O lobby dos machões

É a terceira vez em dois dias que sou «atacada» pela revelação deste estudo. Embora não seja uma radical feminista, defendo a igualdade de género se não em tudo, pelo menos em muitas áreas. E a área doméstica é uma delas. Se se quer liberdade e mente aberta na cama, há que fomentar no dia-a-dia. Um lar é-o de todos e para todos. Se estiver arrumado e limpo está-o para todos. Se há comida na mesa, há-a para todos.

Pessoalmente, revolta-me que se venha agora dizer que os homens com mais tarefas domésticas têm menos relações sexuais, por muito que estas afirmações sejam sustentadas por estudos.

Se calhar, os homens que se dedicam à casa tanto como as mulheres tradicionalmente tinham que se dedicar, perdem o interesse. Mas quantos são esses?

Até percebo, ó se percebo! Já cantavam os Ena Pá 2000 que «A lida da casa não dá alegria».

O que não percebo é que se venha dar a isto uma grande importância.

A ser verdade, penso que isso só se explica pelo facto de os homens fazerem as tarefas domésticas tão mal que as mulheres necessitam do dobro do trabalho para pôr tudo direitinho, ficando, assim, tão cansadas e aborrecidas que não conseguem cumprir certas funções.

Outra hipótese é a de que os homens que se dedicam a tarefas «tradicionalmente masculinas» possam ter «relações sexuais» alternativas, algo que os que se dedicam às tarefas domésticas e, consequentemente, às suas famílias não fazem porque se sentem bem no ambiente de harmonia familiar em que vivem.

A meu ver, este estudo foi encomendado por um grupo de homens que tentam convencer as respectivas de que é melhor serem elas a arcar com todas as tarefas.

Agora, deixando ironias de lado, a minha opinião pessoal, que vale para o que vale, é de que num casal onde ambos fazem a sua parte das tarefas domésticas há mais lugar para o amor e para o sexo, já que ambos acabam por ter mais tempo e mais disponibilidade física e emocional para si e para o outro. Se não houver apenas uma pessoa sobrecarregada com toda a carga de trabalhos, seja ela mulher ou homem, essa pessoa terá maior disponibilidade para atender às necessidades e interesses do outro e às suas próprias necessidades e interesses.

E não são necessários estudos para saber isso.

Comments

  1. Amadeu says:

    O reverso da medalha pode ser:
    Homem que não cumpra a sua quota semanal na cama (ou fora dela) ou cujo desempenho não esteja à altura de satisfazer plenamente a sua companheira … passa a lavar a loiça a todas as refeições.

  2. Konigvs says:

    Comecemos pelo início. O casamento (união de facto/viver junto o que queiram) é o maior anti-tesão que pode haver, e não fiz nenhum estudo, basta olhar em volta, falar com os amigos, ouvir falar sobre relações que terminaram, e como no início era em todos os cantos da casa, na sala, em cima da mesa da cozinha, em cima, na banheira, em todas as posições, até que subitamente puf, começam as “dores de cabeça”, “ando muito cansado”, “amanhã levanto cedo”, “já não tenho vinte anos”, etc etc.

    Mas se de repente começam a achar piada a outra pessoa, no trabalho por exemplo, local por excelência – muito mais que a internet – propício a traições, e anda-se ali na cena perigosa do engate, ir apalpando terreno, fazendo uma graça, algo sempre muito excitante e ver no que dá. Se o homem gosta de caçar (depende dos homens) a mulher hoje em dia (depende das mulheres) caça ainda mais, e depois gosta que lhe alimentem o ego. “O outro lá em casa já não tem vontade de me saltar para cima vamos se eu piscar o olho ali ao Zé da logística se ele não trata de me fazer a revisão que bem que estou a precisa”. E de repente está a mulher que não tem sexo há meses a foder como uma maluca com um colega de trabalho. Viram o filme “Beleza americana”? Isso é muito bem retratado na personagem da Annett Bening que não faz sexo com a personagem do Kevin Spacey há meses, mas quando surge a oportunidade não hesita em dar umas bem dadas com um colega da área de trabalho, e no fim diz “Há muito que estava a precisar de isto”! Estava a precisar mas não era com o gaijo que tinha lá em casa.

    Já mais de uma vez que comentei aqui sobre estudos idiotas, há-os para todos os gostos incluindo os que são totalmente contraditórios entre si. Mas no campo sexual há muito que aprendi que grande parte das pessoas mente e muito, aumentam se parece bem aumentar – “não vou dizer que só tenho sexo uma vez por mês não é? parece mal, eu sou uma pessoa normal e as pessoas normais têm sexo pelo menos três vezes por semana”; ou diminuir se parece mal “Não vou dizer que me masturbo dia sim dia não – não é? ainda por cima sou mulher e é uma coisa pecaminosa que os outros saibam”.
    Recentemente o Expresso publicou um estudo sobre os hábitos sexuais dos portugueses e há lá números que são de rir, incluindo estatísticas sobre os clubes de futebol!!! Por isso tenham cuidado com o clube que escolhem, isso no futuro pode ter grande influência no vosso sucesso sexual!!

    Estudos da treta.


  3. Há tantas afirmações úteis, quer a nível emocional quer a nível social, a serem sustentadas por estudos e logo esta é das que tem mais divulgação… Vejo isto em todo o lado.


  4. poder… provavelmente num casal em que um homem desempenhe mais tarefas domesticas, ela tem mais poder… este é o resultado.


  5. o bando do imbecis não gosta de ouvir verdades… e por aqui há muitos

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