Um destes dias

“Um destes dias”, foi a data marcada para voltarmos a tomar café.

Assim nos despedimos em Coimbra, à mesa do “Santa Cruz”.

Mas, não aconteceu.

São as acções que não tomamos, que deixam os maiores vazios.

O preço de se tomar as pessoas, as coisas, o tempo, como garantidos.

Restam os dias que ficaram, entre os dias que passaram, registados na memória onde se arquiva e se consulta as boas partilhas.

De tudo quanto poderia escrever, hoje só sou capaz disto.

O resto é memória e vazio, que prefiro guardar para mim.

Um abraço, JJC.

Uma vida curta demais

Este é o título da biografia do guarda-redes alemão Robert Enke, escrita pelo jornalista Ronald Reng e publicada agora em Portugal pela Lua de Papel. Passam agora três anos da sua morte. Todos conhecem o seu fim: sucumbiu a uma profunda depressão.

“Enke, diz Reng, gostaria de ser lembrado como alguém que se debateu com uma doença. Significaria muito para ele que as pessoas soubessem que era preocupado com os outros e um guarda-redes fantástico. E que percebessem que não se matou conscientemente, mas que foi a doença que o levou a esse acto.” (PÚBLICO, 6/11)

Aquela depressão teve como uma das causas ou a sua principal causa, a morte da filha de dois anos, Lara, em 2006. Uma vida curta demais refere-se, obviamente a Enke, mas a vida de Lara também o foi em demasia e Enke, como qualquer pai, não compreende nem aceita.

Mas foi também a pressão do futebol: “para Robert era muito difícil aprender a lidar com os erros”.

Que nos sirva de lição, a todos, este caso triste do futebol profissional:  “a carreira não é a vida. Há outras coisas além disso.”

O nosso maior medo

«Betinho», não me parece, pelo menos nesta fase. MEC não era o meu género. Mas, ultimamente,  tenho apreciado os textos de Miguel Esteves Cardoso, sentimentais, amorosos, falando de outras realidades, no meio, no fim ou no princípio daquela que faz os jornais. Hoje, no Público, em «O meu maior medo», revela o medo de perder Maria João, no momento em que celebram 12 anos de casamento. É uma carta de amor.

O amor em todo o coração e em toda a parte se procura. Já anima a possibilidade de ser encontrado e a incerteza de não passar o resto da vida sem poder amar e sem poder ser amado. O que custa é acreditar naquilo que se tem, quando todos os dias, ao longo de longos anos, se consegue encontrar esse amor que se procura, na pessoa que se ama e no lugar e no tempo — aqui, agora, daqui a bocadinho — em que mais gostamos de encontrá-lo. [Read more…]