O lobby dos machões

É a terceira vez em dois dias que sou «atacada» pela revelação deste estudo. Embora não seja uma radical feminista, defendo a igualdade de género se não em tudo, pelo menos em muitas áreas. E a área doméstica é uma delas. Se se quer liberdade e mente aberta na cama, há que fomentar no dia-a-dia. Um lar é-o de todos e para todos. Se estiver arrumado e limpo está-o para todos. Se há comida na mesa, há-a para todos. [Read more…]

Aviso: este texto destina-se exclusivamente a mulheres

 Aqui entre raparigas, deixem-me que vos conte o que acabo de ler no diário espanhol ABC. Num artigo publicado na edição online, o jornal resume um estudo publicado no Wall Street Journal que poderá ser o elo que faltava na efectiva divisão igualitária das tarefas domésticas entre homens e mulheres.

Diz-nos o ABC que essas tarefas domésticas podem ser um poderoso afrodisíaco e que quem mais se empenha na sua realização tem mais possibilidade de vir a desfrutar de umas noites fogosas.

Para além de dar por assente que para nós é extraordinariamente estimulante ver os nossos companheiros a esfregar tachos e a passar a roupa a ferro – enganamo-los bem, hem? -, os autores do estudo mostram-se surpreendidos com o facto de os homens também se entusiasmarem perante a imagem da sua companheira ocupada a recolher meias pela casa ou a passar a esfregona no chão. E essa parece ser a grande revelação do estudo, a de que todos – homens e mulheres –  acham excitante fazer e ver fazer trabalho doméstico.

Não sei se estão de acordo comigo quando digo que isto é uma treta?  

A menos que se meta a roupa na máquina ao som do “You can leave your hat on” ou se vá intercalando a limpeza do pó com umas acrobacias no varão, não me parece muito linear a ligação entre uma coisa e outra.

Que a partilha das tarefas domésticas contribua para a harmonia conjugal, e que essa harmonia se pode traduzir, entre outras coisas, em noites românticas, parece-me evidente.

Que nós olhemos para eles de aspirador em punho, ou a esfregar a banheira, ou a secar os pratos do jantar e nos sintamos tomadas pelo fogo da paixão… pois tenho as minhas dúvidas, que querem que vos diga. Mas acho que vale bem a pena convencê-los de que assim é. Já sabemos que é sempre melhor persuadir do que forçar e que melhor forma de persuadi-los?

E logo à noite é vê-los, munidos do espanador, vestidinhos com o seu avental, ansiosos por mostrar o quanto são prendados.  E já está. Tudo em nome da igualdade entre sexos e da harmonia conjugal.

Mas atenção, isto fica só entre nós. Eles não podem saber.