A sua morte leva-nos, mais uma vez, ao que é essencial – a vida.

Recordo, como forma de homenagem, sem qualquer tipo de ironia, um dia triste que vivi com ele – a derrota do BENFICA em Vigo. Lembro-me de ter perdido a noção de quantos golos já tinhamos sofrido, mas recordo também a forma leal como ele soube lidar com a situação, a pior que um guarda-redes pode ter: sofrer 7 golos e não poder fazer nada.

 

Descansa em paz!