As infidelidades do PISA e as coisas verdadeiramente importantes

Os que reivindicam a paternidade do sucesso nos últimos testes internacionais são apenas maridos enganados que não conseguem ou não querem ver que o filho que reclamam como seu tem nitidamente a cara de outros, o que faz da Educação aquilo que deve ser: uma insaciável oferecida ou uma oferecida insaciável. Os pobres maridos, evidentemente, são os primeiros a não saber ou, no mínimo, a fingir que não sabem. Por outro lado, são os últimos a querer saber, preferindo ilusões a análises.

De qualquer modo, num país de ignorantes atrevidos, é natural que todos se julguem capazes de fazer testes de ADN e, sem análises, as atribuições de paternidade têm sido mais do que muitas. Dêem-se as voltas que se quiser, mas isto resume-se assim: o sucesso educativo (ou outro qualquer sucesso) de um país resulta de múltiplos factores. Quem acredita um ministro possa ser tão genial que arrancasse o país ao descalabro é parvo; quem finge que acredita não é nada parvo, mas confia que todos os outros o sejam.

O que é verdadeiramente importante continua por fazer ou por desfazer. Entretanto, há dados que não chegam a ser noticiados: recentemente,  a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência publicou algo sobre a descoberta da pólvora, ao apresentar um estudo sobre a relação entre a condição socioeconómica e os resultados escolares dos alunos no terceiro ciclo; posteriormente, apresentou um outro sobre o Segundo Ciclo. Novidades? Nenhumas: o meio socioeconómico em que vivem os alunos é, muitas vezes, determinante para o seu sucesso escolar. [Read more…]

Noite de PISA

pizzaQuando começam a sair os resultados dos testes internacionais, especialmente por serem internacionais, os políticos, já se sabe, aparecem logo a reclamar paternidades e maternidades (porque também há políticas) ou a rejeitar crianças, se forem defeituosas.

Há poucos dias, foi o TIMSS. Ontem, foi o PISA. Apesar de este teste ser feito para avaliar uma parte do percurso de alguns alunos de 15 anos, não há quem não queria reclamar méritos, mesmo que não tenha estado no ministério nos últimos nove anos, ou seja, desde que os alunos em causa entraram para o Primeiro Ciclo. Tudo muito socrático, ou seja, portuguesinho.

O actual ministro, justiça lhe seja feita, deu os parabéns aos alunos e aos professores, essa gente habitualmente menorizada, face aos grandes ideólogos que julgam perceber mais disto a ressonar em gabinetes do qualquer professorzeco a suar numa sala de aula.

No meio de tudo isto, há, a propósito de professorezecos, uma novidade, incluída num relatório que acompanha o PISA: considera-se que os professores portugueses revelam uma estranha capacidade de adaptar o conteúdo e a estrutura das aulas aos alunos. Estranha? Sim, porque é uma ideia contrária às conclusões dos pedagogos de sofá que acusam tudo o que é docência lusa de imobilismos, conservadorismos e outras caturrices que tornariam impossível a boa aprendizagem da juventude. O Paulo Guinote deixa escapar um “In your face” e tem razão. Há alguns meses, abordei lateralmente o assunto. [Read more…]

Mais Pisa, torres e torres erguendo em plano inclinado

arquitectura oral

Quase 73% dos alunos testados declararam que em casa existem dois ou mais computadores.
(…) Em matéria de computadores em casa passámos de 30,9% com dois ou mais para 72,9%, enquanto na OCDE a média cresceu apenas de 53,6% para 59,7%. Sendo alunos com 15 anos, será que todos tiveram irmãos com Magalhães? (…)
Em quase 59% dos casos são referidos dois automóveis no agregado familiar.
Em todos estes parâmetros, a amostra portuguesa parece mais rica do que a média da OCDE. Interessante.

Mais dados sobre os jovens portugueses que fizeram os testes Pisa, publicados pelo Paulo Guinote. Muito interessante.